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domingo, 10 de março de 2013

Lutar!

Muita gente diz: "Lutar para quê? Já basta de luta, o que é preciso é trabalhar...". 

Ouvimos isso nas ruas, no café, no táxi, nas lojas. Muitos dos que o dizem são trabalhadores, muitos deles mal pagos, desesperados com o dia a dia mas completamente "alienados" por um discurso habilmente repetido através dos "media", de alguns agentes sociais e políticos, de "fazedores de opinião", que os manipulam sem que os próprios se apercebam de tal. 

Sem "luta" estaríamos na época da escravatura - e parece ser para aí que alguns nos pretendem conduzir...

Sem "luta" não existiriam coisas agora tão "banais" como ordenado no fim do mês, descontos para a reforma, férias pagas, assistência na Saúde. 

A Revolução absoluta e romântica só existe nos filmes - mas pequenas "revoluções" acontecem no dia a dia e muitas vezes nem nos apercebemos disso. Quando se luta e se evitam despedimentos. Quando se protesta e se evitam encerramentos de empresas. Quando se combate e se obtém o respeito por direitos básicos. 

Eu não quero a felicidade para quando já estiver morto - quero-a AGORA para mim, para os meus e também para todos quantos trabalham, vivem do seu trabalho e querem ter apenas uma vida digna. 

A Direita diz que "não há almoços grátis", colocando a tónica no valor do dinheiro - eu prefiro dizer que não há felicidade sem luta, ainda que o preço a pagar possa, por vezes, ser a própria vida, como a História nos demonstra.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Acerto de contas

Há uma determinada elite nacional que nunca se resignou às profundas mudanças que o 25 de Abril introduziu no nosso País. Calaram, camuflaram, disfarçaram - mas bem no seu íntimo jamais aceitaram.

Não aceitaram que as classes mais pobres se transformassem em classes médias. Não aceitaram que essas mesmas classes médias enviássem os seus filhos para as Universidades. Não aceitaram que gozassem férias, comprassem carros, viajassem para o exterior, adquirissem casa própria. Não aceitaram que aquilo que estava restrito a uma minoria se vulgarizasse.

Ao longo de anos assistiram a tudo isso com um esgar mal disfarçado de real incómodo - e já que a situação era inevitável, trataram de poder explorá-la na medida do possível. Abriram a torneira do crédito. Deixaram que aqueles que nunca tinha tido nada gozassem o prazer de se acharem donos de alguma coisa, quando realmente nem das suas vidas eram. Ganharam rios de dinheiro na construção civil, no turismo, no ensino privado. Transformaram salários fixos em remunerações variáveis, como promoção do "mérito" e do "esforço". Como o dinheiro não tem classe nem côr estenderam a mão para o receber, em juros e pagamentos, da mesma classe média a quem, lá no fundo, sempre desprezaram olimpicamente.

Até que o momento surgiu com o rebentar da "bolha especulativa". A "crise" (apesar de incómoda numa fase inicial) cedo se transformou na ocasião de ouro para apresentar a "factura" a quem julgava que a vida decorreria com normalidade. Em "crise" as regras caem, os acordos cessam, os contratos caducam - afinal...é a "crise". Banqueiros, grandes especuladores, grandes empresários, organizações mundiais como o FMI e quejandos, Governos de Direita, partidos de Direita ansiando ganhar eleições - de todos os lados se percebeu que a ocasião era "agora". Caído o Muro de Berlim o Mundo deixara de ter um real contraponto ao neo-liberalismo feroz. As ideologias foram sendo gradualmente vendidas como "ultrapassadas" e coisa de velhos ou de fanáticos. A maçã estava madura para reverter séculos de evolução nos direitos, nas regalias, nas regras relativas ao Trabalho e aos trabalhadores. Quem poderia agora opor-se se a "Crise" estava aí e o Medo era arma letal? Quem poderia impedir que se rasgassem acordos de trabalho? Quem se atreveria a reivindicar direitos num Mundo onde a fome e a miséria rondam?... Nivelar por baixo - palavra de ordem.

É neste "caldo" que boiam as declarações das Jonets e dos Ulrichs deste burgo. Não são meras declarações desenquadradas ou distraídas: são verdadeiros estados de alma de quem, no seu íntimo, sempre achou que se estava a "ir longe demais" num Mundo em que ricos e remediados se podiam cruzar nas mesmas lojas ou viver no mesmo bairro. A "ordem natural" das coisas estava, desde há muito, a ser colocada em causa. Em vez de trabalho bem pago - caridade bem gerida. Em vez de dignidade, direitos e respeito pelo desempenho - precariedade, fragilidade de laços, flexibilidade total. Em suma: dependência total do "Dono".

Há uma contra-revolução a vapor por toda a Europa, de uma dimensão inaudita. E, por cá, há quem ande a acertar contas com a descolonização, com a instauração da Democracia, com a livre expressão, com a contratação colectiva, com os direitos no Trabalho, etc. Não sei se tudo isto se resolve com cânticos ou com cravos - mas sei que, caso não se resolva, será o fim de uma era de paz, prosperidade e desenvolvimento em todo um Continente.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Troika tintas...

Reunião da Troika com Ministro das Finanças e Carlos Moedas. Excerto de (imaginária) conversa:

 

Troika - Boa tarde, ora cá estamos de novo para auditar as vossas continhas...

Ministro - Muito boa tarde, caros amigos. Sentem-se, fiquem à vontade, por favor... Querem comer alguma coisa?... Umas tostas mistas?... Uns pastéis de Belém? Umas perninhas de funcionário público panadas?...

T - Obrigado, já almoçámos com o Prof. Dr. Relvas...

Moedas - Prof. Dr?...

T - Sim, ele concluiu o Doutoramento hoje, após 7 reuniões e 3 almoços connosco, fomos uma mais-valia também para enriquecer o seu currículo. Bem, vamos ao que interessa: quanta massa mais conseguiram sacar dos vossos escravos para nos entregar e pagar as dívidas rapidamente?

Ministro - Temos muito boas notícias para vocês, a sério... Para além do brutal aumento do IRS e de todos os cortes que já conhecem, estive a ver aqui com o Moedas e encontrámos uma outra solução que julgamos ser de excelência.

T - Especifique, por favor...

Moedas - Se o sr. Ministro me permite, foi uma ideia que eu tive quando fui ao Alentejo no Natal e ía pela estrada fora a ouvir os Bee Gees e quando ouvi o Stayin Alive tive uma espécie de "iluminação" no meio da planície, quase que ouvi umas trombetas a soar por entre os chaparros, juro...

T - Senhor Coins, temos alguma pressa porque ainda hoje vamos para a Grécia...

Moedas - Então é assim: resolvemos propor-vos um novo imposto, que será o Imposto Por Estar Vivo, estão a ver?... Stayin Alive... Estar Vivo... respirar, coiso e tal?...

T - Interessante... Detalhe, por favor...

Ministro -Criámos umas tabelas e cada cidadão terá que liquidar um imposto, trimestralmente, em função de continuar vivo, número de anos de vida e perspectivas futuras, etc. Com efeito, só o facto de alguém estar vivo já representa um encargo brutal para o Estado, porque tudo está organizado em função de pessoas vivas - estradas, escolas, empregos, comida, etc. Nada disto seria necessário se todos estivessem mortos, pelo que temos que concluir que sustentar um povo vivo é uma despesa incomensurável...

