segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Equidade social"

Retomo uma questão que tem que começar a ser levantada junto dos diversos atores políticos em geral e que deveria ser uma proposta a apresentar, desde já, pelo PS, enquanto maior partido da oposição: quando as famílias pediram crédito, este foi-lhes concedido tendo por base a sua capacidade de endividamento. Ora aquilo a que temos assistido é que o Governo tem cortado nos salários (no rendimento que serviu de base para o cálculo da capacidade de endividamento) mas nada tem sido feito para OBRIGAR as instituições de crédito a renegociar os encargos, ajustando-os ao novo rendimento disponível, seja através de prolongamento de prazos, carência de juros ou capital durante 1 ou 2 anos, etc. Não bastam as medidas recentemente tomadas para as famílias de mais baixos rendimentos não perderem a casa que deixaram de poder pagar e que são apenas uma “gota de água” - trata-se de estabelecer alguma "equidade social" num processo que tem apenas "destruído" rendimentos das famílias, evitando a falência de muitos Portugueses e permitindo que quem sempre cumpriu, possa continuar a fazê-lo, ainda que de forma adequada à sua nova "capacidade de endividamento". Bem sei que as instituições de crédito reagirão negativamente - mas em tempos difíceis e de total esmagamento das famílias, há que estabelecer também outras exceções, para evitar o rompimento do tecido social.

Assim, deveria ser, desde já, exigido junto do Governo (mas também dos restantes partidos da oposição, especialmente do PS) que esta questão seja tida em devida conta. Há famílias que estão a deixar de cumprir com os seus compromissos porque o Estado as IMPEDE de tal! Isto não faz qualquer sentido, porque foi com base nos rendimentos que as famílias apresentaram que foi calculada a sua capacidade de endividamento e lhes foram concedidos os diversos créditos (habitação, pessoais, etc). Muitas destas famílias continuariam a cumprir com os seus pagamentos se houvesse capacidade das entidades financeiras para aceitarem rever as prestações mensais em face dos novos rendimentos apresentados. No caso dos funcionários do Estado tal situação é chocante, porque o mesmo Estado que confisca parte dos salários, depois não tem o mínimo pudor em punir quando efetivamente as pessoas não conseguem pagar tudo como faziam até esta altura. É ilógico e IMORAL!

Daí que eu considere que deve ser desde já EXIGIDO ao Governo (e o PS tem obrigação de o fazer, para além dos outros partidos da oposição, obviamente) que as famílias que sofreram cortes salariais (muitos deles já superiores, no conjunto de um casal, a 35% do seu rendimento anual!) possam solicitar alterações nas suas condições de pagamento (carência de pagamento de capital durante 2 anos; aumento de prazos para pagamento, diminuindo a prestação mensal; etc), em todos os créditos que tenham (habitação, pessoal, viatura, etc), devendo as instituições financeiras ser obrigadas a apresentar planos de pagamento adequados e que minorem o esforço mensal.

Exatamente como para o País, não se trata de "deixar de pagar" mas de pagar com condições em que tal seja exequível, pelo menos durante este período mais difícil para todos. Esse esforço também tem que ser pedido a bancos e financeiras, até porque no caso da banca esta também foi apoiada pelo Estado (nomeadamente a banca privada) quando teve necessidade e deve agora retribuir esse apoio junto dos contribuintes.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O limite

Qual é o limite?... Qual é o ponto de ebulição da dignidade de um povo?...

Muitos dizem: "vivemos em Democracia, logo não se justificam os protestos em que a violência está latente". Concordo. Mas a contrapartida para que os cidadãos aceitem esse "contrato psicológico" em que o voto é a "arma", passa pela coerência das propostas apresentadas em campanha, pelo seu cumprimento e pela capacidade dos partidos que governam de estarem constantemente recetivos aos diversos sinais da sociedade.

Ora, o que se passa hoje em Portugal? Temos dois partidos no Governo que têm vindo a aplicar uma agenda que jamais foi apresentada durante a campanha eleitoral - antes pelo contrário, foi garantido (em vários aspetos) precisamente o contrário do que está a ser feito. Simultaneamente, percebe-se que essa "agenda" não tem fim, nem limites - é insaciável, é destruidora, é desenfreada na sua sanha de empobrecimento e ataque às bases de uma vida digna através do Trabalho. Num dia anuncia-se um Orçamento com impostos brutais e no outro, sem tempo sequer para respirarmos, já percebemos que vêm aí mais sacrifícios, cortes, despedimentos, miséria, tudo isto anunciado com a frieza absoluta dos bombardeamentos sistemáticos num estado de guerra.

Reagem os cidadãos, civicamente, protestando da única forma possível, nas ruas - e praticamente nada se altera. Pior - há até quem achincalhe tais protestos, os considere mero folclore, orquestrado pelas oposições, os diminua, os ignore olimpicamente.

E a questão surge de novo - qual é o limite?... Qual o ponto fulcral em que o desespero galga a racionalidade? Qual o momento exacto em que a revolta se transforma em revolução?

A Democracia não é uma rua de sentido único - para que os cidadãos respeitem as suas regras, é necessário que sintam que existem limites que também jamais serão ultrapassados pelo Poder. Ora esses limites foram ultrapassados há muito e há quem continue a pretender ultrapassá-los ainda mais. Se não há limite para os "sacrifícios" impostos - como poderão alguns querer que exista para a reacção das pessoas? Se aquilo que se promete não é cumprido - como podem os governantes apelar para a "responsabilidade" dos governados? Se ninguém escuta o uivo que ecoa no vento e que percorre todas as ruas e que desfaz todas as certezas - como podem alguns apelar ao "bom senso"?...

Digam-me, por favor - qual é o limite?...

Necessitaremos de ver as tropas de um país estrangeiro a cruzar as nossas fronteiras, agora que a força do dinheiro já nos mantém sob o jugo de outros, daqueles que nem elegemos mas que mandam nas marionetas que temos por cá? Necessitaremos de ser ainda mais humilhados, mais roubados, mais reduzidos ao papel de meros números num relatório e contas?...

Qual é o limite para nos sentirmos de novo levantados do chão?...

sábado, 13 de outubro de 2012

Uma fábula...


Era uma vez um velho, muito vaidoso e muito rezinguento, que morava no alto de uma serra, perto de uma cidadezinha muito bonita e pitoresca.

