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quinta-feira, 7 de março de 2013

Acerto de contas

Há uma determinada elite nacional que nunca se resignou às profundas mudanças que o 25 de Abril introduziu no nosso País. Calaram, camuflaram, disfarçaram - mas bem no seu íntimo jamais aceitaram.

Não aceitaram que as classes mais pobres se transformassem em classes médias. Não aceitaram que essas mesmas classes médias enviássem os seus filhos para as Universidades. Não aceitaram que gozassem férias, comprassem carros, viajassem para o exterior, adquirissem casa própria. Não aceitaram que aquilo que estava restrito a uma minoria se vulgarizasse.

Ao longo de anos assistiram a tudo isso com um esgar mal disfarçado de real incómodo - e já que a situação era inevitável, trataram de poder explorá-la na medida do possível. Abriram a torneira do crédito. Deixaram que aqueles que nunca tinha tido nada gozassem o prazer de se acharem donos de alguma coisa, quando realmente nem das suas vidas eram. Ganharam rios de dinheiro na construção civil, no turismo, no ensino privado. Transformaram salários fixos em remunerações variáveis, como promoção do "mérito" e do "esforço". Como o dinheiro não tem classe nem côr estenderam a mão para o receber, em juros e pagamentos, da mesma classe média a quem, lá no fundo, sempre desprezaram olimpicamente.

Até que o momento surgiu com o rebentar da "bolha especulativa". A "crise" (apesar de incómoda numa fase inicial) cedo se transformou na ocasião de ouro para apresentar a "factura" a quem julgava que a vida decorreria com normalidade. Em "crise" as regras caem, os acordos cessam, os contratos caducam - afinal...é a "crise". Banqueiros, grandes especuladores, grandes empresários, organizações mundiais como o FMI e quejandos, Governos de Direita, partidos de Direita ansiando ganhar eleições - de todos os lados se percebeu que a ocasião era "agora". Caído o Muro de Berlim o Mundo deixara de ter um real contraponto ao neo-liberalismo feroz. As ideologias foram sendo gradualmente vendidas como "ultrapassadas" e coisa de velhos ou de fanáticos. A maçã estava madura para reverter séculos de evolução nos direitos, nas regalias, nas regras relativas ao Trabalho e aos trabalhadores. Quem poderia agora opor-se se a "Crise" estava aí e o Medo era arma letal? Quem poderia impedir que se rasgassem acordos de trabalho? Quem se atreveria a reivindicar direitos num Mundo onde a fome e a miséria rondam?... Nivelar por baixo - palavra de ordem.

É neste "caldo" que boiam as declarações das Jonets e dos Ulrichs deste burgo. Não são meras declarações desenquadradas ou distraídas: são verdadeiros estados de alma de quem, no seu íntimo, sempre achou que se estava a "ir longe demais" num Mundo em que ricos e remediados se podiam cruzar nas mesmas lojas ou viver no mesmo bairro. A "ordem natural" das coisas estava, desde há muito, a ser colocada em causa. Em vez de trabalho bem pago - caridade bem gerida. Em vez de dignidade, direitos e respeito pelo desempenho - precariedade, fragilidade de laços, flexibilidade total. Em suma: dependência total do "Dono".

Há uma contra-revolução a vapor por toda a Europa, de uma dimensão inaudita. E, por cá, há quem ande a acertar contas com a descolonização, com a instauração da Democracia, com a livre expressão, com a contratação colectiva, com os direitos no Trabalho, etc. Não sei se tudo isto se resolve com cânticos ou com cravos - mas sei que, caso não se resolva, será o fim de uma era de paz, prosperidade e desenvolvimento em todo um Continente.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sintra, as empresas e o emprego

Uma das mais valias que têm sido associadas à candidatura de Basílio Horta à Câmara Municipal de Sintra prende-se com a actividade que desenvolveu enquanto Presidente da AICEP. Com efeito, num Concelho onde as questões do emprego e do desenvolvimento económico sustentado são cada vez mais prementes, ter um Presidente de Câmara com esta visão e capacidade de atrair para Sintra investimentos relevantes e geradores de emprego (a par da dinamização de um verdadeiro "Simplex" ao nível dos serviços camarários, colocando o munícipe no centro do trabalho desenvolvido e transformando processos administrativos em oportunidades de contacto e de interação próxima), é algo que deve ser destacado.

Enquanto Presidente da AICEP, Basílio Horta logrou atingir, no período de 2007-2009 uma relevante captação de investimento, tendo sido celebrados mais de 400 contratos, envolvendo um investimento total superior a 5,5 M€ e a criação de mais de 8.600 postos de trabalho. Este número assume maior significado se o situarmos num período de forte crise internacional que teve consequências nas decisões de investimento. São de salientar alguns grandes projectos de investimento que pela sua dimensão e relevância, tiveram fortes impactos a montante e a jusante da cadeia de valor, nomeadamente os projectos da Pescanova, Ikea, Embraer e Nissan, bem como a expansão das unidades da Portucel e da Galp.

Por outro lado a AICEP orientou a sua actividade numa lógica de criação da figura do "gestor de clientes", atingindo cerca de 7.500 empresas e possibilitando-lhes um diálogo e trabalho conjunto mais próximo e profícuo.

Em 2009, por exemplo, foram divulgadas em Portugal cerca de 5.300 oportunidades comerciais detectadas em mercados externos e fornecidas a empresas nacionais cerca de 1.900 listas de potenciais importadores estrangeiros.

Esta experiência e, sobretudo, esta vontade de estabelecer pontes com algumas áreas que funcionam como verdadeiros "motores" de desenvolvimento local, será certamente da máxima importância no desempenho de um futuro Presidente da CM Sintra - e estou certo que os habitantes do nosso Concelho, muitos deles (infelizmente) vítimas desse flagelo que é o desemprego ou, sendo pequenos e médios empresários, atingidos pelos efeitos desta política de austeridade cega, anseiam por quem passe das palavras aos actos.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Troika tintas...

Reunião da Troika com Ministro das Finanças e Carlos Moedas. Excerto de (imaginária) conversa:

 

Troika - Boa tarde, ora cá estamos de novo para auditar as vossas continhas...

Ministro - Muito boa tarde, caros amigos. Sentem-se, fiquem à vontade, por favor... Querem comer alguma coisa?... Umas tostas mistas?... Uns pastéis de Belém? Umas perninhas de funcionário público panadas?...