T - Muito interessante, creio que nem o nosso amigo Pinochet (Deus lhe tenha a alma em descanso...) se lembrou de tal... Nem o Milton Friedman... Sr. Coins, você afinal sempre aprendeu alguma coisa no Goldman Sachs, parabéns!...

Moedas - Obrigado... Foi tudo aqui discutido com o sr. Ministro e ele é que concebeu as tabelas, dada a sua complexidade...

Ministro - Exacto. Aqui estão então as tabelas, têm em conta o peso, altura, sexo, anos de vida, clube desportivo e partido político de cada indivíduo. O contributo mínimo começa em 10% da remuneração anual do próprio ou, sendo menor, dos pais ou avós. Há isenção para indivíduos até aos 3 meses de idade...

T - Três meses? É um exagero... Cortem para 1,5 meses... Deve ser a média europeia de qualquer coisa, depois ajeita-se no relatório...

Moedas - Assim faremos, claro...

T - Têm mais medidas? Como é que está o dossier Função Pública?

Ministro - Já lhes dissemos que vão passar a ter subsídio de desemprego...

T - Ah, ah, ah!... By Jove!... You are hillarious, Mister Gaspar! Well done!...

Moedas - Estão a ver, não estão?... eh, eh... Se lhes damos subsídio (que nunca tiveram...) é porque também passam a ter o resto, eh, eh, eh... Olho da rua!...

T - Well done! Very well done! Congratulations!...

Ministro - Espero que tenham ficado satisfeitos, caros amigos... Demos o nosso melhor... Quando é que libertam a tranche para podermos depois pagar os juros do empréstimo que nos concederam?

T - Entre amanhã e depois, mais ou menos. Mas queremos ver mais medidas, estas são interessantes mas não chegam... No caminho do aeroporto para aqui contámos os pedintes na rua e estão muito abaixo da média, mas mesmo muito abaixo... E continuamos a ver algumas lojas abertas e pessoas lá dentro a comprar... Compreendam que não pode ser, não faz sentido...

Ministro -Vamos dar o nosso melhor, acreditem... Vou já mandar o Moedas até Beja para ver se tem outra ideia luminosa pelo caminho e hoje à noite vou a Massamá falar com o Pedro e ele também é muito bom nestas coisas, juntos havemos de pensar em mais alguma coisa...

T - OK, então goodbye e até breve. Portem-se bem, rapazes.

Ministro - Até breve, amigos...

Moedas - Já estou com saudades vossas, sniff... Voltem rapidamente, please...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O limite

Qual é o limite?... Qual é o ponto de ebulição da dignidade de um povo?...

Muitos dizem: "vivemos em Democracia, logo não se justificam os protestos em que a violência está latente". Concordo. Mas a contrapartida para que os cidadãos aceitem esse "contrato psicológico" em que o voto é a "arma", passa pela coerência das propostas apresentadas em campanha, pelo seu cumprimento e pela capacidade dos partidos que governam de estarem constantemente recetivos aos diversos sinais da sociedade.

Ora, o que se passa hoje em Portugal? Temos dois partidos no Governo que têm vindo a aplicar uma agenda que jamais foi apresentada durante a campanha eleitoral - antes pelo contrário, foi garantido (em vários aspetos) precisamente o contrário do que está a ser feito. Simultaneamente, percebe-se que essa "agenda" não tem fim, nem limites - é insaciável, é destruidora, é desenfreada na sua sanha de empobrecimento e ataque às bases de uma vida digna através do Trabalho. Num dia anuncia-se um Orçamento com impostos brutais e no outro, sem tempo sequer para respirarmos, já percebemos que vêm aí mais sacrifícios, cortes, despedimentos, miséria, tudo isto anunciado com a frieza absoluta dos bombardeamentos sistemáticos num estado de guerra.

Reagem os cidadãos, civicamente, protestando da única forma possível, nas ruas - e praticamente nada se altera. Pior - há até quem achincalhe tais protestos, os considere mero folclore, orquestrado pelas oposições, os diminua, os ignore olimpicamente.

E a questão surge de novo - qual é o limite?... Qual o ponto fulcral em que o desespero galga a racionalidade? Qual o momento exacto em que a revolta se transforma em revolução?

A Democracia não é uma rua de sentido único - para que os cidadãos respeitem as suas regras, é necessário que sintam que existem limites que também jamais serão ultrapassados pelo Poder. Ora esses limites foram ultrapassados há muito e há quem continue a pretender ultrapassá-los ainda mais. Se não há limite para os "sacrifícios" impostos - como poderão alguns querer que exista para a reacção das pessoas? Se aquilo que se promete não é cumprido - como podem os governantes apelar para a "responsabilidade" dos governados? Se ninguém escuta o uivo que ecoa no vento e que percorre todas as ruas e que desfaz todas as certezas - como podem alguns apelar ao "bom senso"?...

Digam-me, por favor - qual é o limite?...

Necessitaremos de ver as tropas de um país estrangeiro a cruzar as nossas fronteiras, agora que a força do dinheiro já nos mantém sob o jugo de outros, daqueles que nem elegemos mas que mandam nas marionetas que temos por cá? Necessitaremos de ser ainda mais humilhados, mais roubados, mais reduzidos ao papel de meros números num relatório e contas?...

Qual é o limite para nos sentirmos de novo levantados do chão?...

domingo, 9 de setembro de 2012

MANIFESTO - UM APELO À ESQUERDA, PELA DEMISSÃO DO GOVERNO!


O actual Governo, detentor de maioria na Assembleia da República, prepara-se para aprovar um novo Orçamento de Estado que será ainda mais penalizador para os Portugueses, em 2013. Obstinado em aproveitar a actual crise internacional para liquidar o Estado Social, este Governo prossegue uma política de privatizações a qualquer custo, de destruição da Escola Pública, de destruição da Saúde Pública, de desvalorização do Trabalho, de empobrecimento das famílias e até de ataque a acordos livremente negociados entre sindicatos e patronato, tornados letra morta e atacando a capacidade reivindicativa dos trabalhadores agora e no futuro.


Após um ano de Governo PSD/PP temos um País mais pobre, com uma economia cada vez mais frágil, com a classe média (motor de qualquer Economia!) de rastos, com um desemprego em níveis nunca atingidos e sem um projecto mobilizador e de esperança para toda uma Nação! Portugal não tem um Governo - tem uma Comissão Liquidatária que ainda se orgulha de ir "mais além" do que a Troika em matéria de austeridade e de sacrifícios para todo um Povo!


É hora de ser consequente e dizer BASTA!


As gerações futuras jamais nos perdoarão se nos resignarmos agora a esta "fatalidade" que esta Direita nos quer vender! A crise financeira a nível global NÃO FOI criada pelos salários de quem trabalha, nem pelo sindicalismo livre, nem pela Saúde para todos, nem pela Educação gratuita! A crise foi criada pela ESPECULAÇÃO SEM REGRAS e por uma alta finança que pretende recuperar aquilo que perdeu na "roleta especulativa" à custa de quem TRABALHA! Para que um banco PRIVADO como o BPN levasse sucessivas injecções de dinheiro PÚBLICO, num total que já foi dito aproximar-se dos 8,5 MIL MILHÕES DE EUROS, há trabalhadores a ficar sem casa, ou a passar fome, ou a deixar de poder colocar os filhos na Faculdade, porque o Governo decide unilateralmente ROUBAR-LHES o salário, mantendo-se os encargos e dívidas para pagar e que tiveram esse rendimento como forma de cálculo!