Todos os dias o velho saía de casa à procura de algo de que pudesse dizer mal – se estava sol, queixava-se do calor; se chovia, queixava-se de ter os pés ensopados; se o Governador mandava podar as árvores, queixava-se da falta de sombra; se as crianças riam alto, queixava-se do ruído…

Para além de se queixar de tudo e de nada, o velho considerava-se a pessoa mais culta ao cimo da terra e desdenhava de todos os outros, considerando-os uns analfabetos ignorantes. Apenas permitia junto de si, em certas tardes em que servia chá na sua sala cheia de calhamaços e velhos discos de vinil, outros velhos e velhas amigas que o adulavam e elogiavam continuamente, enquanto trincavam bolachinhas e bebericavam chá.

“Meu caro, não há ninguém tão erudito como você nesta cidade e arredores!” – dizia um.

“Na cidade e arredores? Eu diria no continente todo!” – lançava outro.

“Meus amigos, atenção que em todo o Mundo duvido que haja mesmo alguém com tanta cultura, com tanta argúcia e com tanta capacidade de crítica!” – terminava um terceiro, servindo-se de chá.

E o velho ouvia e sorria, deleitado com tanta adulação e confortável naquele seu pequeno Mundo onde era rei e senhor…

Um dos alvos preferidos do velho era o Governador, porque em tempos lhe tinha negado a nomeação para Director Geral dos Arquivos Imperiais, algo que ele sempre considerara como seu – afinal, não era ele o homem mais culto, mais requintado, mais conhecedor de tudo e de nada, que existia naquela cidade?... Mas o Governador, temendo ter que aturar tanta rezinguice diariamente, preferiu dar o lugar a outra pessoa, facto que o velho jamais perdoou.

Desde essa altura passou a procurar as mínimas minudências para denegrir e atacar o trabalho do Governador. Assim, nas suas passeatas diárias, para além de embirrar com tudo e com todos com quem se cruzava, lá ía tomando notas, num bloquinho, das mil e uma ninharias com que poderia chatear o Governador, quer fazendo reclamações constantes nos serviços respetivos, quer escrevendo crónicas quase diárias que imprimia e colocava nas caixas de correio da cidade.

Certo dia, cansado de tanta queixa do velho e temendo que a população da cidade começasse a dar-lhe crédito e ainda o fizesse perder as eleições próximas, o Governador decidiu mandar chamá-lo para uma conversa pessoal.

O convite lá seguiu para casa do velho e este, entre o surpreendido e o curioso, compareceu ao encontro.

Sabendo o quão vaidoso era o velho, o Governador começou logo por saudá-lo com elogios sem fim:

“Muito obrigado por ter vindo, meu caro amigo, a luz da sua inteligência ilumina todo o meu palácio!”

“Obrigado… - replicou o velho – mas certamente o sr.Governador não me chamou aqui para me tecer elogios…

“Caro amigo, não existem elogios suficientes para a sua elevada craveira! O senhor é o farol moral da nossa cidade, a enciclopédia viva da nossa História, o anjo protetor face a todos os abusos!” – lançou o Governador enquanto mirava a reação do velho, que já começava a sorrir, vaidoso e inchado que nem um perú.

“Mas vamos ao que interessa, caro amigo – prosseguiu o Governador – Chamei-o aqui porque decidi propor ao Conselho Imperial de Comendas e Foguetório que o meu caro amigo receba a Ordem da Mais Elevada e Impressionante Inteligência, como corolário de tanta preocupação e sugestões que o senhor sempre procurou dar para melhoria da nossa cidade!...”

O rosto do velho iluminou-se! Ele teria ouvido bem?... A Ordem da Mais Elevada e Impressionante Inteligência?!... Algo que ele ambicionava há anos e que ninguém jamais recebera?... Mais - algo que ele considerava ter sido criado especialmente para si, porque não existia ninguém mais inteligente e culto naquelas redondezas?...

Tentando conter-se lá respondeu:

“Fico-lhe agradecido, sr. Governador. Obviamente que sei que mereço essa distinção e muitas outras, mas não posso deixar de lhe agradecer, claro..”

“Ótimo!” – exclamou o Governador – Mas gostaria apenas de lhe pedir uma coisa, muito simples, mas que faz parte da atribuição desta Ordem…”

“Sim?... Diga, então…” – respondeu o velho algo desconfiado.

“Quero que passe a usar a faixa da ordem, todos os dias, sempre que sair de casa e para que todos a vejam e o saúdem …” – disse o Governador.

O velho já mal conseguia disfarçar a vaidade que lhe saltava por todos os poros, já esquecera a anterior desfeita do Governador, todo um novo Mundo de bajulação se abria a seus pés!...

“…e – prosseguiu o Governador – em conjunto com o uso da faixa, terá também que passar a usar estes óculos, todos os dias, e sempre que sair de casa.”

E estendeu ao velho um par de óculos escuros.

O velho agarrou nos óculos e experimentou-os. Não conseguia ver rigorosamente nada!... Não eram uns vulgares óculos de sol, porque alguém pintara de tinta negra as lentes e nada se conseguia ver quando eram colocados…

“Que tal, meu caro amigo?...” – perguntou o Governador.

O velho ía a dizer que não conseguia ver nada mas entretanto o Governador prosseguiu:

“Espero que se sinta bem, porque as regras dizem que ninguém pode usar a faixa da Ordem se recusar usar os óculos ou, pior ainda, se disser que nada consegue enxergar com eles, porque são construídos de um material especial e apenas os iluminados, as grandes inteligências, conseguem ver o Mundo através destas lentes…”

O velho calou-se. Obviamente que não ía dizer que não conseguia ver nada – era o que faltava, perder aquela oportunidade única de obter a comenda mais desejada!...

“Vejo magnificamente, sr. Governador! Não se preocupe. Marque a data para a cerimónia de entrega da Ordem, que cá me apresentarei!” – atalhou o velho.

E assim foi.

O Governador organizou uma grande festa para entregar a faixa da Ordem da Mais Elevada e Impressionante Inteligência ao velho, que fez um longo discurso de 3 horas, onde se auto-elogiou largamente, perante a estupefação de uns e a bajulação de outros. A cidade engalanou-se e o velho inchou como um balão prestes a rebentar…

A partir desse dia o velho passou a sair de casa sempre com a faixa da Ordem atribuída ao peito e os respetivos óculos escuros. Obviamente que nada via e por isso tinha que caminhar muito devagar e tentando agarrar-se às árvores e casas por onde passava, tentando orientar-se. Nunca mais levou o bloquinho para recolher notas de maledicência e, quer as coisas estivessem bem ou mal na cidade, terminaram as suas queixas e as caixas de correio nunca mais foram inundadas com os seus panfletos de protesto contínuo.