T - Obrigado, já almoçámos com o Prof. Dr. Relvas...

Moedas - Prof. Dr?...

T - Sim, ele concluiu o Doutoramento hoje, após 7 reuniões e 3 almoços connosco, fomos uma mais-valia também para enriquecer o seu currículo. Bem, vamos ao que interessa: quanta massa mais conseguiram sacar dos vossos escravos para nos entregar e pagar as dívidas rapidamente?

Ministro - Temos muito boas notícias para vocês, a sério... Para além do brutal aumento do IRS e de todos os cortes que já conhecem, estive a ver aqui com o Moedas e encontrámos uma outra solução que julgamos ser de excelência.

T - Especifique, por favor...

Moedas - Se o sr. Ministro me permite, foi uma ideia que eu tive quando fui ao Alentejo no Natal e ía pela estrada fora a ouvir os Bee Gees e quando ouvi o Stayin Alive tive uma espécie de "iluminação" no meio da planície, quase que ouvi umas trombetas a soar por entre os chaparros, juro...

T - Senhor Coins, temos alguma pressa porque ainda hoje vamos para a Grécia...

Moedas - Então é assim: resolvemos propor-vos um novo imposto, que será o Imposto Por Estar Vivo, estão a ver?... Stayin Alive... Estar Vivo... respirar, coiso e tal?...

T - Interessante... Detalhe, por favor...

Ministro -Criámos umas tabelas e cada cidadão terá que liquidar um imposto, trimestralmente, em função de continuar vivo, número de anos de vida e perspectivas futuras, etc. Com efeito, só o facto de alguém estar vivo já representa um encargo brutal para o Estado, porque tudo está organizado em função de pessoas vivas - estradas, escolas, empregos, comida, etc. Nada disto seria necessário se todos estivessem mortos, pelo que temos que concluir que sustentar um povo vivo é uma despesa incomensurável...

T - Muito interessante, creio que nem o nosso amigo Pinochet (Deus lhe tenha a alma em descanso...) se lembrou de tal... Nem o Milton Friedman... Sr. Coins, você afinal sempre aprendeu alguma coisa no Goldman Sachs, parabéns!...

Moedas - Obrigado... Foi tudo aqui discutido com o sr. Ministro e ele é que concebeu as tabelas, dada a sua complexidade...

Ministro - Exacto. Aqui estão então as tabelas, têm em conta o peso, altura, sexo, anos de vida, clube desportivo e partido político de cada indivíduo. O contributo mínimo começa em 10% da remuneração anual do próprio ou, sendo menor, dos pais ou avós. Há isenção para indivíduos até aos 3 meses de idade...

T - Três meses? É um exagero... Cortem para 1,5 meses... Deve ser a média europeia de qualquer coisa, depois ajeita-se no relatório...

Moedas - Assim faremos, claro...

T - Têm mais medidas? Como é que está o dossier Função Pública?

Ministro - Já lhes dissemos que vão passar a ter subsídio de desemprego...

T - Ah, ah, ah!... By Jove!... You are hillarious, Mister Gaspar! Well done!...

Moedas - Estão a ver, não estão?... eh, eh... Se lhes damos subsídio (que nunca tiveram...) é porque também passam a ter o resto, eh, eh, eh... Olho da rua!...

T - Well done! Very well done! Congratulations!...

Ministro - Espero que tenham ficado satisfeitos, caros amigos... Demos o nosso melhor... Quando é que libertam a tranche para podermos depois pagar os juros do empréstimo que nos concederam?

T - Entre amanhã e depois, mais ou menos. Mas queremos ver mais medidas, estas são interessantes mas não chegam... No caminho do aeroporto para aqui contámos os pedintes na rua e estão muito abaixo da média, mas mesmo muito abaixo... E continuamos a ver algumas lojas abertas e pessoas lá dentro a comprar... Compreendam que não pode ser, não faz sentido...

Ministro -Vamos dar o nosso melhor, acreditem... Vou já mandar o Moedas até Beja para ver se tem outra ideia luminosa pelo caminho e hoje à noite vou a Massamá falar com o Pedro e ele também é muito bom nestas coisas, juntos havemos de pensar em mais alguma coisa...

T - OK, então goodbye e até breve. Portem-se bem, rapazes.

Ministro - Até breve, amigos...

Moedas - Já estou com saudades vossas, sniff... Voltem rapidamente, please...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Equidade social"

Retomo uma questão que tem que começar a ser levantada junto dos diversos atores políticos em geral e que deveria ser uma proposta a apresentar, desde já, pelo PS, enquanto maior partido da oposição: quando as famílias pediram crédito, este foi-lhes concedido tendo por base a sua capacidade de endividamento. Ora aquilo a que temos assistido é que o Governo tem cortado nos salários (no rendimento que serviu de base para o cálculo da capacidade de endividamento) mas nada tem sido feito para OBRIGAR as instituições de crédito a renegociar os encargos, ajustando-os ao novo rendimento disponível, seja através de prolongamento de prazos, carência de juros ou capital durante 1 ou 2 anos, etc. Não bastam as medidas recentemente tomadas para as famílias de mais baixos rendimentos não perderem a casa que deixaram de poder pagar e que são apenas uma “gota de água” - trata-se de estabelecer alguma "equidade social" num processo que tem apenas "destruído" rendimentos das famílias, evitando a falência de muitos Portugueses e permitindo que quem sempre cumpriu, possa continuar a fazê-lo, ainda que de forma adequada à sua nova "capacidade de endividamento". Bem sei que as instituições de crédito reagirão negativamente - mas em tempos difíceis e de total esmagamento das famílias, há que estabelecer também outras exceções, para evitar o rompimento do tecido social.

Assim, deveria ser, desde já, exigido junto do Governo (mas também dos restantes partidos da oposição, especialmente do PS) que esta questão seja tida em devida conta. Há famílias que estão a deixar de cumprir com os seus compromissos porque o Estado as IMPEDE de tal! Isto não faz qualquer sentido, porque foi com base nos rendimentos que as famílias apresentaram que foi calculada a sua capacidade de endividamento e lhes foram concedidos os diversos créditos (habitação, pessoais, etc). Muitas destas famílias continuariam a cumprir com os seus pagamentos se houvesse capacidade das entidades financeiras para aceitarem rever as prestações mensais em face dos novos rendimentos apresentados. No caso dos funcionários do Estado tal situação é chocante, porque o mesmo Estado que confisca parte dos salários, depois não tem o mínimo pudor em punir quando efetivamente as pessoas não conseguem pagar tudo como faziam até esta altura. É ilógico e IMORAL!

