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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O "bufo"


O "bufo" , lembram-se dele?...

Cobarde, mesquinho, soez, o "bufo" está sempre disponível para prestar serviço a quem lhe pague ou proteja. Ouvidos alerta, olhar enviesado, língua afiada, o "bufo" não tem ética, não tem limites, não tem pruridos. Durante o Estado Novo era um aliado precioso da terrível PIDE e não olhava a meios para lamber as botas dos senhores do Regime. Nas empresas veste o fato do empregado zeloso que se faz amigo dos colegas apenas para ver se criticam o chefe, a quem obviamente o "bufo" corre a contar o que ouviu e até aquilo que nunca ninguém disse mas ele inventa facilmente. Está por todo o lado - como as pulgas ou as melgas.

Obviamente que o podemos encontrar por aí, até no restaurante, fingindo ler a ementa - porque o "bufo" adapta-se a qualquer "habitat" e todo o cuidado é pouco.

domingo, 26 de abril de 2009

Justiça


Temos uma Justiça demorada. Demasiado demorada. Todos nós conhecemos histórias de processos que se arrastam durante anos pelos Tribunais sem que nenhuma decisão seja tomada. Num sistema assim, os culpados beneficiam e os ofendidos desesperam. Não há Democracia plena sem um sistema de Justiça que garanta a todos igualdade de tratamento e celeridade na decisão perante uma disputa, um diferendo, uma contenda.

Se somarmos à ineficácia ou demora um aumento exagerado nos custos de acesso a essa mesma Justiça, teremos, cada vez mais, um sistema que se afastará gradualmente de quem não possua recursos para tal. Será uma Justiça para quem tem dinheiro, para quem pode pagar a bons advogados, para quem pode aguentar meses ou anos a fio de despesas várias.

Mas já não será JUSTIÇA.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dois cérebros


Judite de Sousa entrevistou hoje, na RTP-1, o neurocientista António Damásio. Uma excelente entrevista, aliás.

Especialmente interessante a reflexão de António Damásio sobre os diferentes "tempos" dos nossos "cérebros" - o cognitivo e o emocional. Mais rápido o primeiro. Mais "lento" e reflexivo o segundo. Num Mundo agitado e sob "stress permanente" não admira que muitos dos nossos jovens não encontrem "tempo" para "amadurecer" valores e sentimentos. Por vezes, estes até parecem um "empecilho"...

E lá "regressamos", por "portas travessas" ao tema Escola e Família e à (enorme) necessidade que temos, colectivamente, de parar para redefinir o modelo de Educação e, implicitamente, o modelo de Sociedade e de Cidadania que desejamos ter.

Como diria o Sérgio Godinho - "isto anda tudo ligado"...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A matilha



Numa altura em que a pulhice parece caminhar para nova escalada, reproduzo crónica de Baptista-Bastos publicada no "Diário de Notícias" de hoje:


VIVER EM PORTUGAL


"Andamos todos ressabiados. Invejamo-nos, desprezamo-nos; se os outros não tiverem defeitos, inventamo-los; deixámos de ser transeuntes, cidadãos: trespassamo-nos com a indiferença, o ressentimento e o ódio. A notícia da prisão deste ou daquele, banqueiro ou vizinho, amigo ou inimigo, lança no nosso íntimo uma alegria obscena. Não vivemos - existimos no pequeno mundo de obcecações que nos cegam. Que nos aconteceu? Quem nos roubou a humanidade que permite a clarividência e a energia necessárias para suportar a adversidade, a mentira, a infâmia? Tudo nos conduz e nos empurra para um futuro ainda mais amargo, mais confuso e ambíguo do que este presente. E, no entanto, é preciso perceber que o comportamento individual pode responder às exigências dos grandes compromissos e das grandes fidelidades.

Todos os dias as notícias são medonhas. Todos os dias tomamos consciência de novas verdades, de novas mentiras e de constantes tentações para a irresponsabilidade. Aquele vai embora e nem um breve aceno lhe concedemos. Aqueloutro foi despedido e a nossa impassibilidade é um muro gelado. Que fizemos de nós? Nós, que somos a nossa própria criação e a criação do outro. Foi esquecida a condição de todos, que considerava a condição de cada qual. As coisas revolutearam confusamente; mas as coisas não aconteceram por acaso. Não conseguimos manter intacto o que era fundamental. E estamos envolvidos numa perplexidade sem limites que provoca desassossegos desnecessários.