Impante e completamente cheio de si, o velho resignou-se a ser “cego” quando saía de casa todos os dias e o Governador passou a ter menos aquela voz incómoda a massacrá-lo, pelo que, afinal, até podemos considerar que todos ficaram felizes com o negócio…

Moral da história: vocês sabem qual é, basta que tirem esses óculos escuros com que estão a lê-la…

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Em defesa das Freguesias de Sintra

Intervenção na Assembleia Municipal Extraordinária, realizada no passado dia 10 de Outubro, no Centro Cultural Olga Cadaval.


Reconstruir o ideal de Comunidade Europeia

Não sou daqueles que acha absurda a atribuição do Prémio Nobel à Comunidade Europeia.

Creio, até, que tal atribuição constitui um "grito" profundo a favor de um projecto que ameaça desintegrar-se, precisamente por alguns terem esquecido todos estes anos de PAZ e progresso, colocando o Deus Dinheiro acima de tudo.

A Europa tem um papel essencial na globalização e constitui um exemplo de Democracia, desenvolvimento social e cooperação. É esse projecto que, hoje em dia, está em causa, atacado sem dó nem piedade por monstruosos interesses financeiros - e talvez este Prémio Nobel seja relevante para "acordar" algumas lideranças adormecidas e colocar novamente os valores essenciais (de desenvolvimento, Justiça, Democracia, igualdade de tratamento, confiança, entreajuda) acima de todos os outros.

Entendo, assim, que a atribuição do Nobel da Paz é mais uma porta que se abre para que as grandes nações da Europa, sobretudo a Alemanha e a França, voltem a ser fundamentais na reconstrução deste ideal, entendendo que a miséria, a fome e o "castigo" da austeridade sem conta nem medida, não se coadunam com a manutenção da Paz e com o exemplo que este Continente sempre deu ao Mundo.


domingo, 9 de setembro de 2012

MANIFESTO - UM APELO À ESQUERDA, PELA DEMISSÃO DO GOVERNO!


O actual Governo, detentor de maioria na Assembleia da República, prepara-se para aprovar um novo Orçamento de Estado que será ainda mais penalizador para os Portugueses, em 2013. Obstinado em aproveitar a actual crise internacional para liquidar o Estado Social, este Governo prossegue uma política de privatizações a qualquer custo, de destruição da Escola Pública, de destruição da Saúde Pública, de desvalorização do Trabalho, de empobrecimento das famílias e até de ataque a acordos livremente negociados entre sindicatos e patronato, tornados letra morta e atacando a capacidade reivindicativa dos trabalhadores agora e no futuro.


Após um ano de Governo PSD/PP temos um País mais pobre, com uma economia cada vez mais frágil, com a classe média (motor de qualquer Economia!) de rastos, com um desemprego em níveis nunca atingidos e sem um projecto mobilizador e de esperança para toda uma Nação! Portugal não tem um Governo - tem uma Comissão Liquidatária que ainda se orgulha de ir "mais além" do que a Troika em matéria de austeridade e de sacrifícios para todo um Povo!


É hora de ser consequente e dizer BASTA!


As gerações futuras jamais nos perdoarão se nos resignarmos agora a esta "fatalidade" que esta Direita nos quer vender! A crise financeira a nível global NÃO FOI criada pelos salários de quem trabalha, nem pelo sindicalismo livre, nem pela Saúde para todos, nem pela Educação gratuita! A crise foi criada pela ESPECULAÇÃO SEM REGRAS e por uma alta finança que pretende recuperar aquilo que perdeu na "roleta especulativa" à custa de quem TRABALHA! Para que um banco PRIVADO como o BPN levasse sucessivas injecções de dinheiro PÚBLICO, num total que já foi dito aproximar-se dos 8,5 MIL MILHÕES DE EUROS, há trabalhadores a ficar sem casa, ou a passar fome, ou a deixar de poder colocar os filhos na Faculdade, porque o Governo decide unilateralmente ROUBAR-LHES o salário, mantendo-se os encargos e dívidas para pagar e que tiveram esse rendimento como forma de cálculo!


Não podemos assistir a tudo isto impávidos e serenos! Não podemos deixar que alguém DESTRUA aquilo que o 25 de Abril nos veio dar!


Por isso está na hora de nós, cidadãos deste País que não nos resignamos a ser os futuros escravos deste modelo neo-liberal, exigirmos aos dirigentes dos partidos de Esquerda que minimizem as naturais divergências entre si e que MAXIMIZEM, desde já, o combate a esta política e a este Governo, antes que seja tarde demais! 


PS, PCP e Bloco de Esquerda devem estabelecer pontes de entendimento entre si, de forma a organizarem o LEGÍTIMO protesto da população e o combate a esta política. Já não basta o "desabafo" colectivo nas redes sociais ou em artigos de jornal - é preciso dar-lhe expressão na RUA, civicamente e de forma determinada. E isso necessita da organização, dos recursos e da orientação que os partidos possuem e podem ajudar a consolidar.


Manifestação de 24 horas em frente das sedes nacionais do PSD e do PP; protesto organizado, todos os Sábados, até à votação do OE, junto à residência do Primeiro-Ministro; protesto bem expressivo em todas as deslocações de membros do Governo e do Presidente da República no País; acções de protesto em eventos nacionais e internacionais, nomeadamente os jogos de futebol da Selecção Nacional; apresentação de Moção de Censura ao Governo, etc - são exemplos de acções concretas que PRESSIONEM o Governo e que EXIJAM, sem hesitações, a sua DEMISSÃO!


Este Governo chegou ao Poder com base na MENTIRA! Tudo aquilo que rejeitava no anterior Governo do PS e que considerava "austeridade em excesso", foi agora triplicado, sem justificação e apenas em função de uma agenda ideológica que pretende anular todas as conquistas de bem-estar, Justiça e igualdade que o 25 de Abril permitiu! A EXIGÊNCIA DE DEMISSÃO é um imperativo! Nenhum Governo pode manter-se, em Democracia, governando CONTRA a população! Há um ano atrás a situação do País era dramática e nem por isso PSD e PP hesitaram um segundo sequer em rejeitar uma alternativa à entrada da Troika, forçando eleições antecipadas e fazendo uma campanha em que ESCONDERAM aquilo que efectivamente estão agora a aplicar como modelo de governação!