Daí que eu considere que deve ser desde já EXIGIDO ao Governo (e o PS tem obrigação de o fazer, para além dos outros partidos da oposição, obviamente) que as famílias que sofreram cortes salariais (muitos deles já superiores, no conjunto de um casal, a 35% do seu rendimento anual!) possam solicitar alterações nas suas condições de pagamento (carência de pagamento de capital durante 2 anos; aumento de prazos para pagamento, diminuindo a prestação mensal; etc), em todos os créditos que tenham (habitação, pessoal, viatura, etc), devendo as instituições financeiras ser obrigadas a apresentar planos de pagamento adequados e que minorem o esforço mensal.

Exatamente como para o País, não se trata de "deixar de pagar" mas de pagar com condições em que tal seja exequível, pelo menos durante este período mais difícil para todos. Esse esforço também tem que ser pedido a bancos e financeiras, até porque no caso da banca esta também foi apoiada pelo Estado (nomeadamente a banca privada) quando teve necessidade e deve agora retribuir esse apoio junto dos contribuintes.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O limite

Qual é o limite?... Qual é o ponto de ebulição da dignidade de um povo?...

Muitos dizem: "vivemos em Democracia, logo não se justificam os protestos em que a violência está latente". Concordo. Mas a contrapartida para que os cidadãos aceitem esse "contrato psicológico" em que o voto é a "arma", passa pela coerência das propostas apresentadas em campanha, pelo seu cumprimento e pela capacidade dos partidos que governam de estarem constantemente recetivos aos diversos sinais da sociedade.

Ora, o que se passa hoje em Portugal? Temos dois partidos no Governo que têm vindo a aplicar uma agenda que jamais foi apresentada durante a campanha eleitoral - antes pelo contrário, foi garantido (em vários aspetos) precisamente o contrário do que está a ser feito. Simultaneamente, percebe-se que essa "agenda" não tem fim, nem limites - é insaciável, é destruidora, é desenfreada na sua sanha de empobrecimento e ataque às bases de uma vida digna através do Trabalho. Num dia anuncia-se um Orçamento com impostos brutais e no outro, sem tempo sequer para respirarmos, já percebemos que vêm aí mais sacrifícios, cortes, despedimentos, miséria, tudo isto anunciado com a frieza absoluta dos bombardeamentos sistemáticos num estado de guerra.

Reagem os cidadãos, civicamente, protestando da única forma possível, nas ruas - e praticamente nada se altera. Pior - há até quem achincalhe tais protestos, os considere mero folclore, orquestrado pelas oposições, os diminua, os ignore olimpicamente.

E a questão surge de novo - qual é o limite?... Qual o ponto fulcral em que o desespero galga a racionalidade? Qual o momento exacto em que a revolta se transforma em revolução?

A Democracia não é uma rua de sentido único - para que os cidadãos respeitem as suas regras, é necessário que sintam que existem limites que também jamais serão ultrapassados pelo Poder. Ora esses limites foram ultrapassados há muito e há quem continue a pretender ultrapassá-los ainda mais. Se não há limite para os "sacrifícios" impostos - como poderão alguns querer que exista para a reacção das pessoas? Se aquilo que se promete não é cumprido - como podem os governantes apelar para a "responsabilidade" dos governados? Se ninguém escuta o uivo que ecoa no vento e que percorre todas as ruas e que desfaz todas as certezas - como podem alguns apelar ao "bom senso"?...

Digam-me, por favor - qual é o limite?...

Necessitaremos de ver as tropas de um país estrangeiro a cruzar as nossas fronteiras, agora que a força do dinheiro já nos mantém sob o jugo de outros, daqueles que nem elegemos mas que mandam nas marionetas que temos por cá? Necessitaremos de ser ainda mais humilhados, mais roubados, mais reduzidos ao papel de meros números num relatório e contas?...

Qual é o limite para nos sentirmos de novo levantados do chão?...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reconstruir o ideal de Comunidade Europeia

Não sou daqueles que acha absurda a atribuição do Prémio Nobel à Comunidade Europeia.

Creio, até, que tal atribuição constitui um "grito" profundo a favor de um projecto que ameaça desintegrar-se, precisamente por alguns terem esquecido todos estes anos de PAZ e progresso, colocando o Deus Dinheiro acima de tudo.

A Europa tem um papel essencial na globalização e constitui um exemplo de Democracia, desenvolvimento social e cooperação. É esse projecto que, hoje em dia, está em causa, atacado sem dó nem piedade por monstruosos interesses financeiros - e talvez este Prémio Nobel seja relevante para "acordar" algumas lideranças adormecidas e colocar novamente os valores essenciais (de desenvolvimento, Justiça, Democracia, igualdade de tratamento, confiança, entreajuda) acima de todos os outros.

Entendo, assim, que a atribuição do Nobel da Paz é mais uma porta que se abre para que as grandes nações da Europa, sobretudo a Alemanha e a França, voltem a ser fundamentais na reconstrução deste ideal, entendendo que a miséria, a fome e o "castigo" da austeridade sem conta nem medida, não se coadunam com a manutenção da Paz e com o exemplo que este Continente sempre deu ao Mundo.


domingo, 9 de setembro de 2012

MANIFESTO - UM APELO À ESQUERDA, PELA DEMISSÃO DO GOVERNO!


O actual Governo, detentor de maioria na Assembleia da República, prepara-se para aprovar um novo Orçamento de Estado que será ainda mais penalizador para os Portugueses, em 2013. Obstinado em aproveitar a actual crise internacional para liquidar o Estado Social, este Governo prossegue uma política de privatizações a qualquer custo, de destruição da Escola Pública, de destruição da Saúde Pública, de desvalorização do Trabalho, de empobrecimento das famílias e até de ataque a acordos livremente negociados entre sindicatos e patronato, tornados letra morta e atacando a capacidade reivindicativa dos trabalhadores agora e no futuro.


Após um ano de Governo PSD/PP temos um País mais pobre, com uma economia cada vez mais frágil, com a classe média (motor de qualquer Economia!) de rastos, com um desemprego em níveis nunca atingidos e sem um projecto mobilizador e de esperança para toda uma Nação! Portugal não tem um Governo - tem uma Comissão Liquidatária que ainda se orgulha de ir "mais além" do que a Troika em matéria de austeridade e de sacrifícios para todo um Povo!