Não podemos assistir a tudo isto impávidos e serenos! Não podemos deixar que alguém DESTRUA aquilo que o 25 de Abril nos veio dar!


Por isso está na hora de nós, cidadãos deste País que não nos resignamos a ser os futuros escravos deste modelo neo-liberal, exigirmos aos dirigentes dos partidos de Esquerda que minimizem as naturais divergências entre si e que MAXIMIZEM, desde já, o combate a esta política e a este Governo, antes que seja tarde demais! 


PS, PCP e Bloco de Esquerda devem estabelecer pontes de entendimento entre si, de forma a organizarem o LEGÍTIMO protesto da população e o combate a esta política. Já não basta o "desabafo" colectivo nas redes sociais ou em artigos de jornal - é preciso dar-lhe expressão na RUA, civicamente e de forma determinada. E isso necessita da organização, dos recursos e da orientação que os partidos possuem e podem ajudar a consolidar.


Manifestação de 24 horas em frente das sedes nacionais do PSD e do PP; protesto organizado, todos os Sábados, até à votação do OE, junto à residência do Primeiro-Ministro; protesto bem expressivo em todas as deslocações de membros do Governo e do Presidente da República no País; acções de protesto em eventos nacionais e internacionais, nomeadamente os jogos de futebol da Selecção Nacional; apresentação de Moção de Censura ao Governo, etc - são exemplos de acções concretas que PRESSIONEM o Governo e que EXIJAM, sem hesitações, a sua DEMISSÃO!


Este Governo chegou ao Poder com base na MENTIRA! Tudo aquilo que rejeitava no anterior Governo do PS e que considerava "austeridade em excesso", foi agora triplicado, sem justificação e apenas em função de uma agenda ideológica que pretende anular todas as conquistas de bem-estar, Justiça e igualdade que o 25 de Abril permitiu! A EXIGÊNCIA DE DEMISSÃO é um imperativo! Nenhum Governo pode manter-se, em Democracia, governando CONTRA a população! Há um ano atrás a situação do País era dramática e nem por isso PSD e PP hesitaram um segundo sequer em rejeitar uma alternativa à entrada da Troika, forçando eleições antecipadas e fazendo uma campanha em que ESCONDERAM aquilo que efectivamente estão agora a aplicar como modelo de governação!


É hora dos DIRIGENTES dos partidos de Esquerda, do PS, PCP e Bloco de Esquerda OUVIREM ESTE POVO! Não apenas os militantes de cada um dos respectivos partidos - MAS TODO UM POVO, TRABALHADORES SEM PARTIDO QUE ESTÃO A SOFRER E VIVEM A ANGÚSTIA DO FUTURO PRÓXIMO, JOVENS SEM HORIZONTE E A QUEM SE DIZ PARA EMIGRAREM, IDOSOS A QUEM COMEÇA A FALTAR DINHEIRO PARA COMIDA E REMÉDIOS E QUE SE VÊEM TRATADOS COMO UM "PESO" APÓS TODA UMA VIDA DE TRABALHO! É hora dos partidos de Esquerda organizarem o protesto COLECTIVO - ajudando a dar EXPRESSÃO à dor e à revolta cívica dos Portugueses, perfeitamente legítima! Já não chegam os debates, as reuniões, as sessões disto e daquilo; já não chegam os "gritos de alma" nas redes sociais; já não chegam os apelos à "resignação", quando se sabe que existem OUTRAS alternativas!

ESTÁ NA HORA DE AGIRMOS COLECTIVAMENTE, COM O APOIO DOS PARTIDOS QUE ESTÃO CONTRA ESTA POLÍTICA E DE FORMA A NÃO DEIXARMOS QUE ESTE GOVERNO NOS TRANSFORME EM ESCRAVOS!

Este Governo só pode ter um destino - A DEMISSÃO! VAMOS EXIGI-LA DESDE JÁ - EM NOME DOS MAIS POBRES, EM NOME DOS TRABALHADORES, EM NOME DA NOSSA DIGNIDADE, EM NOME DE PORTUGAL!

domingo, 17 de junho de 2012

Português!

apesar da crise,
apesar da seca,
apesar daqueles que me querem
domar,
apesar de tudo,
apesar de nada,
apesar do vento, da chuva
ou do ar,
apesar do medo,
apesar do aperto,
apesar da pistola apontada
à cabeça,
apesar da miséria,
apesar da vergonha,
apesar da alma que vagueia
e tropeça,
apesar da tez,
apesar do feitio,
apesar da fome que se instala
na praça,
apesar dos erros,
apesar das glórias,
apesar da ânsia que se agarra e
não passa,
apesar do grito,
apesar da reza,
apesar da Grécia,
apesar do cerco,
apesar da raiva,
apesar do arnês,

nascia de novo
e era Português.

sábado, 16 de junho de 2012

Um fim de semana decisivo

Estamos perante um fim de semana decisivo para o futuro da Europa e (porque não dizê-lo?) para o Mundo. As eleições na Grécia e em França marcam a agenda política e, sobretudo no primeiro caso, os resultados das mesmas poderão ser determinantes para as "cenas dos próximos capítulos" numa Crise que tem alastrado como fogo em campo de ervas secas.

Revelador dos sinistros tempos que vivemos, a pressão inqualificável que a Alemanha (e não só) tem colocado sobre o eleitorado grego para que dê a vitória à Nova Democracia, partido de Direita que mais facilmente garantirá a implementação da "agenda de austeridade" reforçada que a Srª Merkel continua a ver como "solução única". O que não deixa de constituir uma triste ironia é que foi precisamente a Nova Democracia quem, quando ocupou o Poder, e em conjunto com grandes empresas internacionais de consultoria, "maquilhou" a situação financeira da Grécia para permitir a entrada do País no Euro, com os resultados a que agora assistimos...

Quero acreditar que ainda haverá tempo (e sobretudo lucidez!) para inverter esta escalada rumo ao abismo. A Alemanha só é "grande" no interior da Comunidade Europeia e terá tanto a perder (ou ainda mais...) caso o projecto do Euro fracasse. Neste momento é a Democracia que está colocada em causa e os "abutres" extremistas já rondam nos céus da Europa. Cabe-nos a todos nós, a quem coloca a Liberdade e a Paz acima de tudo, em nome daqueles que nos legaram valores fundamentais e por eles combateram com sacrifício da própria vida, tomar nas mãos agora esse combate decisivo - se não for já por nós, pelo menos pelos nossos filhos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Democracia suspensa

Quando em tempos a Drª Manuela Ferreira Leite afirmou que, eventualmente, seria melhor "suspender a democracia" para resolver a situação do País em determinadas questões, houve muita gente (onde me incluo) que se indignou. Aliás, o PS, no seu conjunto, protestou e demonstrou essa indignação - e muito bem.




Questiono-me, no entanto, sobre tudo aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos 9 meses de governação PSD/PP e se, efectivamente, não estamos perante uma real e bem concreta "suspensão" da Democracia, quando tudo é passível de alteração, modificação, suspensão ou eliminação, muitas vezes contra a Constituição do País, e sempre com o argumento "definitivo" da "crise" e da "emergência nacional".




Os cortes de salários e subsídios são ilegais? "Tem que ser, está no memorando da troika".