É hora dos DIRIGENTES dos partidos de Esquerda, do PS, PCP e Bloco de Esquerda OUVIREM ESTE POVO! Não apenas os militantes de cada um dos respectivos partidos - MAS TODO UM POVO, TRABALHADORES SEM PARTIDO QUE ESTÃO A SOFRER E VIVEM A ANGÚSTIA DO FUTURO PRÓXIMO, JOVENS SEM HORIZONTE E A QUEM SE DIZ PARA EMIGRAREM, IDOSOS A QUEM COMEÇA A FALTAR DINHEIRO PARA COMIDA E REMÉDIOS E QUE SE VÊEM TRATADOS COMO UM "PESO" APÓS TODA UMA VIDA DE TRABALHO! É hora dos partidos de Esquerda organizarem o protesto COLECTIVO - ajudando a dar EXPRESSÃO à dor e à revolta cívica dos Portugueses, perfeitamente legítima! Já não chegam os debates, as reuniões, as sessões disto e daquilo; já não chegam os "gritos de alma" nas redes sociais; já não chegam os apelos à "resignação", quando se sabe que existem OUTRAS alternativas!

ESTÁ NA HORA DE AGIRMOS COLECTIVAMENTE, COM O APOIO DOS PARTIDOS QUE ESTÃO CONTRA ESTA POLÍTICA E DE FORMA A NÃO DEIXARMOS QUE ESTE GOVERNO NOS TRANSFORME EM ESCRAVOS!

Este Governo só pode ter um destino - A DEMISSÃO! VAMOS EXIGI-LA DESDE JÁ - EM NOME DOS MAIS POBRES, EM NOME DOS TRABALHADORES, EM NOME DA NOSSA DIGNIDADE, EM NOME DE PORTUGAL!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Fusão e extinção de Freguesias - uma Lei contra as populações!


No passado dia 19 de Junho foi entregue, na Assembleia da República, a Petição que a Plataforma Freguesias SIMtra dinamizou no nosso Concelho e que visa suspender a atual Lei de reorganização administrativa territorial autárquica, aprovada pela maioria PSD/CDS-PP em 30 de Maio p.p.


Esta Petição recolheu mais de 7.000 assinaturas, tendo ficado bem patente, no contato direto com a população, que existe uma real insatisfação relativamente aos pressupostos desta Lei, nomeadamente no que respeita à fusão ou extinção de Freguesias e consequente diminuição dos apoios sociais e atividades atualmente desenvolvidas em cada uma delas.

Mas o combate contra esta Lei não se esgotou com a entrega da Petição na Assembleia da República. É preciso continuar a esclarecer e mobilizar as populações, para que não sejam desagradavelmente surpreendidas com decisões que não têm em conta os seus interesses, identidade ou contexto social e histórico – e para que fique bem explícito quem lhes virou as costas e tomou decisões radicais sem sequer as ouvir ou consultar.

Em Sintra, apesar de até se ter realizado uma Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal exclusivamente para discussão do Documento Verde que esteve na origem desta Lei, continuamos sem saber qual a proposta que a maioria Mais Sintra (PSD e CDS-PP) pretende apresentar, uma vez que é essa a sua responsabilidade, por mais que ande a tentar escapar por entre os pingos da chuva. Desconhece-se que Freguesias serão extintas ou “fundidas”. Desconhece-se que serviços serão alterados ou deixarão de ser prestados às populações por parte das atuais ou novas Freguesias. Desconhece-se que “fronteiras” serão alteradas e com que critério. Tudo está a ser feito no silêncio de um qualquer gabinete, em “obediência” às determinações do Ministro Miguel Relvas e sem que os cidadãos sejam ouvidos, envolvidos ou consultados.

Contra este estado de coisas, multiplicam-se os sinais, oriundos de vários setores:

- A Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) e Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), já anunciaram publicamente a sua recusa em integrar a Unidade Técnica que o Governo criou para proceder à avaliação das propostas para a extinção de freguesias;

- PS, CDU e BE também se recusam a indicar membros para integrar esta Unidade Técnica, deixando PSD e CDS-PP completamente isolados nesta matéria;

- A Plataforma Nacional Contra a Extinção de Freguesias (com a qual a Plataforma SIMtra já estabeleceu contatos), depois de diversas iniciativas de protesto levadas a efeito, já anunciou a intenção de, inclusivamente, recorrer aos Tribunais europeus para travar a Lei.


Em síntese:

Esta é uma Lei que não serve as populações, representando um ataque explícito ao Poder Local que o 25 de Abril instituiu e que tanto contribuiu, ao longo de mais de 3 décadas, para o desenvolvimento das diversas comunidades locais e melhoria das condições de vida dos respetivos habitantes.

Esta é uma Lei da responsabilidade exclusiva do Governo PSD / PP e, qualquer que seja a proposta a apresentar para o Concelho de Sintra, esta será também da exclusiva responsabilidade da maioria de Direita na CMS e Assembleia Municipal de Sintra, cabendo-lhe o ónus de a assumir junto das comunidades e populações afetadas, sem procurar arranjar falsos álibis.

Esta é uma Lei que não trará (como alguns pretendem fazer crer) qualquer poupança significativa para o Estado, mas que abrirá as portas a uma diminuição ou alteração relevante na prestação de todo um conjunto de serviços que as Juntas de Freguesia prestam localmente, numa estreita relação com os habitantes respetivos.

Por tudo isto há que continuar a lutar pela suspensão da Lei, com o apoio dos munícipes de Sintra e contra a extinção ou descaracterização das Freguesias do nosso Concelho! 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Uma questão fulcral

Uma das questões que ficaram para sempre associadas ao grande jornalista e escritor Baptista- Bastos foi a seguinte:

"Diga-me lá, afinal onde é que estava no dia 25 de Abril?..."

Creio que, nas próximas eleições autárquicas em Sintra, e com as devidas adaptações, haverá quem tenha, igualmente, de responder à seguinte questão:

"Diga-me lá, afinal onde é que esteve durante estes últimos 12 anos, enquanto as promessas feitas ficaram praticamente todas por cumprir e o nosso Concelho perdeu competitividade e qualidade de vida face aos Concelhos circundantes?..."

Quem responderá?...

sábado, 7 de julho de 2012

Um péssimo patrão

Imaginem um patrão que não gosta dos seus funcionários. Que os acha apenas um encargo e considera que são indolentes, incapazes e resistentes à mudança. Um patrão que não perde um segundo a elogiar o trabalho de ninguém, mas demora horas a denegri-lo junto de terceiros. Imaginem que esse patrão tem, ainda, a possibilidade de alterar as leis do Trabalho a seu bel-prazer. 

Esse patrão existe - chama-se Governo de maioria PSD/PP. 

Para ele, os funcionários do Estado são uma "chatice", uma despesa, um peso, uma espécie de "carneiros" que devem caminhar docilmente a caminho do altar neo-liberal para serem imolados pelos sumos sacerdotes, chamem-se eles António Borges, Mira Amaral ou Passos Coelho. 