Bom. Não gosto daquilo que o eng.º José Sócrates representa, dos caminhos ínvios para os quais conduziu a pátria e nos compeliu. Porém, ele é o resultado da nossa imaturidade e da nossa atonia cívica e ideológica. Sócrates não tem convicções. Nós, também não. Vogamos ao sabor das contingências. Sócrates, obcecado pelo seu destino individual, tripudiou sobre o nosso futuro comum. Não gosto dele porque nos fez admitir a política do irremediável. Porém, este caso do Freeport fez-me reflectir sobre a natureza da indignidade e os fundamentos da sordidez. Nos últimos três anos, o homem foi acusado de forjar uma licenciatura, de ser homossexual (uma acusação abjecta, com remetente conhecido) e, agora, de estar envolvido numa tecelagem de corrupção. A história escora-se numa trama obscura, mas o estilo caracteriza a procedência. Não pertenço à matilha. As desprezíveis fugas de informação parecem obedecer a um calendário político. Seria Sócrates muito tolo, e não o é, acaso se se deixasse enredar numa teia tão rudimentar e insensata quanto os noticiários no-lo revelam. Creio que esta ruideira não o afectará politicamente. Lembram-se da campanha contra Sá Carneiro? Viver em Portugal é perigosíssimo."

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009


Um BOM ANO em 2009 para todos - com Coragem, Determinação, Verdade e Mudança!

E já agora também com algum
sentido de humor, que bem precisamos!...

domingo, 12 de outubro de 2008

Sábado à noite


Rio de Mouro. Sábado. Faltam cerca de 15 minutos para a meia noite. Atravesso, a pé, o acesso da estação da CP com alguns familiares, na direcção da Rinchoa. Em plena estação, junto às bilheteiras, um grupo de 10 a 12 indivíduos de côr "entretém-se" a beber garrafas de cerveja e a provocar, de forma sibilina, quem passa. Num pequeno gabinete, de porta semi-cerrada, o segurança (?), um homem de cerca de 50 anos, vai lendo um jornal como se cá fora nada se passasse ou, eventualmente, desejando interiormente que nada se passasse... O ambiente é tenso, sente-se que basta uma pequena palavra para que possa gerar-se uma situação de eventual violência. O grupo, desafiante, comporta-se como "dono" do espaço e as pessoas que vão passando tentam ignorá-lo.

Não há sombra de autoridade a quem se possa recorrer. Não se entende que a PSP (com amplo posto recentemente inaugurado em Rio de Mouro...) não exerça a sua vigilância ou manifeste a sua simples presença, junto desta zona central de transportes e de acessos, pelo menos até à meia-noite, 1 hora da manhã. Há gente que regressa do trabalho e se sente inquieta. Há gente que sai com a família para assistir a um simples espectáculo e se sente "ameaçada" perante este tipo de grupos.

A prevenção é sempre preferível à repressão - mas tem que ser um facto e não uma mera palavra...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Crise ou oportunidade?...


Face à actual crise financeira mundial (que ameaça ser económica e, pior ainda, social) gostava de saber onde se enfiaram agora todos aqueles "especialistas" que sempre defenderam o "Estado mínimo" e a "eficiência" dos mercados. Ou onde estão aquelas "sumidades" que defenderam (ainda recentemente) a privatização da Caixa Geral de Depósitos, por exemplo...

Um capitalismo que "privatiza" sofregamente os lucros e corre para o Estado quando (por incompetência, por ganância, por sordidez) cai na falência, não merece sequer uma Missa de 7º dia.

O Mundo reclama há muito por ideias, por valores, por ética - engana-se quem acha que as "ideologias" morreram, porque elas são, hoje em dia, mais necessárias do que nunca. Sem ideais, sem convicções, sem dedicação ao serviço público, não há verdadeira governação das Nações, mas apenas uma "gestão" em função de interesses e sujeita a todas as flutuações.