É hora de ser consequente e dizer BASTA!


As gerações futuras jamais nos perdoarão se nos resignarmos agora a esta "fatalidade" que esta Direita nos quer vender! A crise financeira a nível global NÃO FOI criada pelos salários de quem trabalha, nem pelo sindicalismo livre, nem pela Saúde para todos, nem pela Educação gratuita! A crise foi criada pela ESPECULAÇÃO SEM REGRAS e por uma alta finança que pretende recuperar aquilo que perdeu na "roleta especulativa" à custa de quem TRABALHA! Para que um banco PRIVADO como o BPN levasse sucessivas injecções de dinheiro PÚBLICO, num total que já foi dito aproximar-se dos 8,5 MIL MILHÕES DE EUROS, há trabalhadores a ficar sem casa, ou a passar fome, ou a deixar de poder colocar os filhos na Faculdade, porque o Governo decide unilateralmente ROUBAR-LHES o salário, mantendo-se os encargos e dívidas para pagar e que tiveram esse rendimento como forma de cálculo!


Não podemos assistir a tudo isto impávidos e serenos! Não podemos deixar que alguém DESTRUA aquilo que o 25 de Abril nos veio dar!


Por isso está na hora de nós, cidadãos deste País que não nos resignamos a ser os futuros escravos deste modelo neo-liberal, exigirmos aos dirigentes dos partidos de Esquerda que minimizem as naturais divergências entre si e que MAXIMIZEM, desde já, o combate a esta política e a este Governo, antes que seja tarde demais! 


PS, PCP e Bloco de Esquerda devem estabelecer pontes de entendimento entre si, de forma a organizarem o LEGÍTIMO protesto da população e o combate a esta política. Já não basta o "desabafo" colectivo nas redes sociais ou em artigos de jornal - é preciso dar-lhe expressão na RUA, civicamente e de forma determinada. E isso necessita da organização, dos recursos e da orientação que os partidos possuem e podem ajudar a consolidar.


Manifestação de 24 horas em frente das sedes nacionais do PSD e do PP; protesto organizado, todos os Sábados, até à votação do OE, junto à residência do Primeiro-Ministro; protesto bem expressivo em todas as deslocações de membros do Governo e do Presidente da República no País; acções de protesto em eventos nacionais e internacionais, nomeadamente os jogos de futebol da Selecção Nacional; apresentação de Moção de Censura ao Governo, etc - são exemplos de acções concretas que PRESSIONEM o Governo e que EXIJAM, sem hesitações, a sua DEMISSÃO!


Este Governo chegou ao Poder com base na MENTIRA! Tudo aquilo que rejeitava no anterior Governo do PS e que considerava "austeridade em excesso", foi agora triplicado, sem justificação e apenas em função de uma agenda ideológica que pretende anular todas as conquistas de bem-estar, Justiça e igualdade que o 25 de Abril permitiu! A EXIGÊNCIA DE DEMISSÃO é um imperativo! Nenhum Governo pode manter-se, em Democracia, governando CONTRA a população! Há um ano atrás a situação do País era dramática e nem por isso PSD e PP hesitaram um segundo sequer em rejeitar uma alternativa à entrada da Troika, forçando eleições antecipadas e fazendo uma campanha em que ESCONDERAM aquilo que efectivamente estão agora a aplicar como modelo de governação!


É hora dos DIRIGENTES dos partidos de Esquerda, do PS, PCP e Bloco de Esquerda OUVIREM ESTE POVO! Não apenas os militantes de cada um dos respectivos partidos - MAS TODO UM POVO, TRABALHADORES SEM PARTIDO QUE ESTÃO A SOFRER E VIVEM A ANGÚSTIA DO FUTURO PRÓXIMO, JOVENS SEM HORIZONTE E A QUEM SE DIZ PARA EMIGRAREM, IDOSOS A QUEM COMEÇA A FALTAR DINHEIRO PARA COMIDA E REMÉDIOS E QUE SE VÊEM TRATADOS COMO UM "PESO" APÓS TODA UMA VIDA DE TRABALHO! É hora dos partidos de Esquerda organizarem o protesto COLECTIVO - ajudando a dar EXPRESSÃO à dor e à revolta cívica dos Portugueses, perfeitamente legítima! Já não chegam os debates, as reuniões, as sessões disto e daquilo; já não chegam os "gritos de alma" nas redes sociais; já não chegam os apelos à "resignação", quando se sabe que existem OUTRAS alternativas!

ESTÁ NA HORA DE AGIRMOS COLECTIVAMENTE, COM O APOIO DOS PARTIDOS QUE ESTÃO CONTRA ESTA POLÍTICA E DE FORMA A NÃO DEIXARMOS QUE ESTE GOVERNO NOS TRANSFORME EM ESCRAVOS!

Este Governo só pode ter um destino - A DEMISSÃO! VAMOS EXIGI-LA DESDE JÁ - EM NOME DOS MAIS POBRES, EM NOME DOS TRABALHADORES, EM NOME DA NOSSA DIGNIDADE, EM NOME DE PORTUGAL!

sábado, 7 de julho de 2012

Um péssimo patrão

Imaginem um patrão que não gosta dos seus funcionários. Que os acha apenas um encargo e considera que são indolentes, incapazes e resistentes à mudança. Um patrão que não perde um segundo a elogiar o trabalho de ninguém, mas demora horas a denegri-lo junto de terceiros. Imaginem que esse patrão tem, ainda, a possibilidade de alterar as leis do Trabalho a seu bel-prazer. 

Esse patrão existe - chama-se Governo de maioria PSD/PP. 

Para ele, os funcionários do Estado são uma "chatice", uma despesa, um peso, uma espécie de "carneiros" que devem caminhar docilmente a caminho do altar neo-liberal para serem imolados pelos sumos sacerdotes, chamem-se eles António Borges, Mira Amaral ou Passos Coelho. 

Veja-se a reacção de Passos Coelho face à decisão do TC sobre os subsídios de férias e de Natal - profundo incómodo, palavras secas e agressivas do tipo "esperem pela pancada, que já vos digo como vai ser...", ressabiamento profundo por ter sido colocado em causa o dogma que considera que um "carneiro" não tem direito a balir, nem a espernear, apenas a esperar pela faca que o degolará com resignação. 