Veja-se a reacção de Passos Coelho face à decisão do TC sobre os subsídios de férias e de Natal - profundo incómodo, palavras secas e agressivas do tipo "esperem pela pancada, que já vos digo como vai ser...", ressabiamento profundo por ter sido colocado em causa o dogma que considera que um "carneiro" não tem direito a balir, nem a espernear, apenas a esperar pela faca que o degolará com resignação. 

Este Governo odeia profundamente os próprios funcionários do Estado. Odeia que não possa despedi-los tão facilmente como faz em empresas privadas onde os contratos são à semana. Odeia que ainda tenham protecção na doença, quando o ideal seria entregar tudo à iniciativa privada e cada qual que se amanhasse e se não tivesse dinheiro para o seguro de Saúde, que tomasse chá de ervas do caminho ou morresse sem fazer muito alarido. Odeia que ainda sejam sindicalizados e se organizem para protestar, quando praticamente já conseguiu liquidar tudo isso na iniciativa privada, onde o patrão tem a faca e o queijo na mão e basta alguém armar-se em parvo e sindicalizar-se e tem a porta aberta para o desemprego. 

Obviamente que um tal patrão não pode defender, incentivar, motivar ou remunerar com justiça aqueles que trabalham para si - e é por isso que este Governo continuará a maltratar os seus próprios trabalhadores, a erigi-los como "egoístas" por se recusarem a ser os únicos a pagar a crise que não criaram, a arranjar todas as formas de se "vingar" pela derrota do TC na questão dos subsídios.

Esperemos pelos próximos episódios - mas o rosto fechado e incomodado do Primeiro Ministro, ao constatar que, afinal, ainda há Lei e Constituição em Portugal, não faz adivinhar nada de bom, especialmente quando todos já sentimos na carne a arrogância e intolerância com que esta gente, desta Direita autoritária e sedenta de "sangue", trata o factor Trabalho em Portugal, preferindo isentar de contributo para a crise quem ganha na especulação, na exploração ou nas grandes negociatas como o BPN e quejandos!...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Por Sintra - Sempre!

Intervenção que efectuei no 15º Congresso da FAUL, realizado no passado Sábado, 30 de Junho, em Vila Franca de Xira:

"Caros camaradas,

Antes de mais permitam-me que saúde todos os delegados presentes e agradeça a  recepção que nos está a ser proporcionada pela Srª Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, neste magnífico espaço, colocado ao serviço da população deste município e que é bem exemplo do esforço e dedicação de uma grande autarca do PS, a nossa camarada Maria da Luz Rosinha.

Seguidamente, endereço os meus parabéns, pela sua reeleição, ao camarada Marcos Perestrelo. Não tendo sido seu apoiante há 2 anos atrás, sinto-me agora perfeitamente à vontade para, com inteira justiça, reconhecer o trabalho entretanto realizado, o seu cumprimento da promessa de ouvir as bases e reunir periodicamente com as diferentes secções do Partido e o dinamismo que procurou criar na FAUL, sem exclusão de ninguém e com a preocupação de gerar franco debate. Estou certo que assim prosseguirá neste seu segundo mandato.

Caros camaradas,

aproxima-se o grande desafio das Eleições Autárquicas. Pela sua importância no conjunto nacional, a Área Metropolitana de Lisboa será palco de alguns combates decisivos para o PS, nomeadamente a disputa na Capital do País. Mas não só. Permitam-me que, sendo militante e autarca em Sintra, destaque a importância que uma vitória neste Concelho deve merecer por parte dos dirigentes do PS, nomeadamente os dirigentes da FAUL.

O Município de Sintra tem praticamente meio milhão de habitantes, sendo o segundo maior do País, logo a seguir a Lisboa. Temos uma população jovem, com grande diversidade étnica, cultural e religiosa e enorme potencial por explorar. Mas temos também (sobretudo nos tempos de crise que vivemos) grandes problemas reais ou potenciais, dos quais destaco o flagelo do desemprego e que, em Sintra, já está a arrastar consigo milhares de famílias de classe média e a criar situações que poderão ser potencialmente explosivas, do ponto de vista social, no âmbito da área metropolitana de Lisboa.

Nos últimos 12 anos a gestão de Direita (PSD/PP) tem sido desastrosa para Sintra. Desqualificou um território imenso e de forte potencial. Não soube captar investimentos significativos, geradores de emprego. Deixou degradar as condições de vida de meio milhão de pessoas, com uma oferta deficiente de transportes, falta de espaços de lazer, ausência de valorização e requalificação das suas praias, ausência de participação em grandes eventos potenciadores de captação de recursos através do turismo, incapacidade para sequer concretizar a construção de um Hospital no Concelho (parece incrível mas MEIO MILHÃO DE PESSOAS não mereceram, ao longo de muitos anos a fio, do Poder Local ou até Central, de Governos do PSD mas também do PS, diga-se em abono da verdade, a construção de um Hospital em Sintra!)…

Fernando Seara ameaça agora candidatar-se à CM de Lisboa e o Ministro Relvas já lhe estendeu a passadeira laranja – deixem-me que vos diga mas depois do Terramoto de 1755 creio que não haveria maior flagelo para a população da capital, mas estou certo que, neste caso, será possível evitar o desastre!...

Camaradas:

Sem desprimor para nenhum Município integrante da FAUL mas está na hora de Sintra ser tratada com a atenção e preocupação que, até agora, nem sempre mereceu. O PS não pode “arriscar-se” a perder novamente, para a Direita, a Câmara Municipal de Sintra por outros 12 anos – seria trágico para os habitantes daquele Concelho e para o desenvolvimento daquele território. Temos que apresentar uma candidatura ganhadora, forte, mobilizadora e que represente, efetivamente, uma nova esperança para os nossos munícipes. Temos que apresentar uma equipa de novos protagonistas locais, que vivam e sinta os problemas do Concelho e tenham ideias e propostas para os resolver ou minorar. Temos que apostar em 3 aspectos mobilizadores – atrair empresas e gerar emprego; apoiar iniciativas dos jovens, no âmbito do Conhecimento, do desenvolvimento local e do empreendedorismo; requalificar o espaço urbano degradado ou desordenado ao longo das últimas duas décadas.

Os militantes de Sintra já demonstraram o seu empenho e combatividade na defesa dos princípios e valores do Partido Socialista. Travamos, neste momento, uma luta contra a fusão ou extinção de Freguesias no nosso Concelho, integrados na Plataforma MAISintra, tendo conseguido grande mobilização local e logrado entregar na Assembleia da República um abaixo-assinado com mais de 7000 assinaturas. Esta é também (estou certo) uma luta de muitos outros camaradas de outros Municípios e Freguesias aqui presentes, porque é uma luta contra a prepotência e contra a obsessão deste Governo em atacar os mais fracos e em querer impor uma Lei que é absurda, que é anti-democrática e que não trará poupança alguma. Não fomos eleitos autarcas para fazer fretes ao Ministro Miguel Relvas, à Troika, ou seja a quem for – fomos eleitos autarcas para SERVIR as populações que nos elegeram, que têm que ser ouvidas e que têm que estar acima de quaisquer outros interesses!