As leis do Trabalho são anti-constitucionais? "Tem que ser, é compromisso com a troika".




Etc, etc, etc...




De tal forma a Democracia se encontra "suspensa" que aquele que devia ser o principal partido da oposição e obrigatoriamente dar voz ao imenso desencanto e descontentamento com esta governação neo-liberal, o PS, acaba invariavelmente a abster-se nas questões mais "dolorosas" para os trabalhadores (quando não a subscrever até algumas), preso à camisa de forças de um memorando de entendimento que foi FORÇADO a assinar por esta mesma Direita que (sem hesitações nem concessões) tudo usou (até a situação débil das nossas finanças) para chegar ao Poder!...




Estranhos tempos e fracos actores políticos desta ópera bufa onde Frau Merkel faz de Castafiore prepotente, Passos Coelho e Paulo Portas encenam Tintin e Milou e os dois maiores partidos portugueses estão iguaizinhos ao Dupond e Dupond, deixando-nos cheios de saudades de um tempo em que os Soares eram Mários e os Álvaros eram Cunhais...

domingo, 25 de março de 2012

Dias de tempestade


É impressionante como o Portugal real, concreto, do nosso dia a dia, esteve afastado dos discursos que fui ouvindo no Congresso do PSD, incluindo de Passos Coelho. Desemprego, fome, emigração dos nossos melhores, cortes no rendimento, etc, foram temas que passaram ao "lado" do Congresso de um partido que está, actualmente, no Governo do País. Vi um partido a falar para dentro, enredado em "recados..." internos, em pormenores estatutários, um partido de "barões" a lutar para aparecer e a marcar posições para os próximos actos eleitorais (sobretudo autárquicas), um partido ancorado na desculpabilização com o "passado" (o contrário do que Passos sempre prometeu, mas também aqui, como noutras coisas, já se "esqueceu"...), um partido que tem como "ideologia" o "empobrecimento" do País, enfim, uma encenação pífia da discussão de ideias que (supostamente...) devia existir neste tipo de eventos.


Infelizmente não é exclusivo do PSD, reconheço... e se calhar é por isso que os partidos, que deviam ser "emanações" da vontade popular e representar a vontade dos seus eleitores, estão cada vez mais a transformar-se em "dissonâncias" relativamente a tudo isso, excepto no curto período de campanha em que tudo é possível, tudo é prometido, tudo parece exequível (lembram-se do Passos a garantir a uma criancinha que jamais cortaria os salários ou subsídios dos pais, que era tudo uma invenção esquerdista?...).


Aproxima-se igualmente a hora de votar, no Parlamento, todo um "pacote" de alterações à legislação laboral, no sentido da facilitação dos despedimentos, redução das indemnizações, fragilização dos vínculos de trabalho, etc. Parece que o "progresso" se faz com coisas destas, dizem, e que despedindo mais facilmente e mais barato se fará crescer o emprego... Copia-se o pior do capitalismo desregulado mas nunca o seu melhor - na Alemanha os sindicatos integram, por ex., as administrações das grandes empresas e nada se faz sem o seu aval. Há um mito posto a correr em como a facilitação dos despedimentos garantirá mais emprego para todos, porque haverá mais oferta - mas todos sabemos que, já nos dias de hoje e com toda a precariedade possível na contratação, ninguém emprega pessoas com mais de 35 / 40 anos, são "velhos"...


Uma vez mais o discurso e a realidade não se encontram - nem no Congresso do PSD nem noutras bandas onde a "abstenção" face à dura realidade parece ser a única "estratégia" para ir surfando os dias - que são de tempestade...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Regresso ao passado

Um destes dias, cerca das 21 horas, regressava a casa, a pé, depois de ter concluído sessão de formação que estive a conduzir em horário pós-laboral.


À minha frente caminhava um grupo de 5 pessoas - um casal na casa dos 30 e poucos anos e, pelo que pude aperceber-me, três filhos, de idades entre os 12 / 13 anos e uma pequenita com cerca de 4 ou 5. Pelo percurso que faziam concluí que vinham da igreja local, que àquela hora mantinha ainda aberta uma área de distribuição de alimentos e outros produtos para apoio a famílias necessitadas, creio que com apoio da Junta de Freguesia.


O homem e a mulher levavam grandes sacos onde era possível vislumbrar arroz, massas, batatas, enfim, os víveres necessários para a alimentação do mês. Todas as crianças ajudavam, transportando também sacos mais pequenos com alimentos, incluindo a pequenita, que saltitava e sorria, na inconsciência e pureza da sua tenra idade.


Fui vendo aquela família dirigir-se para casa, em silêncio, no início da noite, saberá Deus com que preocupações para o dia seguinte, talvez com o desemprego a roer a alma, talvez já com a ameça de perder a habitação, certamente um espaço para o medo e incerteza para criar e educar os três filhos... Serão milhares, infelizmente, as famílias portuguesas nesta situação... Mas aquela, sem o saber, acordou em mim a memória de um outro tempo distante em que também vi os meus pais fazerem mil e um malabarismos para viverem com dignidade, numa outra época difícil, sem que nada faltasse aos filhos, mas onde tantas vezes as dificuldades apertavam o coração na calada da noite. Regressou este meu País às trevas da fome, do desemprego, da miséria envergonhada, da incerteza no futuro...


Numa curva mais adiante, a família carregada de sacos com alimentos para o mês, desapareceu - antes de entrar em casa e regressar para junto da minha própria família tive que fazer um breve momento de espera, apenas o tempo do vermelho dos olhos e da pressão no peito já não serem visíveis para os meus.


Mas não consigo esquecer aquela menina que, de saquito com alguns alimentos na mão, inocente, livre, doce, saltitava no meio da família que, abrigada pelo anonimato da noite, carregava o parco sustento para escassas semanas...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um novo "mapa"

Temos que olhar para o território da Esquerda apagando fronteiras, fazendo um esforço para ver mais além. Não será fácil, obviamente. Décadas de confrontos, divisões, dogmas, até alguns "combates", no seio dos partidos de Esquerda, criaram "feridas", cicatrizes, divisões.




Talvez só haja uma forma de construir uma nova Esquerda - começando por colocar em cima da mesa aquilo que todos consideram "património comum" ou "valores comuns". Defender os mais fracos. Proteger os mais pobres. Colocar o bem-comum acima do egoísmo estéril. Considerar o Trabalho como valor central. Etc.




Este tempo exige que coloquemos o "mapa" em cima da mesa e não consideremos antigas fronteiras - mas que tracemos novas estradas e pontes a unir territórios.




De outra forma não estaremos a fazer o combate que se exige para defender quem sofre, quem é explorado, quem é humilhado, quem é "castigado" pela actual Crise - mas apenas a "rezar" ladaínhas sem sentido, que já ninguém escuta e que ignoram a urgência da Esperança.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Escolher sem excluir.


No final desta semana os militantes do PS serão chamados a eleger um novo Secretário Geral do partido.


António José Seguro e Francisco Assis protagonizam duas candidaturas e duas formas diferenciadas de perspectivar a organização e projecto do PS rumo à criação de uma alternativa ao projecto de Direita que, neste momento, controla os destinos do País. Sendo, igualmente, duas personalidades distintas, obviamente que imprimem também diferentes cunhos pessoais na sua actuação política.


O debate tem sido vivo, frontal e com ampla abertura à participação de todos os interessados, desde militantes a simpatizantes, quer nas sessões com a participação dos candidatos, quer nas redes sociais, blogues, etc.