Este Governo odeia profundamente os próprios funcionários do Estado. Odeia que não possa despedi-los tão facilmente como faz em empresas privadas onde os contratos são à semana. Odeia que ainda tenham protecção na doença, quando o ideal seria entregar tudo à iniciativa privada e cada qual que se amanhasse e se não tivesse dinheiro para o seguro de Saúde, que tomasse chá de ervas do caminho ou morresse sem fazer muito alarido. Odeia que ainda sejam sindicalizados e se organizem para protestar, quando praticamente já conseguiu liquidar tudo isso na iniciativa privada, onde o patrão tem a faca e o queijo na mão e basta alguém armar-se em parvo e sindicalizar-se e tem a porta aberta para o desemprego. 

Obviamente que um tal patrão não pode defender, incentivar, motivar ou remunerar com justiça aqueles que trabalham para si - e é por isso que este Governo continuará a maltratar os seus próprios trabalhadores, a erigi-los como "egoístas" por se recusarem a ser os únicos a pagar a crise que não criaram, a arranjar todas as formas de se "vingar" pela derrota do TC na questão dos subsídios.

Esperemos pelos próximos episódios - mas o rosto fechado e incomodado do Primeiro Ministro, ao constatar que, afinal, ainda há Lei e Constituição em Portugal, não faz adivinhar nada de bom, especialmente quando todos já sentimos na carne a arrogância e intolerância com que esta gente, desta Direita autoritária e sedenta de "sangue", trata o factor Trabalho em Portugal, preferindo isentar de contributo para a crise quem ganha na especulação, na exploração ou nas grandes negociatas como o BPN e quejandos!...

domingo, 17 de junho de 2012

Português!

apesar da crise,
apesar da seca,
apesar daqueles que me querem
domar,
apesar de tudo,
apesar de nada,
apesar do vento, da chuva
ou do ar,
apesar do medo,
apesar do aperto,
apesar da pistola apontada
à cabeça,
apesar da miséria,
apesar da vergonha,
apesar da alma que vagueia
e tropeça,
apesar da tez,
apesar do feitio,
apesar da fome que se instala
na praça,
apesar dos erros,
apesar das glórias,
apesar da ânsia que se agarra e
não passa,
apesar do grito,
apesar da reza,
apesar da Grécia,
apesar do cerco,
apesar da raiva,
apesar do arnês,

nascia de novo
e era Português.

sábado, 16 de junho de 2012

Um fim de semana decisivo

Estamos perante um fim de semana decisivo para o futuro da Europa e (porque não dizê-lo?) para o Mundo. As eleições na Grécia e em França marcam a agenda política e, sobretudo no primeiro caso, os resultados das mesmas poderão ser determinantes para as "cenas dos próximos capítulos" numa Crise que tem alastrado como fogo em campo de ervas secas.

Revelador dos sinistros tempos que vivemos, a pressão inqualificável que a Alemanha (e não só) tem colocado sobre o eleitorado grego para que dê a vitória à Nova Democracia, partido de Direita que mais facilmente garantirá a implementação da "agenda de austeridade" reforçada que a Srª Merkel continua a ver como "solução única". O que não deixa de constituir uma triste ironia é que foi precisamente a Nova Democracia quem, quando ocupou o Poder, e em conjunto com grandes empresas internacionais de consultoria, "maquilhou" a situação financeira da Grécia para permitir a entrada do País no Euro, com os resultados a que agora assistimos...

Quero acreditar que ainda haverá tempo (e sobretudo lucidez!) para inverter esta escalada rumo ao abismo. A Alemanha só é "grande" no interior da Comunidade Europeia e terá tanto a perder (ou ainda mais...) caso o projecto do Euro fracasse. Neste momento é a Democracia que está colocada em causa e os "abutres" extremistas já rondam nos céus da Europa. Cabe-nos a todos nós, a quem coloca a Liberdade e a Paz acima de tudo, em nome daqueles que nos legaram valores fundamentais e por eles combateram com sacrifício da própria vida, tomar nas mãos agora esse combate decisivo - se não for já por nós, pelo menos pelos nossos filhos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Obviamente...


Sinais dos tempos que correm. Tempos propícios à expansão do medo, da insegurança, do credo na boca. Um desejo cada vez mais assumido, por parte dos detentores de Poder, de regressarem, rapidamente e em força, à época em que os homens se encostavam à parede da Igreja e o capataz escolhia, a dedo, aqueles que, nesse dia, teriam direito a trabalhar arduamente para assegurar umas moedas.

Passos Coelho, Primeiro-Ministro, já anunciara a Boa Nova – o desemprego é uma “oportunidade” e o trabalho por conta de outrem é um “pecado” a que devemos renunciar. Os nossos jovens serão todos empresários, empreendedores, gurus, CEO´s – nada do revoltante trabalho honesto e esforçado em empresa alheia, na mira do salário seguro e da vidinha equilibrada, coisas a que teremos que renunciar em nome do Progresso e por imposição da troika. Nada de planear a vida – será o que Deus Nosso Senhor Quiser, após aprovação da Srª Merkel, obviamente. Hoje há conquilhas – amanhã não sabemos e entretanto alguns continuam a comer tudo e a não deixar mesmo nada, nem sequer o direito a andarmos de cabeça erguida.

Por estes dias colocou-se mais um tijolo neste novo muro que separará os “eleitos” (os que souberem viver com a indefinição como regra e o “ámen” como resposta à medida) e aqueles que ousarem continuar a acreditar que a Vida de quem trabalha tem que ser mais do que renúncia, sacrifício e austeridade para que a alta finança internacional saia, triunfante e impoluta, do “buraco” onde a sua ganância a enfiou. Por estes dias, um senhor que se chama Paulo Azevedo e é filho de um outro senhor que se chama Belmiro de Azevedo e que teve que fazer o imenso esforço de completar um curso superior e ter depois emprego garantido vitaliciamente no empório de seu poderoso progenitor, o que, como se sabe, é façanha digna de uma epopeia moderna sobre o empresário lusitano e lhe deve ter custado muito sangue, suor e lágrimas alheias – pois este senhor, o Excelentíssimo e Digníssimo CEO da Sonae, afirmou perante um grupo de jovens candidatos a um estágio no Paraíso terráqueo, segundo reportado na Comunicação Social, que “na empresa trabalha-se mais do que 8 horas por dia e não há lugar para mandriões”, sendo que tal só acontece “pela vontade de ir à frente” e porque, na SONAE, não “têm a ilusão de que o dinheiro é o mais importante”.