Camarada Marcos Perestrelo,

Contaremos, certamente, com o seu apoio e de toda a FAUL para prosseguirmos neste combate e para apresentarmos, em 2013, uma candidatura ganhadora à Câmara Municipal de Sintra, dada a importância e relevância deste Concelho na Área Metropolitana de Lisboa.

O sucesso deste seu segundo mandato, será, sem dúvida alguma, o sucesso de todos nós, o sucesso do Partido Socialista!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Com papas e bolos...

Pelo que li um dia destes num jornal local, parece que, finalmente, a Câmara Municipal de Sintra arrancou com as obras para construção do campo de jogos, com relvado sintético, do RRM, em Rio de Mouro.

Após anos a fio em que pouco ou nada avançou nem a obra se concretizou, quero crer que o facto de se realizarem eleições autárquicas no próximo ano se trata, apenas, de uma feliz coincidência...

domingo, 17 de junho de 2012

Português!

apesar da crise,
apesar da seca,
apesar daqueles que me querem
domar,
apesar de tudo,
apesar de nada,
apesar do vento, da chuva
ou do ar,
apesar do medo,
apesar do aperto,
apesar da pistola apontada
à cabeça,
apesar da miséria,
apesar da vergonha,
apesar da alma que vagueia
e tropeça,
apesar da tez,
apesar do feitio,
apesar da fome que se instala
na praça,
apesar dos erros,
apesar das glórias,
apesar da ânsia que se agarra e
não passa,
apesar do grito,
apesar da reza,
apesar da Grécia,
apesar do cerco,
apesar da raiva,
apesar do arnês,

nascia de novo
e era Português.

sábado, 16 de junho de 2012

Um fim de semana decisivo

Estamos perante um fim de semana decisivo para o futuro da Europa e (porque não dizê-lo?) para o Mundo. As eleições na Grécia e em França marcam a agenda política e, sobretudo no primeiro caso, os resultados das mesmas poderão ser determinantes para as "cenas dos próximos capítulos" numa Crise que tem alastrado como fogo em campo de ervas secas.

Revelador dos sinistros tempos que vivemos, a pressão inqualificável que a Alemanha (e não só) tem colocado sobre o eleitorado grego para que dê a vitória à Nova Democracia, partido de Direita que mais facilmente garantirá a implementação da "agenda de austeridade" reforçada que a Srª Merkel continua a ver como "solução única". O que não deixa de constituir uma triste ironia é que foi precisamente a Nova Democracia quem, quando ocupou o Poder, e em conjunto com grandes empresas internacionais de consultoria, "maquilhou" a situação financeira da Grécia para permitir a entrada do País no Euro, com os resultados a que agora assistimos...

Quero acreditar que ainda haverá tempo (e sobretudo lucidez!) para inverter esta escalada rumo ao abismo. A Alemanha só é "grande" no interior da Comunidade Europeia e terá tanto a perder (ou ainda mais...) caso o projecto do Euro fracasse. Neste momento é a Democracia que está colocada em causa e os "abutres" extremistas já rondam nos céus da Europa. Cabe-nos a todos nós, a quem coloca a Liberdade e a Paz acima de tudo, em nome daqueles que nos legaram valores fundamentais e por eles combateram com sacrifício da própria vida, tomar nas mãos agora esse combate decisivo - se não for já por nós, pelo menos pelos nossos filhos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Era uma vez a Casa das Selecções...


Nos últimos dias temos assistido, através de diversas reportagens televisivas, à excelente promoção de que a Vila de Óbidos tem beneficiado, fruto da presença da Selecção Nacional de Futebol naquele Concelho. Obviamente que Óbidos já é conhecida, nacional e internacionalmente, pela beleza natural da sua localização, pelo pitoresco das suas ruas, pelo património histórico, até pelo “licor de ginja” de superior qualidade. Mas um conjunto de eventos, bem selecionados e promovidos, como é o caso do Festival do Chocolate ou da Vila Natal, têm contribuído, decisivamente, para a promoção daquele Concelho, desenvolvimento do comércio e serviços locais e dinamização daquele território no competitivo mercado turístico. O facto da Selecção Nacional ter escolhido Óbidos para estagiar, nos últimos anos, na preparação para o Euro ou para o Mundial de futebol, insere-se, obviamente, nesse conjunto de acções no âmbito do “marketing territorial”, para além de contribuir (não tenhamos qualquer dúvida) para o aumento da auto-estima dos habitantes daquele Concelho, o que não deve ser de forma alguma menorizado, sobretudo nos tempos que correm.

Vem isto a propósito de, ao ver novamente estas imagens da Selecção Nacional de Futebol em Óbidos, me lembrar daquele já célebre projecto da Câmara Municipal de Sintra de construir a Casa das Selecções no nosso Concelho, mais especificamente em Almargem do Bispo. Em 2007, o vereador Luís Duque garantia, em declarações à Lusa, que as obras “nunca tinham parado” e que “a construção arrancava nos primeiros meses de 2008”. Mas tal não se concretizou e, já em 2011, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, acusava explicitamente a CMS pelo falhanço do projecto.

Estamos, assim, perante mais uma das promessas não cumpridas por parte daqueles que, desde 2001, dirigem os destinos deste município –  chegados a 2012, a Federação Portuguesa de Futebol e a Secretaria de Estado do Desporto optaram por contactar a Câmara Municipal de Oeiras e apontar o projecto para terrenos junto ao Estádio Nacional, naquilo que deve constituir o  toque de finados definitivo relativamente à  instalação da Casa das Selecções em Sintra.

Obviamente que agora existirão mil e uma desculpas para que a obra nunca tenha avançado, tal como já existiram para muitos outros projectos que ficaram pelo caminho nestes 3 mandatos, desde a rede de ciclovias até às piscinas em cada freguesia. Uma coisa é certa – há quem anuncie e quem faça; há quem prometa e quem cumpra; há quem faça estudos e quem faça obra. Neste âmbito, sabemos bem de que lado (infelizmente) se tem colocado a maioria de Direita que, há aproximadamente 12 anos, é responsável pela gestão do Município de Sintra. E é por isso que é urgente para Sintra inverter este rumo, transformar as políticas, renovar os protagonistas locais e, sobretudo, voltar a trabalhar COM  os Sintrenses e PARA os Sintrenses!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Obviamente...