Façamos desta crise uma oportunidade - para regular, para regrar, para condicionar quem entende o Mundo como um gigantesco "off-shore". Não é um momento fácil, mas também não é com pessimismo e baixar dos braços que sairemos desta situação - os nossos filhos esperam que saibamos sair vitoriosos desta difícil "batalha".

Taxas...


Com a devida vénia, deixo aqui um interessante comentário retirado do site do meu amigo Adriano Filipe, Presidente da Junta de Freguesia de S.Martinho e relevante militante do PS em Sintra, a propósito de certas taxas que todos nós vamos pagando e tornando a pagar e são como "pragas" que parecem nunca ser extermináveis...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Com dedicatória para os cães de fila


"O que é preciso é gente

gente com dente

gente que tenha dente

que mostre o dente


Gente que seja decente

nem docente

nem docemente

nem delicodocemente


Gente com mente

com sã mente

que sinta que não mente

que sinta o dente são e a mente


Gente que enterre o dente

que fira de unhas e dente

e mostre o dente potente

ao prepotente


O que é preciso é gente

que atire fora com essa gente"


Ana Hatherly, 1929

sábado, 31 de maio de 2008

Amy


Uma cantora diferente, com um potencial espantoso, com um disco que já faz parte da história da música pop, Back to Black. Pela sua voz perpassa o fantasma de Nina Simone, Aretha Franklin, Janis Joplin. A sua juventude permitiria esperar a superação, ainda, do êxito actual. E, no entanto... Uma exibição de completa degradação física e psicológica no espectáculo de 50 minutos, ontem, na abertura do Rock In Rio / Lisboa. Vítima das drogas, do álcool, persistindo num caminho de destruição de si própria, sem voz, sem força, cambaleante. Amy Winehouse. Faz sempre pena ver o talento desperdiçado...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Patrões e Empresários


Leio e quase não consigo acreditar: segundo notícia do Alvor de Sintra, o presidente da Associação Empresarial de Sintra (AESintra) defende a redução do número mínimo de horas obrigatórias de formação nas organizações. O Sr. Presidente desta Associação considera que as 35 horas anuais de formação, consagradas no Código do Trabalho, são “impossíveis de cumprir”. A proposta é passar para…10 horas de formação / ano, para cada trabalhador!... Trinta e cinco horas anuais de formação correspondem a 5 dias / ano de formação para cada trabalhador. Repito – 5 dias em todo um ano. Num Mundo onde o Conhecimento é, cada vez mais, factor de valorização e de distinção dos indivíduos e das empresas, espanta ver quem considere a Formação profissional quase como um “fardo” e pretenda resumir esse momento a uma “passagem fugaz” para cumprir calendário. Deve ser por isso que é usual dizer-se que, em Portugal, há muitos patrões – mas poucos empresários.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O que virá a seguir?...


Antes de ser eleito Secretário Geral o homem era acusado de tudo e mais alguma coisa. Era católico. Havia um ror de histórias do arco da velha que supostamente “enlameavam” o seu passado. Tinha sido da JSD. Era "queque". Era inconsistente. Era da província. Era teimoso. Era arrogante. Era irascível. Depois foi eleito Secretário-Geral do Partido pelo voto directo dos militantes. Na campanha para as eleições Legislativas, novas acusações – as insinuações canalhas sobre a sexualidade, a sombra de negócios pouco claros em Alcochete. Ainda assim o homem foi eleito Primeiro-Ministro e logo com maioria absoluta. Alguns dos que lhe apontavam o dedo dentro do Partido esqueceram-se de todas as acusações e suspeições, apareceram até sorridentes ao lado do homem, batendo palmas, freneticamente, na 1ª fila de encontros partidários e houve até quem lograsse uma ou outra nomeação para um cargo confortável e bem remunerado no estrangeiro. Nos partidos da oposição (com especial destaque para o maior partido da oposição) os ataques pessoais persistiram – à repetição das acusações de arrogância, autismo, teimosia, somaram-se as diatribes intensas sobre a validade da licenciatura em Engenharia, as alfinetadas sobre a namorada jornalista e o convite de uma produtora para colaborar em programa a exibir na RTP-2. À falta de argumentos políticos sobraram farpas envenenadas. Mas não bastava. O homem foi agora acusado de fumar 2 ou 3 cigarros num avião fretado pelo Governo para ir à Venezuela, suprema heresia! O País pára. Constitucionalistas são chamados a opinar. O povo exige justiça. Sumidades exigem um pedido de desculpas público. Autores da descoberta horripilante? Jornalistas de um diário, propriedade de conhecido empresário que perdeu uma célebre OPA durante o mandato deste Governo. Os mesmos jornalistas confessam que sempre se fumou nos voos fretados do Presidente da República - mas o Presidente não fuma… E eles também não acharam relevante fazer matéria sobre o assunto. Mas com o homem fia mais fino. O homem é arrogante. Teimoso. Se não pede desculpa é cínico; se pede, é fraco. Quer impor regras e limitar interesses corporativos. Veio da província. É do “aparelho”. Baixou o défice que sumidades da Ciência Económica deixaram pelas ruas da amargura. Tem uma namorada jornalista. Faz jogging.. Não baixa nas sondagens nem por nada. Caramba, digam lá se o homem não se pôs mesmo a jeito?!...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