Responsabilidade social? Conciliação da vida familiar com o trabalho? Respeito pelos horários de trabalho? Qual quê, qual carapuça! Eis o empreendedor que o Dr. Passos Coelho tanto anseia ver em cada jovem português! Em vez de rostos angustiados com a falta de emprego e os projetos de vida adiados “ad eternum”, eis o rosto feliz e sorridente dos novos escravos, pedindo para levar mais pedras ao ombro, para que os chicoteiem mais, para que lhes neguem uma sede de água, tudo para que o Faraó lhes conceda o privilégio de um simples olhar, de um esboço de sorriso, de um aceno de aprovação, face ao inaudito (e gratuito) esforço! Depois da genial campanha de descontos do Pingo Doce, só nos faltava mesmo uma nova campanha “Vamos lá ver quem é que consegue trabalhar mais horas seguidas de borla e até cair” e teremos hordas de desempregados a correr desalmadamente, não o duvido, porque o Homem é aquilo que as circunstâncias definem e o Mundo está negro como carvão.

Não há lugar para madraços na Nova Ordem! E mesmo os velhos e doentes serão tolerados de acordo com limites máximos de encargos para o Estado a definir em cada ano civil – os que “sobrarem” que se conformem, é assim a Vida, ou pelo menos esta que temos, face àquela que nos foram roubando gradualmente.

Aposto que, feitas tão excelsas declarações, o CEO da SONAE, Sua Excelência Dr. Paulo Azevedo, certamente se encaminhou para a paragem de autocarro mais próxima para apanhar  transporte que o levasse para o resto dos seus afazeres diários e regressará, já noite dentro, ao seu modesto apartamento com 15 anos nos subúrbios de Lisboa, 12 horas depois de ter iniciado o seu trabalho, onde degustará uma simples sopa, enquanto pensa, preocupado, como irá pagar o IMI e as propinas do filho, agora que lhe cortaram o magro vencimento, assim como os subsídios de Natal e de Férias… Afinal, como ele próprio afirmou a jovens que anseiam por um simples estágio e que foram brindados com uma lição de Filosofia de Vida de alguém que, aparentemente, sempre comeu o pão que o Diabo amassou (e não me refiro a qualquer padeiro dos hipermercados Continente, que fique claro), já basta da ilusão de pensar que o dinheiro é o mais importante –  obviamente…


sexta-feira, 18 de maio de 2012

"É o consumo, estúpidos!..."


Nick Hanauer é um milionário norte-americano e vive em Seattle. Em Março p.p. foi convidado para dar uma Conferência para a TED, na qual teve oportunidade de dizer (entre outras coisas) o seguinte:

“Posso garantir que os ricos não criam empregos. O que produz mais emprego é o “feedback” entre consumidores e empresas. Só os consumidores podem dar vida a este círculo de procura e de oferta. Neste sentido, um consumidor de classe média pode criar muito mais emprego do que um capitalista como eu. (…) Toda a gente que tem uma empresa sabe que empregar mais gente é uma medida de último recurso, algo que se faz apenas quando o aumento da procura do consumidor o exige. Neste sentido, dizermos que somos criadores de empregos não só é incorreto, como falso. É por isso que as atuais políticas estão de pernas para o ar. Quando se tem um sistema de impostos que beneficia os mais ricos, tudo em nome da criação de empregos, o que acontece é que os ricos ficam mais ricos.”

Simples e revelador. Nick Hanauer coloca o dedo exatamente na ferida e confirma a razão de todos aqueles que consideram que a “austeridade” erigida como “regra” é mais do que um disparate – é criminosa. O círculo vicioso de somar austeridade à austeridade, de diminuir rendimentos indiscriminadamente, de apertar o consumo, apenas conduz à falência das empresas e ao desemprego em crescendo, gerando mais miséria, menos consumo e mais impactos negativos para todo o sistema económico. Não crescem plantas em terreno que não se rega – nem se geram recursos para uma Nação se a sua população vegeta na miséria.

Nick Hanauer sabe do que fala e tem plena consciência que, se continuarmos reféns da lógica predatória dos “mercados” e da insanidade reverente de Governos incapazes de reagir à situação, nada mais restará do que caos e destruição.

Resta acrescentar que a TED se recusou a divulgar o vídeo desta Conferência no seu site (tal como faz com todos os oradores convidados), achando-a demasiado “politizada”… Felizmente o poder das redes sociais evidenciou-se, uma vez mais, permitindo que chegasse ao nosso conhecimento aquilo que Nick Hanauer defendeu e destacando-se a imensa hipocrisia em que vivemos atualmente e que urge desmascarar e combater sem tréguas.

sábado, 12 de maio de 2012

Acordai!

Acabam de ser aprovadas as (graves) alterações ao Código do Trabalho. Com o voto favorável de PSD e PP e a abstenção (desconheço se violenta ou contida) do PS. 


A maioria de Direita, na fase de discussão, não aceitou UMA única proposta de alteração da oposição. Por estes dias, até o assessor do Presidente da República para as questões do Trabalho surgiu a questionar-se sobre a legalidade de algumas propostas (pagamento pela metade de horas extraordinárias) e sobre a "violência" de impor bancos de horas aos trabalhadores, por exemplo. 


Some-se a tudo misto o embaratecimento dos despedimentos, o aumento do número de horas de trabalho sem compensação, a diminuição dos salários, etc, e temos todo um "caldo" favorável à arbitrariedade e à desprotecção da parte mais fraca - o trabalhador. 


Nove deputados do PS votaram contra, desobedecendo à disciplina de voto imposta. Para que conste (e porque o merecem) destaco aqui os seus nomes: Sérgio Sousa Pinto, Isabel Moreira, Pedro Alves, Isabel Santos, André Figueiredo, Paulo Campos, Renato Sampaio, Carlos Enes e Rui Duarte.


Há dirigentes no PS que ainda não entenderam os ventos de mudança e que a "resignação" em nome do acordo com a Troika (aliás, amplamente ultrapassado em muitas das medidas apresentadas) sairá cara a curto prazo, abrindo a porta a todos os extremismos e legitimando reacções que o desespero fomentará.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Com papas e bolos...