A minha escolha está feita desde há muito e é pública - apoio e irei votar em António José Seguro, convicto de que será capaz de construir um projecto verdadeiramente de Esquerda e liderar o partido num momento decisivo do actual regime democrático e no qual, uma vez mais, o Partido Socialista terá certamente um papel fulcral. Com Seguro o PS reencontrar-se-á com a sua matriz de Esquerda democrática e estou certo que será capaz de abrir pontes para uma real alternativa de Governo, face a uma Direita neo-liberal que está a destruir a Europa enquanto espaço de paz, de progresso e de desenvolvimento.


Na construção desse projecto de futuro estaremos certamente TODOS, após as eleições internas - os que agora apoiam Francisco Assis ou António José Seguro, porque a Democracia é escolha e não exclusão.


Não se trata de repetir meras palavras de circunstância - acredito realmente que o mérito e o valor de cada militante devem estar acima de qualquer disputa interna e esse é também um desiderato do Novo Ciclo que está prestes a iniciar-se.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Acorda, Europa!...

É cada vez mais evidente que a solução para a crise que o nosso País atravessa nunca terá uma resolução fora de um quadro global, ao nível europeu. Primeiro "caíram" os países mais pequenos e com economias mais dependentes do exterior - mas a voracidade insaciável dos "mercados", como se previa, não ficou por aí e ameaça agora Itália, Espanha e o mais que se verá.


Espantosamente (ou talvez não...) numa Comunidade Europeia dominada por protagonistas e partidos de uma Direita claramente neo-liberal, tardam as soluções efectivas e vão-se ensaiando paliativos inúteis. Como é que países já claramente em dificuldades vão conseguir pagar empréstimos com as taxas de juro proibitivas que BCE, FMI e CE impõem nos chamados "resgates"? (palavra curiosa porque, efectivamente, existem Nações inteiras reféns desta teia de interesses...)


Estaremos a assistir à aplicação da "teoria do choque" tão do agrado de Milton Friedman (economista que o actual Ministro das Finanças diz apreciar especialmente...) a uma Europa que julgaria estar incólume de um pesadelo que, quer o Chile, quer a Argentina, em doses e circunstâncias diversas, já viveram? A "solução" para os excessos do grande capital financeiro (que estão na raíz desta Crise) será a miséria generalizada de Países inteiros, sacrificados no grande altar das agências de rating e dos vorazes "mercados"?...


Responda quem souber...


Uma coisa eu garanto: a História mostra-nos que a força, a determinação e o querer dos povos, em momentos determinantes e em função de causas justas, é capaz de impôr os caminhos do Futuro. Falta, ainda, a liderança firme que conduza o processo, factor decisivo e multiplicador. Mas que não se iludam aqueles que acham que este é o "fim da História" e que a resignação é inevitável - as Pessoas serão, SEMPRE, mais importantes que os défices, sejam eles de recursos financeiros ou de capacidade de entender os sinais dos Tempos.

sábado, 21 de maio de 2011

Duas questões para um voto consciente

O debate de ontem, entre Sócrates e Coelho, tem sido tratado por alguns órgãos de Comun. Social como se de um combate de boxe se tratasse. Ganhou um, ganhou outro, perdeu um mas por pouco, ganhou o outro mas não esmagou, enfim... fica-se com a sensação de que, no final, alguém deveria ter saído de maca a caminho do hospital mais próximo e só assim, efectivamente, se poderia erguer o braço do vencedor...



Não me importa quem "ganhou" ou "perdeu" este debate televisivo - constato que um 1º Ministro tão odiado e atacado ao longo de meses, consegue estar a bater-se pela vitória nestas eleições e que o candidato a derrotá-lo, que em função de todo o contexto já deveria estar a pelo menos 10 pontos de distância, já coloca a hipótese de poder fazer Governo com o 3º...mesmo sem ganhar as eleições!... Revelador... Aquilo que realmente é importante é o confronto de propostas de governação para o futuro, por mais que alguns pretendam fazer deste acto eleitoral exclusivamente uma espécie de "julgamento sumário" da governação PS nestes últimos 6 anos.

Porque não basta "mudar" por "mudar"!... Nem é sério pretender ignorar a crise financeira MUNDIAL, como se tal não tivesse claros reflexos em medidas que o Governo foi forçado a tomar, depois de ter conseguido (sim, é verdade!) baixar o défice de 6,83% que o PSD deixou, para menos de 3%!...

Até dia 5 de Junho há pelo menos duas perguntas que devem ser feitas (nem que seja interiormente) por quem não se guie pelo ódio irracional ou facciosimo ilimitado:

- o que ganhou o País com a convocação destas eleições?...

- por que razão quem rejeitou as medidas de recurso do PEC IV, veio aceitá-las praticamente todas (e mais algumas ainda piores...), por imposição externa?...

A resposta (sincera) a estas questões é a chave para votar por Portugal - e contra aqueles que definem o Poder como "pote" e o cargo de Primeiro-Ministro como "emprego".

quinta-feira, 10 de março de 2011

A luta rasca...


"De resto, esta histeria contra os “políticos” também não augura nada de bom. Esperemos que um dia a geração à rasca não descubra realmente o que é um “político” com mão dura que os ponha efectivamente à rasca. Depois é que seria interessante vê-los na rua a gritar que a “Luta é Alegria”.


Lauro António

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A "guerra" das nossas vidas


Não podemos desistir. Nunca.

Esta é a “guerra” das nossas vidas.

Os tanques e os canhões e os bombardeiros chamam-se agora “crise financeira” e “mercados”, derrubam-nos as casas, o orgulho, a vontade de acordar de manhã e de repente até parece que caminhamos pelas ruas do nosso País como párias. Mas não podemos desistir. Porque outros antes de nós caíram e do pó se levantaram, os nossos avós sofreram a fome, a miséria, a perseguição e não deixaram de sonhar com um futuro melhor, morderam os lábios até fazer sangue e esconderam as lágrimas dos filhos, no escuro da noite.

A quem nos repete em cada dia que não podemos sonhar é preciso dizer – NÃO!

Foi com o sonho de alguém que um dia se decidiu acabar com a escravatura. Foi com o sonho de alguém que um dia as mulheres passaram a ser iguais, em direitos e deveres, aos homens. Foi com o sonho de alguém que um dia se construiu um foguetão e alcançou o espaço. Se Mandela não sonhasse, sobreviveria décadas preso? Se Xanana não sonhasse, Timor seria hoje em dia livre? Nascem sempre dos sonhos as mais belas realizações do Homem. Ouvi um destes dias o actual Presidente da República, Cavaco Silva, dizer que a hora não era de “sonhos” mas de aceitação da realidade. Alguns dias depois acrescentou que de nada valia “reclamar” contra os “mercados”, como se fossemos meras marionetas, sem carne, sem nervos, sem ossos, sem coração, disponíveis para que nos esventrem sem um esgar de desagrado! Que liderança é esta que nos amarra ao presente e é incapaz de mostrar a rota do futuro? Negar o direito (até a obrigação!) a sonhar é típico de um pensamento medieval, ensimesmado, até fascista!