Sinais dos tempos que correm. Tempos propícios à expansão do medo, da insegurança, do credo na boca. Um desejo cada vez mais assumido, por parte dos detentores de Poder, de regressarem, rapidamente e em força, à época em que os homens se encostavam à parede da Igreja e o capataz escolhia, a dedo, aqueles que, nesse dia, teriam direito a trabalhar arduamente para assegurar umas moedas.

Passos Coelho, Primeiro-Ministro, já anunciara a Boa Nova – o desemprego é uma “oportunidade” e o trabalho por conta de outrem é um “pecado” a que devemos renunciar. Os nossos jovens serão todos empresários, empreendedores, gurus, CEO´s – nada do revoltante trabalho honesto e esforçado em empresa alheia, na mira do salário seguro e da vidinha equilibrada, coisas a que teremos que renunciar em nome do Progresso e por imposição da troika. Nada de planear a vida – será o que Deus Nosso Senhor Quiser, após aprovação da Srª Merkel, obviamente. Hoje há conquilhas – amanhã não sabemos e entretanto alguns continuam a comer tudo e a não deixar mesmo nada, nem sequer o direito a andarmos de cabeça erguida.

Por estes dias colocou-se mais um tijolo neste novo muro que separará os “eleitos” (os que souberem viver com a indefinição como regra e o “ámen” como resposta à medida) e aqueles que ousarem continuar a acreditar que a Vida de quem trabalha tem que ser mais do que renúncia, sacrifício e austeridade para que a alta finança internacional saia, triunfante e impoluta, do “buraco” onde a sua ganância a enfiou. Por estes dias, um senhor que se chama Paulo Azevedo e é filho de um outro senhor que se chama Belmiro de Azevedo e que teve que fazer o imenso esforço de completar um curso superior e ter depois emprego garantido vitaliciamente no empório de seu poderoso progenitor, o que, como se sabe, é façanha digna de uma epopeia moderna sobre o empresário lusitano e lhe deve ter custado muito sangue, suor e lágrimas alheias – pois este senhor, o Excelentíssimo e Digníssimo CEO da Sonae, afirmou perante um grupo de jovens candidatos a um estágio no Paraíso terráqueo, segundo reportado na Comunicação Social, que “na empresa trabalha-se mais do que 8 horas por dia e não há lugar para mandriões”, sendo que tal só acontece “pela vontade de ir à frente” e porque, na SONAE, não “têm a ilusão de que o dinheiro é o mais importante”.

Responsabilidade social? Conciliação da vida familiar com o trabalho? Respeito pelos horários de trabalho? Qual quê, qual carapuça! Eis o empreendedor que o Dr. Passos Coelho tanto anseia ver em cada jovem português! Em vez de rostos angustiados com a falta de emprego e os projetos de vida adiados “ad eternum”, eis o rosto feliz e sorridente dos novos escravos, pedindo para levar mais pedras ao ombro, para que os chicoteiem mais, para que lhes neguem uma sede de água, tudo para que o Faraó lhes conceda o privilégio de um simples olhar, de um esboço de sorriso, de um aceno de aprovação, face ao inaudito (e gratuito) esforço! Depois da genial campanha de descontos do Pingo Doce, só nos faltava mesmo uma nova campanha “Vamos lá ver quem é que consegue trabalhar mais horas seguidas de borla e até cair” e teremos hordas de desempregados a correr desalmadamente, não o duvido, porque o Homem é aquilo que as circunstâncias definem e o Mundo está negro como carvão.

Não há lugar para madraços na Nova Ordem! E mesmo os velhos e doentes serão tolerados de acordo com limites máximos de encargos para o Estado a definir em cada ano civil – os que “sobrarem” que se conformem, é assim a Vida, ou pelo menos esta que temos, face àquela que nos foram roubando gradualmente.

Aposto que, feitas tão excelsas declarações, o CEO da SONAE, Sua Excelência Dr. Paulo Azevedo, certamente se encaminhou para a paragem de autocarro mais próxima para apanhar  transporte que o levasse para o resto dos seus afazeres diários e regressará, já noite dentro, ao seu modesto apartamento com 15 anos nos subúrbios de Lisboa, 12 horas depois de ter iniciado o seu trabalho, onde degustará uma simples sopa, enquanto pensa, preocupado, como irá pagar o IMI e as propinas do filho, agora que lhe cortaram o magro vencimento, assim como os subsídios de Natal e de Férias… Afinal, como ele próprio afirmou a jovens que anseiam por um simples estágio e que foram brindados com uma lição de Filosofia de Vida de alguém que, aparentemente, sempre comeu o pão que o Diabo amassou (e não me refiro a qualquer padeiro dos hipermercados Continente, que fique claro), já basta da ilusão de pensar que o dinheiro é o mais importante –  obviamente…


sexta-feira, 18 de maio de 2012

"É o consumo, estúpidos!..."


Nick Hanauer é um milionário norte-americano e vive em Seattle. Em Março p.p. foi convidado para dar uma Conferência para a TED, na qual teve oportunidade de dizer (entre outras coisas) o seguinte:

“Posso garantir que os ricos não criam empregos. O que produz mais emprego é o “feedback” entre consumidores e empresas. Só os consumidores podem dar vida a este círculo de procura e de oferta. Neste sentido, um consumidor de classe média pode criar muito mais emprego do que um capitalista como eu. (…) Toda a gente que tem uma empresa sabe que empregar mais gente é uma medida de último recurso, algo que se faz apenas quando o aumento da procura do consumidor o exige. Neste sentido, dizermos que somos criadores de empregos não só é incorreto, como falso. É por isso que as atuais políticas estão de pernas para o ar. Quando se tem um sistema de impostos que beneficia os mais ricos, tudo em nome da criação de empregos, o que acontece é que os ricos ficam mais ricos.”

Simples e revelador. Nick Hanauer coloca o dedo exatamente na ferida e confirma a razão de todos aqueles que consideram que a “austeridade” erigida como “regra” é mais do que um disparate – é criminosa. O círculo vicioso de somar austeridade à austeridade, de diminuir rendimentos indiscriminadamente, de apertar o consumo, apenas conduz à falência das empresas e ao desemprego em crescendo, gerando mais miséria, menos consumo e mais impactos negativos para todo o sistema económico. Não crescem plantas em terreno que não se rega – nem se geram recursos para uma Nação se a sua população vegeta na miséria.

Nick Hanauer sabe do que fala e tem plena consciência que, se continuarmos reféns da lógica predatória dos “mercados” e da insanidade reverente de Governos incapazes de reagir à situação, nada mais restará do que caos e destruição.