O que choca na campanha de "marketing de latrina" que o Pingo Doce ontem desenvolveu obviamente que é a escolha (propositada) da data. 

Se o dono do Pingo Doce queria "ajudar as famílias portuguesas num momento difícil", como foi propalado ( e faz parte da mesma campanha, obviamente), então bem podia ter escolhido o próximo Domingo, dia da Mãe. Ou o Dia de Natal. Ou qualquer outra data que, ainda que rebuscadamente, tivesse alguma coisa a ver com a Família. 

Ao escolher o Dia do Trabalhador obviamente que se acabou a "afrontar" os festejos da data, "manchar" o seu simbolismo, tratar os trabalhadores como uma "manada" esfomeada a quem se acena com um desconto e diz adeus a quaisquer valores simbólicos porque os tempos estão difíceis.

Espantosos (ou talvez não...) também os comentários de apoio à campanha emitidos por dois "sociólogos", o sr. Barreto e o sr. Vilaverde Cabral.  Já agora gostava de saber o que dirão ambos se um destes dias um destes donos de hipermercados resolver fazer uma campanha semelhante num Domingo de eleições...

Por mim, evitarei durante muitos meses (pelo menos enquanto me lembrar desta "campanha") comprar seja o que for no Pingo Doce - e vou riscar com tinta preta a designação "sociólogo" nos livros que tenho do sr. Barreto e do sr. Vilaverde Cabral, para não induzir em erro alguém que lhes pegue inadvertidamente cá por casa...

sábado, 28 de abril de 2012

Defender a coesão social

Em tempos escrevi por aqui (e não só) que era necessário que o PS se preocupasse em apresentar propostas concretas visando apoiar as famílias que, vendo os seus vencimentos cortados unilateralmente pelo Governo, tivessem dificuldades em cumprir com os seus compromissos financeiros.
Fico satisfeito por ver que o PS já apresentou algumas propostas na AR para que famílias com desempregados possam renegociar o pagamento das prestações de crédito à habitação.
Mas não chega - os funcionários públicos foram fortemente penalizados nos seus rendimentos (estando a pagar a factura de uma crise que outros, bem mais poderosos, provocaram) e também deveriam ter a possibilidade de renegociar (com carácter de obrigatoriedade para bancos e financeiras) períodos de carência de capital ou aumento de prazos e baixa nas prestações mensais, bastando apenas apresentar declaração da entidade patronal em como, no âmbito do Orçamento de Estado, lhes foram impostos cortes nos rendimentos mensais.
Evitar a insolvência de quem sempre cumpriu com as suas obrigações e só não o faz agora porque lhe impuseram uma diminuição de salário, não é apenas um dever de cidadania - é a garantia de um mínimo de coesão social e a distribuição justa dos "sacrifícios" por todos (famílias e empresas na área financeira), sem que uns percam a dignidade e outros o lucro perseguido.

sábado, 21 de abril de 2012

Uma simples Rosa

No dia 1º de dezembro de 1955, nos Estados Unidos, Rosa Parks recusou ceder a um branco o seu lugar sentado num autocarro. Rosa Parks foi presa - em Montgomery, capital do Alabama, as primeiras filas dos autocarros de transporte público eram, por lei, reservadas para passageiros brancos. Lá para trás ficavam os lugares nos quais os negros podiam sentar-se.

Naquele dia 1° de dezembro de 1955, Rosa Parks recusou a humilhação. Quando o motorista – branco – exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no autocarro, ela recusou-se a cumprir a ordem, continuando sentada. Com a sua prisão, Rosa abriu as portas do futuro e o seu exemplo levou a um protesto generalizado e à abolição da iníqua lei em Novembro de 1956.

Que nos sirva de lição nestes tempos em que nada parece valer a pena, em que tantos se resignam à inevitabilidade do "empobrecimento" e da exploração de quem trabalha - por vezes basta a coragem de um simples cidadão anónimo para deixar um raio de sol entrar na masmorra mais escura...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Enquanto rir não pagar imposto...


O Governo propôs hoje aos parceiros sociais um limite máximo para o valor do subsídio por morte de cerca de 2500 euros, conforme previsto no Orçamento do Estado para 2012.


Próximas notícias (a esperar) deste Governo:...


- “Governo quer que funcionários do Estado que morram paguem 2500 euros se não avisarem antecipadamente”


- “Governo vai criar imposto apenas para funcionários do Estado que adoeçam: valores variam entre 5% (gripe simples) e 100% (cancro), aplicados sobre vencimento anual”


- “Governo propõe pagamento de salários do Estado em géneros hortícolas – casais com filhos terão ainda direito a 250 gr de carne de porco por mês, por agregado familiar”


- “Passos Coelho confessa estar animado com aplicação do programa da Troika: “Há décadas que PSD queria acabar com o legado do 25 de Abril e esta crise veio mesmo a calhar”.


- “Governo assina protocolo com Sonae e Jerónimo Martins: desempregados vão ser obrigados a trabalhar em hipermercados Continente e Pingo Doce e Estado paga-lhes subsídio de desemprego em senhas de compras naquelas grandes superfícies”


- “Ministro da Saúde afirma: “Acabou o tempo em que estar doente era um direito na Função Pública, agora só quem puder é que adoece porque vamos deixar de pagar seja o que for enquanto o doente estiver de baixa, não há almoços nem doenças grátis!”


- “Ministro da Segurança Interna da China vem a Portugal para estudar a forma como o Governo conseguiu levar Portugueses à indigência, sem necessidade de repressão nas ruas e sem reacção dos visados: “É incrível, porque até nós tivemos aquela questão em Tiannamen, mas vocês estão mais avançados em matéria de lavagem cerebral, conseguiram convencer toda a gente que serem miseráveis e ficarem sem direitos alguns é que é bom!”


- “Governo anuncia alternativa a TGV – o comboio do Nody, que circulará entre Coimbra (Portugal dos Pequeninos) e a Eurodisney. Ministro da Economia, vestido de Nody, fará viagem inaugural e irá encontrar-se em Paris com a Ministra da Economia de França, vestida de Sininho”.