António Guterres



António Guterres regressou à sua terra natal para receber singela (mas merecida) homenagem. Evocou a sua infância, as dificuldades de companheiros desses longíquos dias de meninice, alertou (uma vez mais) para a crise alimentar mundial que se perspectiva no horizonte. Este homem, que hoje em dia exerce funções de Alto-Comissário das Nações Unidas para os refugiados, é mais um exemplo daquela triste sina (infelizmente tão portuguesa) de não se valorizar atempadamente os melhores de entre nós. O português prefere demasiadas vezes o sisudo e falso austero, ao simples e objectivo. António Guterres é um grande estadista português e certamente terá ainda um contributo relevante na nossa futura vida política e cívica.


domingo, 4 de maio de 2008

Rir de quê?...


Vejo um grupo de gente que marcha em Lisboa. O que pedem? Que gritam? Pela legalização da marijuana. No meio daquela gente, membros do Bloco de Esquerda. Orgulhosos. Sorridentes. Os efeitos da marijuana são conhecidos, sendo que os psicológicos tendem a predominar sobre os fisiológicos. De forma breve pode referir-se que a marijuana provoca uma leve euforia, distorções de espaço e tempo, alteração do humor, taquicardia, dilatação dos vasos sanguíneos oculares, secura da boca e tonturas. Doses mais elevadas podem provocar uma intoxicação aguda. Nesta situação, o utilizador tem fortes alucinações audio-visuais, ansiedade, depressão, reacções paranóicas e outras psicoses, além de falta de coordenação motora e desconforto físico. Os membros do Bloco riem de quê?...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Trabalho


"Ganharás teu pão com o suor do teu rosto". Uma vida de trabalho. O trabalho de homens e mulheres construindo o Mundo. 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Prioridades



A actual subida dos preços dos bens alimentares (sobretudo os mais básicos, como o pão) não pode deixar de merecer uma preocupação atenta. Os idosos já gastam praticamente as suas reformas por inteiro com medicamentos e pouco sobra para a alimentação. A classe média, seduzida durante anos por taxas de juro baixas, endividou-se e há todo um conjunto de "novos pobres", mesmo em famílias com alguns recursos, rapidamente sumidos no pagamento de empréstimos vários. A fome é (sempre) má conselheira e o desespero de alguns pode sempre ser aproveitado pelos populismos de ocasião. Está na hora de entender os sinais dos tempos - e actuar.

domingo, 27 de abril de 2008

Um Mundo cor de rosa...


Lido ao acaso numa qualquer revista cor de rosa, por entre fotos bem coloridas: Fulano de Tal, empresário de sucesso, "conta com o apoio da esposa" na recuperação de operação! Mas...seria de esperar que não contasse?! E será preciso anunciá-lo na Imprensa?! Já não me surpreenderá se um próximo título surgir, um destes dias, nas páginas de uma qualquer revista da especialidade: "Fulano de Tal conta com o apoio da esposa no dia do seu funeral"...