Vamos vencer esta guerra. Temos que a vencer. Não nos perdoariam os nossos antepassados que tudo deram para construir esta Nação. Não nos perdoariam os nossos filhos e netos, pela ausência de um futuro melhor. Sabemos que alguém nos quer fazer “culpados” de algo que sempre nos ultrapassou, também sobre isso é preciso berrar bem alto que – SIM, somos culpados de trabalhar dias a fio, de procurar ter uma casa para viver, uma mesa com comida, escolas para os nossos filhos, uma vida digna para nós e para os nossos, de ter direito a descansar alguns dias nas férias e até de comprar um pequeno carro para nos deslocarmos. Somos culpados de acreditar que os nossos governantes querem sempre o melhor para nós e que os especialistas em economia e finanças sabem sempre o que fazem e não erram de forma tão colossal que coloquem o Mundo à beira de um abismo. De tudo isso somos culpados.

Mas não somos culpados do enorme “buraco” na alma do Mundo que os grandes banqueiros, os grandes especuladores, os inventores de produtos financeiros sem sentido nem forma, a corja que despede trabalhadores por e-mail e depois de falências sucessivas sempre arranja um novo e bem pago lugar num qualquer Conselho de Administração, criaram para os nossos dias. Não somos culpados da ganância alheia! Não somos culpados dos roubos cometidos por outros! Não somos culpados da desonestidade dessa canalha! E temos que gritar também isso bem alto – NÃO, NÃO SOMOS CULPADOS! SOMOS VÍTIMAS!

Não nos neguem, assim, nem o direito de sonhar, nem a obrigação de protestar. Não venham agora os ladrões dar-nos conselhos sobre sacrifícios e poupanças. Basta! Sabemos que, uma vez mais, será à nossa custa que tudo se reconstruirá. Deixem, então, que o possamos fazer com um mínimo de dignidade, essa palavra tão esquecida e arrastada pelo chão pelos poderosos deste Mundo. Olhem bem fundo nos nossos olhos e aprendam o que é saber estar à altura das circunstâncias. Não nos tapem a boca para que o coração não expluda de vez. Serão os mesmos de sempre, os que trabalham e vivem desse trabalho apenas, os que vão comer o pão que o Diabo amassou uma vez mais, serão esses a abrir as estradas do novo futuro. Serão esses a vencer esta “guerra”.

Depois poderão dizer - tentando manter os olhos secos porque a corja não merece sequer uma única das suas lágrimas – que estiveram à altura dos seus antepassados e que morrerão felizes por terem deixado um Mundo mais limpo para as gerações vindouras. Um Mundo onde um bandalho será novamente um bandalho e nunca um banqueiro. Um Mundo onde um ladrão será novamente um ladrão e nunca um governante. Um Mundo onde o sonho permitirá continuar a procurar sempre mais e melhor para todos, porque já dizia uma canção antiga que “o sonho comanda a Vida” e só os néscios ou os canalhas se permitirão negá-lo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um "mito" chamado Cavaco Silva


Com a devida vénia transcrevo um fabuloso ensaio de Alfredo Barroso, publicado no jornal Publico no passado dia 1 de Novembro:


Cavaco Silva, a realidade e o mito


"Devo esclarecer, antes de mais, que nunca subestimei Cavaco Silva, cujo pendor autoritário, mesclado de demagogia e populismo, e alicerçado num apurado sentido da oportunidade, fizeram dele, não só um adversário temível, mas também um dos políticos mais previsíveis que conheci em toda a minha vida activa, que já vai em quase meio século. Há, aliás, duas frases que retive na memória, da autoria de Cavaco Silva, que caracterizam bastante bem o político completamente previsível que ele é.
Uma delas foi proferida em 2005, tornou-se famosa e diz o seguinte: "Pessoas inteligentes, com a mesma informação, chegam às mesmas conclusões."
Quem tenha alguns conhecimentos de história, seja do país ou do mundo, seja das ideias ou dos factos políticos, sabe perfeitamente que tal afirmação não é verdadeira. Porque, regra geral, pessoas inteligentes, com princípios, ideias e opções políticas distintas, chegam a conclusões diferentes, mesmo quando possuem a mesma informação. É isso, aliás, que está na base dos sistemas democráticos, pluralistas e pluripartidários.Mas a frase proferida por Cavaco Silva há cinco anos é característica do discurso político dominante nos diversos partidos que alternam no poder em quase todas as democracias ocidentais. É uma frase que traduz aquilo que alguns já designam como "o fim da política".
Para políticos que dizem situar-se rigorosamente ao centro, como é o caso de Cavaco Silva, a política na sua dimensão conflitual é considerada como algo pertencente ao passado. O tipo de democracia que recomendam é uma democracia consensual, totalmente despolitizada, não partidarizada, sem confronto entre adversários, submetida aos princípios tecnocráticos e burocráticos implícitos naquilo que os banqueiros, gestores e empresários "modernos" designam por "boa governança", seja lá isso o que for.
Esta concepção aparentemente moderna teve a sua tradução histórica em Portugal com a instauração de uma "democracia orgânica" por Salazar, em 1933. Uma "democracia" em que só era consentido o partido único - a União Nacional - e em que os adversários políticos eram colocados fora da lei, considerados subversivos, perseguidos pela polícia política e forçados, muitas vezes, a passar à clandestinidade, para fugir à prisão. Claro que Cavaco Silva não quer instituir uma democracia orgânica e tem respeitado sempre as regras da democracia pluralista, ascendendo aos mais altos cargos políticos através de eleições. Mas o seu desejo ardente de uma democracia consensual, sem conflitos entre adversários, sem "ilusões" e "utopias", virada para o "futuro" e cheia de "esperança", dominada pelo discurso politicamente correcto e esvaziada do confronto de ideias - que só pode subverter o consenso -, é qualquer coisa de genético e intrínseco, que está sempre implícito (e explícito) no discurso de Cavaco Silva.
A outra frase de Cavaco Silva que retive na memória, já esquecida mas também famosa, foi proferida por ele há oito anos, em 2 de Março de 2002, durante uma conferência na Faculdade de Economia do Porto.A propósito da sustentabilidade da Segurança Social e referindo-se à quantidade de funcionários públicos em Portugal (cujo numero, diga-se de passagem, aumentou significativamente durante os dez anos em que ele foi primeiro-ministro), Cavaco Silva disse, às tantas: "Como é que nos vemos livres deles? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer."
Esta extraordinária declaração proferida por Cavaco Silva, que revela uma total insensibilidade humana, não lhe deve ser levada a mal, porque é característica dos tecnocratas da política, sempre mais preocupados com os números do que com as pessoas. Cavaco Silva é isso mesmo, um tecnocrata da política. Considera-se, acima de tudo, um economista, e foi assim, como economista, que quis ser eleito Presidente da República há cinco anos.Em reforço desta tese, não resisto à tentação de citar uma passagem da entrevista que Cavaco Silva concedeu ao "Expresso", publicada em 23 de Outubro, que ilustra bastante bem o lado acentuadamente tecnocrático, mas também burocrático, da personalidade política de Cavaco Silva.Quando diz que chamou os partidos, "na sequência da afirmação de que o Governo não teria condições para governar sem a aprovação do Orçamento do Estado", Cavaco Silva salienta: "Forneci às forças políticas toda a informação relativa às consequências de uma crise, no caso da não aprovação do Orçamento. E forneci informação bastante detalhada relativamente à dependência da economia portuguesa dos mercados financeiros internacionais." Tanta minúcia comove. Dá vontade de perguntar como é que Cavaco Silva terá fornecido aos partidos toda aquela informação. Terá sido em dossiers repletos de relatórios escritos em folhas A4? Ou ter--se-á limitado a proferir uma lição, do tipo magister dixit, aos pobres ignorantes que foram a Belém em representação dos partidos?
A minha curiosidade é grande. Mas a declaração citada revela bem que Cavaco Silva não é apenas um tecnocrata. É também um verdadeiro burocrata da política que dedica muito do seu tempo em Belém a coligir informação (em jornais, estudos, pareceres, relatórios oficiais), a qual, uma vez fornecida a políticos inteligentes, só pode, em sua opinião, obrigá--los a chegar às mesmas conclusões. É a escola do pensamento único em todo o seu esplendor. É a democracia consensual, sem conflitos e sem alternativas, elevada por Cavaco Silva a um patamar nunca antes alcançado.
2. Ao longo dos anos, tem sido construído um mito à volta de Cavaco Silva, que o próprio vem alimentando desde que exerceu as funções de primeiro-ministro, entre 1985 e 1995. Aliás, na já citada entrevista ao "Expresso", ele não perde a oportunidade de declarar, às tantas: "Eu sei bem a situação em que deixei Portugal em 1995 e tenho muito orgulho." Sem questionar o "muito orgulho" a que Cavaco Silva tem direito, é bom salientar que o balanço de dez anos de "cavaquismo" está longe de ser brilhante, tal como convém lembrar as circunstâncias excepcionais em que Cavaco Silva acedeu ao poder, dando provas do seu proverbial sentido da oportunidade, que alguns qualificam como puro oportunismo político. Refira-se, para começar, que Cavaco Silva se afastou sempre da vida política e do poder quando previa momentos difíceis (recusou-se, em 1980, a fazer parte dos governos da AD chefiados por Francisco Balsemão) e regressou à política para reconquistar o poder quando outros já tinham feito o trabalho mais difícil (Mário Soares e o Governo do "bloco central", em 1985) ou estavam a fazê-lo (primeiro governo de Sócrates, em 2005).Depois de ter sido o ministro das Finanças do primeiro governo da AD, chefiado por Sá Carneiro (VI Governo constitucional), Cavaco Silva não aceitou continuar como ministro das Finanças dos governos chefiados por Francisco Balsemão, porventura por conhecer bem, como certamente conhecia, as consequências da política económica e financeira que ele próprio tinha adoptado em 1979-1980 - a saber: perda de competitividade da economia; agravamento brutal do défice externo; enorme endividamento em dólares das empresas públicas; recusa de financiamento por parte do sistema financeiro internacional, face um défice externo recorde.
Quando estes gravíssimos problemas foram resolvidos pelo Governo do "bloco central", chefiado por Mário Soares, entre 13 Junho de 1983 e 6 Novembro de 1985 (a saber: recuperação da competitividade da economia; controlo das contas públicas; eliminação do défice externo; restauração da credibilidade do país face às instituições internacionais; abertura do processo de reprivatização da economia; assinatura do Tratado de Adesão à CEE), Cavaco Silva decidiu regressar à vida política activa, conquistando a liderança do PSD, no congresso da Figueira da Foz, derrubando o governo do "bloco central", com a conivência do Presidente da República, Ramalho Eanes, e provocando, assim, eleições legislativas antecipadas.Como primeiro-ministro, Cavaco Silva beneficiou dos excelentes resultados das políticas levadas a cabo pelo Governo do "bloco central" - designadamente, do excedente da balança de transacções correntes, da abertura do mercado espanhol propiciada pela integração na CEE e das abundantes transferências de fundos estruturais provenientes de Bruxelas - o que, naturalmente, favoreceu um crescimento rápido da economia, a descida da inflação e dos défices, e o aumento do emprego.
No entanto, conforme salienta a economista Teodora Cardoso, numa pormenorizada "análise crítica" publicada em 2005 (sob o título "Cavaco Silva, a ciência económica e a política"), o que "começou por faltar" a Cavaco Silva foi "uma orientação inequívoca, no sentido de aproveitar esta fase ímpar, mas passageira, para preparar a economia para um tipo de competição completamente diferente daquela que enfrentara no passado. (...) O caminho para Portugal não podia continuar a ser o da falta de qualificação e dos baixos salários".Teodora Cardoso esclarece o seu ponto de vista: "Ao contrário da moda recente de criticar a opção pelas infra-estruturas, não me parece que esta tenha sido um erro. Erros sim - e graves - foram a incapacidade de usar eficazmente os fundos de formação profissional; de levar a cabo uma reforma do sistema de ensino que privilegiasse as necessidades da sociedade e da economia; de proceder a um correcto reordenamento do território e a uma reforma do processo orçamental que permitisse a descentralização racional da gestão pública; ou (a incapacidade) de criar uma administração pública e parceiros sociais preparados para encaminhar o país no sentido que a integração europeia e mundial lhe impunham. Ao contrário do que às vezes se deixa entender, o facto de se construírem estradas não impedia que se melhorasse a qualificação dos portugueses. Pelo contrário, face à abundância dos fundos estruturais e ao crescimento rápido da economia e da sua capacidade de financiamento, ambas as opções eram não só possíveis como indispensáveis.
"Aproveitando "uma folga financeira irrepetível", Cavaco Silva criou um novo sistema retributivo (NSR) da administração pública, que podia ter sido a contrapartida ideal para levar por diante as reformas indispensáveis, mesmo que impopulares. Mas não foi. Cavaco Silva não quis correr riscos, e nem sequer mexeu nos múltiplos esquemas "especiais" que continuaram a proliferar durante os seus governos. Por isso mesmo, conforme conclui a professora Teodora Cardoso: "O que Cavaco Silva nos legou reduziu-se à expansão dos regimes especiais, ao reforço da rigidez e da incapacidade de gestão e inovação, e, sobretudo, a um aumento dos encargos com a função pública que correspondeu, em termos reais, à mais que duplicação da massa salarial das administrações públicas entre 1985 e 1995."
Mas os graves erros cometidos por Cavaco Silva não se ficaram por aqui. Como recordou António Perez Metelo, num artigo publicado no "DN Economia", em 12 de Julho de 2006: "Em termos de Segurança Social é bem sabido que, entre 1985 e 1995, o Estado não pagou integralmente as verbas devidas ao correcto financiamento dos sistemas não. Criou-se, aí, um défice, que acelerou as tensões à volta do financiamento sustentado de toda a Segurança Social pública." E essas verbas, esclarecia Perez Metelo, situaram-se "na casa dos milhares de milhões de euros". Antecipando as consequências dos seus erros - défices excessivos do sector público administrativo; aumento da despesa pública superior a 12%, entre 1990 e 1995; taxa de crescimento muito baixa (0,8 %, em vez dos 2,8 % que tinha prometido, entre 1991 e 1994); taxa de desemprego a crescer (superior a 7% em 1994) - Cavaco Silva, depois de alimentar o famoso "tabu", decidiu mais uma vez afastar-se, quer da chefia do governo quer da chefia do PSD, deixando a "batata quente" nas mãos de Fernando Nogueira, que lhe sucedeu como presidente do partido e acabou por ser derrotado por António Guterres nas eleições legislativas de 1995.
3. Cavaco Silva ainda disputou a eleição presidencial de 1996 - mais para tentar provar que não "fugia" do que convencido de que a ganharia - mas, uma vez derrotado, afastou-se da vida política activa e remeteu-se a um silêncio algo ruidoso. Prevendo a crise que se agravou a partir de 2001, Cavaco Silva ajudou a derrubar o governo de coligação entre o seu próprio partido e o CDS-PP (o governo de Santana Lopes), e continuou a preparar discretamente a sua nova candidatura a Belém, alimentando mais um "tabu". E quando o governo do PS (saído das eleições de Fevereiro de 2005 e chefiado por José Sócrates) tomou as medidas duríssimas e impôs as políticas de austeridade que são conhecidas, Cavaco Silva não hesitou em considerar que era chegado o momento de regressar à política activa. E a verdade é que, como diria Júlio César, regressou, viu e venceu.
Cavaco não é, de facto, um político para os momentos difíceis. Mas é um político que sabe tirar partido deles. Em relação à gravíssima crise que o país actualmente atravessa, já sacudiu a água do capote. Na declaração de recandidatura a Belém, já teve o cuidado - e a falta de pudor - de afirmar, sem se rir, que o país ainda estaria pior se não fossem os avisos e os alertas que ele dispensou com tanta generosidade, durante cinco anos. É assim que o Presidente economista pretende ultrapassar a frustração de não ter sido capaz de cumprir o que prometeu na eleição de 2005. Ou seja: com ele em Belém, o país nunca poderia chegar ao ponto a que agora chegou. Que pena não terem lido, tanto em Portugal como lá fora, todas as informações coligidas e fornecidas urbi et orbi por Cavaco Silva. Porque, se as tivessem lido, todos teriam chegado às mesmas conclusões e o mundo estaria bem melhor, porventura a caminho de amanhãs que cantam!
Os mitos são sempre muito duros e resistem bastante à realidade, por mais evidente que ela seja. Cavaco Silva sabe disso - e a direita que o quer transportar num andor, também. Esta crise brutal - somada ao inevitável parecer positivo da sua augusta família - veio de novo favorecer os desígnios de Cavaco Silva e tornar mais difícil a tarefa daqueles que o vão enfrentar. Porque agora ele já não se candidata apenas como o economista capaz de resolver as crises. Candidata-se em nome de Portugal, como ele próprio disse, sugerindo a imagem quase subliminar de partido único, numa democracia consensual totalmente despolitizada e despartidarizada. Cavaco Silva advoga "o fim da política". E isso é um perigo para a democracia."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mudar de vida