Resta acrescentar que a TED se recusou a divulgar o vídeo desta Conferência no seu site (tal como faz com todos os oradores convidados), achando-a demasiado “politizada”… Felizmente o poder das redes sociais evidenciou-se, uma vez mais, permitindo que chegasse ao nosso conhecimento aquilo que Nick Hanauer defendeu e destacando-se a imensa hipocrisia em que vivemos atualmente e que urge desmascarar e combater sem tréguas.

domingo, 13 de maio de 2012

Uma definição acertada

Uma senhora vereadora da Câmara Municipal de Sintra, em entrevista a jornal local, refere que a "obra" do Dr. Fernando Seara nestes dez anos de Presidência é, essencialmente, "imaterial". 

Consultando o dicionário de Língua Portuguesa pode ler-se que "imaterial" significa: 

1. que não é formado de matéria;

2. que não é concreto; incorpóreo; impalpável;

3. espiritual; sobrenatural. 

Olhando para o panorama de Sintra e para o "legado" que PSD e PP se preparam para deixar creio que (infelizmente para os Sintrenses) estamos perante uma definição bastante acertada.

sábado, 12 de maio de 2012

Acordai!

Acabam de ser aprovadas as (graves) alterações ao Código do Trabalho. Com o voto favorável de PSD e PP e a abstenção (desconheço se violenta ou contida) do PS. 


A maioria de Direita, na fase de discussão, não aceitou UMA única proposta de alteração da oposição. Por estes dias, até o assessor do Presidente da República para as questões do Trabalho surgiu a questionar-se sobre a legalidade de algumas propostas (pagamento pela metade de horas extraordinárias) e sobre a "violência" de impor bancos de horas aos trabalhadores, por exemplo. 


Some-se a tudo misto o embaratecimento dos despedimentos, o aumento do número de horas de trabalho sem compensação, a diminuição dos salários, etc, e temos todo um "caldo" favorável à arbitrariedade e à desprotecção da parte mais fraca - o trabalhador. 


Nove deputados do PS votaram contra, desobedecendo à disciplina de voto imposta. Para que conste (e porque o merecem) destaco aqui os seus nomes: Sérgio Sousa Pinto, Isabel Moreira, Pedro Alves, Isabel Santos, André Figueiredo, Paulo Campos, Renato Sampaio, Carlos Enes e Rui Duarte.


Há dirigentes no PS que ainda não entenderam os ventos de mudança e que a "resignação" em nome do acordo com a Troika (aliás, amplamente ultrapassado em muitas das medidas apresentadas) sairá cara a curto prazo, abrindo a porta a todos os extremismos e legitimando reacções que o desespero fomentará.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Com papas e bolos...

O que choca na campanha de "marketing de latrina" que o Pingo Doce ontem desenvolveu obviamente que é a escolha (propositada) da data. 

Se o dono do Pingo Doce queria "ajudar as famílias portuguesas num momento difícil", como foi propalado ( e faz parte da mesma campanha, obviamente), então bem podia ter escolhido o próximo Domingo, dia da Mãe. Ou o Dia de Natal. Ou qualquer outra data que, ainda que rebuscadamente, tivesse alguma coisa a ver com a Família. 

Ao escolher o Dia do Trabalhador obviamente que se acabou a "afrontar" os festejos da data, "manchar" o seu simbolismo, tratar os trabalhadores como uma "manada" esfomeada a quem se acena com um desconto e diz adeus a quaisquer valores simbólicos porque os tempos estão difíceis.

Espantosos (ou talvez não...) também os comentários de apoio à campanha emitidos por dois "sociólogos", o sr. Barreto e o sr. Vilaverde Cabral.  Já agora gostava de saber o que dirão ambos se um destes dias um destes donos de hipermercados resolver fazer uma campanha semelhante num Domingo de eleições...

Por mim, evitarei durante muitos meses (pelo menos enquanto me lembrar desta "campanha") comprar seja o que for no Pingo Doce - e vou riscar com tinta preta a designação "sociólogo" nos livros que tenho do sr. Barreto e do sr. Vilaverde Cabral, para não induzir em erro alguém que lhes pegue inadvertidamente cá por casa...

sábado, 28 de abril de 2012



Plataforma Freguesias SIMtra - presente no desfile do 25 de Abril deste ano, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Defender a coesão social

Em tempos escrevi por aqui (e não só) que era necessário que o PS se preocupasse em apresentar propostas concretas visando apoiar as famílias que, vendo os seus vencimentos cortados unilateralmente pelo Governo, tivessem dificuldades em cumprir com os seus compromissos financeiros.
Fico satisfeito por ver que o PS já apresentou algumas propostas na AR para que famílias com desempregados possam renegociar o pagamento das prestações de crédito à habitação.
Mas não chega - os funcionários públicos foram fortemente penalizados nos seus rendimentos (estando a pagar a factura de uma crise que outros, bem mais poderosos, provocaram) e também deveriam ter a possibilidade de renegociar (com carácter de obrigatoriedade para bancos e financeiras) períodos de carência de capital ou aumento de prazos e baixa nas prestações mensais, bastando apenas apresentar declaração da entidade patronal em como, no âmbito do Orçamento de Estado, lhes foram impostos cortes nos rendimentos mensais.
Evitar a insolvência de quem sempre cumpriu com as suas obrigações e só não o faz agora porque lhe impuseram uma diminuição de salário, não é apenas um dever de cidadania - é a garantia de um mínimo de coesão social e a distribuição justa dos "sacrifícios" por todos (famílias e empresas na área financeira), sem que uns percam a dignidade e outros o lucro perseguido.

sábado, 21 de abril de 2012

Uma simples Rosa

No dia 1º de dezembro de 1955, nos Estados Unidos, Rosa Parks recusou ceder a um branco o seu lugar sentado num autocarro. Rosa Parks foi presa - em Montgomery, capital do Alabama, as primeiras filas dos autocarros de transporte público eram, por lei, reservadas para passageiros brancos. Lá para trás ficavam os lugares nos quais os negros podiam sentar-se.

Naquele dia 1° de dezembro de 1955, Rosa Parks recusou a humilhação. Quando o motorista – branco – exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no autocarro, ela recusou-se a cumprir a ordem, continuando sentada. Com a sua prisão, Rosa abriu as portas do futuro e o seu exemplo levou a um protesto generalizado e à abolição da iníqua lei em Novembro de 1956.

Que nos sirva de lição nestes tempos em que nada parece valer a pena, em que tantos se resignam à inevitabilidade do "empobrecimento" e da exploração de quem trabalha - por vezes basta a coragem de um simples cidadão anónimo para deixar um raio de sol entrar na masmorra mais escura...