- “Programa Novas Oportunidades surge reformulado – a partir de agora existem 3 opções, Novas Oportunidades Emigração (Governo comparticipa, no final, bilhete de avião, barco ou autocarro a quem terminar Licenciatura); Novas Oportunidades Doação (Governo entrega diploma de Ensino Básico completo a quem efectuar doação de rim, fígado ou coração a empresário rico e que necessite rapidamente de um desses órgãos); Novas Oportunidades Top (Governo entrega diploma do 12º ano completo a jovens que adiram à JSD, tenham apenas o 4º ano do básico, idade até 38 anos, voz de barítono, melena caída para a testa e capacidade comprovada de mentir com ar sério em campanha eleitoral, sendo o exame final feito em mercados com os candidatos a garantirem a criancinhas que jamais cortarão subsídios de Natal e Férias a ninguém)”.

domingo, 25 de março de 2012

Dias de tempestade


É impressionante como o Portugal real, concreto, do nosso dia a dia, esteve afastado dos discursos que fui ouvindo no Congresso do PSD, incluindo de Passos Coelho. Desemprego, fome, emigração dos nossos melhores, cortes no rendimento, etc, foram temas que passaram ao "lado" do Congresso de um partido que está, actualmente, no Governo do País. Vi um partido a falar para dentro, enredado em "recados..." internos, em pormenores estatutários, um partido de "barões" a lutar para aparecer e a marcar posições para os próximos actos eleitorais (sobretudo autárquicas), um partido ancorado na desculpabilização com o "passado" (o contrário do que Passos sempre prometeu, mas também aqui, como noutras coisas, já se "esqueceu"...), um partido que tem como "ideologia" o "empobrecimento" do País, enfim, uma encenação pífia da discussão de ideias que (supostamente...) devia existir neste tipo de eventos.


Infelizmente não é exclusivo do PSD, reconheço... e se calhar é por isso que os partidos, que deviam ser "emanações" da vontade popular e representar a vontade dos seus eleitores, estão cada vez mais a transformar-se em "dissonâncias" relativamente a tudo isso, excepto no curto período de campanha em que tudo é possível, tudo é prometido, tudo parece exequível (lembram-se do Passos a garantir a uma criancinha que jamais cortaria os salários ou subsídios dos pais, que era tudo uma invenção esquerdista?...).


Aproxima-se igualmente a hora de votar, no Parlamento, todo um "pacote" de alterações à legislação laboral, no sentido da facilitação dos despedimentos, redução das indemnizações, fragilização dos vínculos de trabalho, etc. Parece que o "progresso" se faz com coisas destas, dizem, e que despedindo mais facilmente e mais barato se fará crescer o emprego... Copia-se o pior do capitalismo desregulado mas nunca o seu melhor - na Alemanha os sindicatos integram, por ex., as administrações das grandes empresas e nada se faz sem o seu aval. Há um mito posto a correr em como a facilitação dos despedimentos garantirá mais emprego para todos, porque haverá mais oferta - mas todos sabemos que, já nos dias de hoje e com toda a precariedade possível na contratação, ninguém emprega pessoas com mais de 35 / 40 anos, são "velhos"...


Uma vez mais o discurso e a realidade não se encontram - nem no Congresso do PSD nem noutras bandas onde a "abstenção" face à dura realidade parece ser a única "estratégia" para ir surfando os dias - que são de tempestade...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Regresso ao passado

Um destes dias, cerca das 21 horas, regressava a casa, a pé, depois de ter concluído sessão de formação que estive a conduzir em horário pós-laboral.


À minha frente caminhava um grupo de 5 pessoas - um casal na casa dos 30 e poucos anos e, pelo que pude aperceber-me, três filhos, de idades entre os 12 / 13 anos e uma pequenita com cerca de 4 ou 5. Pelo percurso que faziam concluí que vinham da igreja local, que àquela hora mantinha ainda aberta uma área de distribuição de alimentos e outros produtos para apoio a famílias necessitadas, creio que com apoio da Junta de Freguesia.


O homem e a mulher levavam grandes sacos onde era possível vislumbrar arroz, massas, batatas, enfim, os víveres necessários para a alimentação do mês. Todas as crianças ajudavam, transportando também sacos mais pequenos com alimentos, incluindo a pequenita, que saltitava e sorria, na inconsciência e pureza da sua tenra idade.


Fui vendo aquela família dirigir-se para casa, em silêncio, no início da noite, saberá Deus com que preocupações para o dia seguinte, talvez com o desemprego a roer a alma, talvez já com a ameça de perder a habitação, certamente um espaço para o medo e incerteza para criar e educar os três filhos... Serão milhares, infelizmente, as famílias portuguesas nesta situação... Mas aquela, sem o saber, acordou em mim a memória de um outro tempo distante em que também vi os meus pais fazerem mil e um malabarismos para viverem com dignidade, numa outra época difícil, sem que nada faltasse aos filhos, mas onde tantas vezes as dificuldades apertavam o coração na calada da noite. Regressou este meu País às trevas da fome, do desemprego, da miséria envergonhada, da incerteza no futuro...


Numa curva mais adiante, a família carregada de sacos com alimentos para o mês, desapareceu - antes de entrar em casa e regressar para junto da minha própria família tive que fazer um breve momento de espera, apenas o tempo do vermelho dos olhos e da pressão no peito já não serem visíveis para os meus.


Mas não consigo esquecer aquela menina que, de saquito com alguns alimentos na mão, inocente, livre, doce, saltitava no meio da família que, abrigada pelo anonimato da noite, carregava o parco sustento para escassas semanas...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um novo "mapa"

Temos que olhar para o território da Esquerda apagando fronteiras, fazendo um esforço para ver mais além. Não será fácil, obviamente. Décadas de confrontos, divisões, dogmas, até alguns "combates", no seio dos partidos de Esquerda, criaram "feridas", cicatrizes, divisões.




Talvez só haja uma forma de construir uma nova Esquerda - começando por colocar em cima da mesa aquilo que todos consideram "património comum" ou "valores comuns". Defender os mais fracos. Proteger os mais pobres. Colocar o bem-comum acima do egoísmo estéril. Considerar o Trabalho como valor central. Etc.




Este tempo exige que coloquemos o "mapa" em cima da mesa e não consideremos antigas fronteiras - mas que tracemos novas estradas e pontes a unir territórios.




De outra forma não estaremos a fazer o combate que se exige para defender quem sofre, quem é explorado, quem é humilhado, quem é "castigado" pela actual Crise - mas apenas a "rezar" ladaínhas sem sentido, que já ninguém escuta e que ignoram a urgência da Esperança.