No momento em que escrevo este "post" ainda não existe qualquer definição ou certeza sobre a aprovação do Orçamento de Estado para 2011. Depois de alguns dias de negociação, PS e PSD nada concluíram e a incerteza mantém-se. O País angustia-se e não entende que qualquer estratégia ou ambição partidária possa sobrepor-se a uma definição imperativa num momento de crise financeira.

Não existem "inocentes" neste "filme". PS, PSD e também o CDS-PP têm sido os partidos responsáveis pela governação deste País, desde o 25 de Abril. O que de bom ou de mau foi feito (ou ninguém soube ou quis fazer) na governação deste País, é sobretudo da responsabilidade destes três partidos. Essa é a realidade, doa a quem doer. Dos outros grandes partidos nacionais, destaco o PCP e, mais recentemente, o Bloco de Esquerda. Optando pelo protesto como forma de se afirmarem junto do eleitorado, em nada têm contribuído para a criação de uma alternativa de Esquerda e, por vezes, parecem até erigir como seu "inimigo" principal o Partido Socialista, mais até do que os partidos de Direita.

A actual situação do País (embora, obviamente, com diferentes graus de responsabilidade) é, assim, fruto das acções ou omissões de todos, sem excepção. Até de um Cavaco Silva que, apesar da actual pose de Presidente da República, não faz esquecer uma década de "política do betão", de milhões a jorrar da CEE sem que nenhuma reforma de fundo tenha sido feita e da "paternidade" de um "monstro" chamado défice, na acusação bem explícita do seu próprio ministro das Finanças, Miguel Cadilhe. Mas é também de quem sempre exigiu tudo e mais alguma coisa, de quem pressionou nas ruas e nas empresas, de quem ao longo de décadas só viu direitos e pretendeu escamotear obrigações, sem se preocupar com os recursos disponíveis ou com a necessidade de gerar consensos para determinadas reformas.

Resta agora, a quem tem essa obrigação, minorar os sacrifícios que se anunciam (uma vez mais) para este povo. Acabar de vez com "telenovelas" ou falsos "suspenses". Colocar um ponto final nesta angústia sobre a aprovação ou não do Orçamento. Procurar cortar naquilo que é realmente supérfluo no Estado e não no sustento de milhares de famílias. Apontar um horizonte que justifique estes sacrifícios.

Há que mudar de vida, é certo. Mas há, também, que repensar as lógicas partidárias e "refundar" princípios e valores. Quem errou tem que ser penalizado. Quem se serviu do Estado em vez de o servir tem que ser punido. Quem confundiu um partido político com uma qualquer agência de empregos fáceis tem que ser "despedido". Não há volta a dar - ou tudo muda ou daqui por pouco tempo estaremos na mesma ou pior ainda, com os mesmos de sempre a fazerem os discursos compungidos do costume! Basta!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Democracia "controlada"?...

Os ministros de Finanças da União Europeia concordaram hoje em submeter os planos futuros de Orçamento de Estado dos países membros, para revisão pela Comissão Europeia, no âmbito de um conjunto de medidas para reforçar as regras orçamentais da UE.

Esta medida que, aparentemente, visa dar alguma "coerência" aos esforços de consolidação financeira exigidos aos diversos países membros, ganha alguma perversidade quando, segundo as notícias, tal "obrigação" deve ser prévia à apresentação e votação do mesmo Orçamento de Estado nos parlamentos nacionais.

Seja qual for o ângulo pelo qual se aborde esta "novidade" não resta a menor dúvida que se trata de uma clara perda de soberania e, de alguma forma, limita-se claramente a aplicação de programas políticos apresentados ao eleitorado, assim como das intervenções dos partidos na oposição aos Governos eleitos. O que acontecerá, por exemplo, a um Orçamento de Estado "aprovado previamente" pela União Europeia mas rejeitado maioritariamente em determinado Parlamento?... Quem se responsabiliza, perante o eleitorado, pelas orientações estratégicas de um Orçamento que seja "imposto" pela UE?...

Estejamos atentos ao que por aí vem...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma aposta ganha


A aposta do Governo português nas energias renováveis foi objecto de um artigo publicado, hoje, no jornal norte-americano “The New York Times” – com claros elogios, sublinhe-se.

Portugal é, assim, apontado como um exemplo a seguir nesta matéria, inclusive pelos próprios Estados Unidos da América que, apesar de manterem, de momento, custos energéticos mais baixos, irão pagar essa “factura” num futuro próximo, face ao progressivo esgotamento dos combustíveis fósseis.

O jornal refere que, já em 2010, cerca de 45% do nosso fornecimento de electricidade terá como origem as energias renováveis (hídrica e eólica), quando tal valor era apenas de 17% há cinco anos atrás. É, ainda, referido que a Agência Internacional de Energia considera o caso português um “notável sucesso”.

Nesta (como, infelizmente, em muitas outras matérias) parece haver mais espaço na Imprensa internacional para elogiar e divulgar acções positivas da governação do País, do que na nossa própria Comunicação Social (que, obviamente, não deixará, agora, pressurosa, de “citar” o NYT…).