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domingo, 17 de junho de 2012

Português!

apesar da crise,
apesar da seca,
apesar daqueles que me querem
domar,
apesar de tudo,
apesar de nada,
apesar do vento, da chuva
ou do ar,
apesar do medo,
apesar do aperto,
apesar da pistola apontada
à cabeça,
apesar da miséria,
apesar da vergonha,
apesar da alma que vagueia
e tropeça,
apesar da tez,
apesar do feitio,
apesar da fome que se instala
na praça,
apesar dos erros,
apesar das glórias,
apesar da ânsia que se agarra e
não passa,
apesar do grito,
apesar da reza,
apesar da Grécia,
apesar do cerco,
apesar da raiva,
apesar do arnês,

nascia de novo
e era Português.

sábado, 16 de junho de 2012

Um fim de semana decisivo

Estamos perante um fim de semana decisivo para o futuro da Europa e (porque não dizê-lo?) para o Mundo. As eleições na Grécia e em França marcam a agenda política e, sobretudo no primeiro caso, os resultados das mesmas poderão ser determinantes para as "cenas dos próximos capítulos" numa Crise que tem alastrado como fogo em campo de ervas secas.

Revelador dos sinistros tempos que vivemos, a pressão inqualificável que a Alemanha (e não só) tem colocado sobre o eleitorado grego para que dê a vitória à Nova Democracia, partido de Direita que mais facilmente garantirá a implementação da "agenda de austeridade" reforçada que a Srª Merkel continua a ver como "solução única". O que não deixa de constituir uma triste ironia é que foi precisamente a Nova Democracia quem, quando ocupou o Poder, e em conjunto com grandes empresas internacionais de consultoria, "maquilhou" a situação financeira da Grécia para permitir a entrada do País no Euro, com os resultados a que agora assistimos...

Quero acreditar que ainda haverá tempo (e sobretudo lucidez!) para inverter esta escalada rumo ao abismo. A Alemanha só é "grande" no interior da Comunidade Europeia e terá tanto a perder (ou ainda mais...) caso o projecto do Euro fracasse. Neste momento é a Democracia que está colocada em causa e os "abutres" extremistas já rondam nos céus da Europa. Cabe-nos a todos nós, a quem coloca a Liberdade e a Paz acima de tudo, em nome daqueles que nos legaram valores fundamentais e por eles combateram com sacrifício da própria vida, tomar nas mãos agora esse combate decisivo - se não for já por nós, pelo menos pelos nossos filhos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Democracia "controlada"?...

Os ministros de Finanças da União Europeia concordaram hoje em submeter os planos futuros de Orçamento de Estado dos países membros, para revisão pela Comissão Europeia, no âmbito de um conjunto de medidas para reforçar as regras orçamentais da UE.

Esta medida que, aparentemente, visa dar alguma "coerência" aos esforços de consolidação financeira exigidos aos diversos países membros, ganha alguma perversidade quando, segundo as notícias, tal "obrigação" deve ser prévia à apresentação e votação do mesmo Orçamento de Estado nos parlamentos nacionais.

Seja qual for o ângulo pelo qual se aborde esta "novidade" não resta a menor dúvida que se trata de uma clara perda de soberania e, de alguma forma, limita-se claramente a aplicação de programas políticos apresentados ao eleitorado, assim como das intervenções dos partidos na oposição aos Governos eleitos. O que acontecerá, por exemplo, a um Orçamento de Estado "aprovado previamente" pela União Europeia mas rejeitado maioritariamente em determinado Parlamento?... Quem se responsabiliza, perante o eleitorado, pelas orientações estratégicas de um Orçamento que seja "imposto" pela UE?...

Estejamos atentos ao que por aí vem...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Europa numa encruzilhada


Uma nuvem de poeira com origem num vulcão islandês tem pairado sobre a Europa, nos últimos meses, perturbando o tráfego aéreo. Tal como essa nuvem de poeira, paira igualmente sobre o projecto político e económico europeu uma enorme nuvem cinzenta de pessimismo e dúvida. A palavra “crise” instalou-se definitivamente nas primeiras páginas dos jornais e começa a doer na pele (e na bolsa) de muitas famílias por essa Europa fora, incluindo as portuguesas, com os sacrifícios a que são submetidas pelos Governos respectivos, tentando equilibrar frágeis orçamentos nacionais.

Uma crise que começou por ser financeira (e que teve origem – será bom não o esquecer – num quadro de desenfreada especulação financeira e numa “bolha” artificial criada pelos grandes especuladores financeiros a nível global) degenera agora numa crise social de contornos ainda indefinidos. Os mercados reagem de forma quase esquizofrénica – “afundam-se” perante a perspectiva de elevados défices e da possibilidade de incumprimento por parte das Nações; mas também não recuperam nem se animam quando são tomadas as medidas restritivas que, teoricamente, levariam a tal reacção. Temem o incumprimento – mas também a recessão a que algumas medidas restritivas poderão conduzir. No entretanto, as famílias da classe média sentem-se “acossadas”, vêem os seus rendimentos reduzidos mas os encargos contraídos manterem-se ou até crescerem, temem o futuro, não entendem que todas as “facturas” lhes sejam impostas quase sempre em exclusivo.

Tal como na Revolução Industrial, vivemos uma era de profunda mudança política, social e económica. Se no século XIX se registaram profundas alterações no modelo produtivo, com os movimentos migratórios dos campos (agricultura) para as cidades (fábricas) e a “exclusão” de muitos milhares que não se adaptaram ou não conseguiram integrar-se nesse novo modelo, também hoje se vislumbram os primeiros contornos sérios de uma Revolução a que chamaria do “Conhecimento”, que veio alterar não apenas o modelo de produção mas a forma como cada indivíduo se relaciona (ou posiciona / “transacciona”) num mercado de trabalho completamente aberto.

O Trabalho de hoje exige cada vez menos força física ou repetição burocrática – e, cada vez mais, originalidade, criatividade, prestação de um melhor serviço. As máquinas do passado praticamente não precisam quem as opere – mas sim quem conceba os novos produtos que elas se encarregarão de fabricar. Já não basta ter uma porta aberta e esperar que os clientes entrem – há que procurar factores diferenciadores da concorrência, especialmente em termos de prestação de um melhor serviço, com maior disponibilidade horária, com conhecimento profundo do produto vendido, com geração de “proximidade” face às necessidades do cliente, etc. Tal como no passado se destruíam as máquinas que a Revolução Industrial criara, tentando inutilmente deter a marcha do inexorável progresso, veja-se agora para onde se dirigem as “pedras” e os cocktails molotov (físicos ou discursivos): para os bancos, para o comércio, para as "marcas" de sucesso, para os novos “magnatas do Conhecimento” (Windows / IBM / Apple, etc).

É neste “caldo” que vivemos e no qual teremos que construir as soluções de futuro. A Sociedade do Conhecimento é uma realidade e é nesse âmbito que se reformulará o valor do factor trabalho, que se criarão novas carreiras (as Universidades começam a adaptar-se e a criar novas soluções académicas), que se exigirão novas regras na contratação, que se transformarão os sindicatos, que se estreitarão laços entre países. É precisamente por isso que aprender Inglês (indubitavelmente a actual língua universal) no Ensino Básico ou aceder a um computador portátil, não são “caprichos” que alguns néscios ou inconscientes, entre nós, se apressaram a criticar – são sinais de preocupação, ainda que rudimentares, com um futuro que já está aí e onde os novos analfabetos, os novos “excluídos”, serão aqueles que, efectivamente, desconhecerem esses saberes básicos.

Posto tudo isto, ainda assim a “nuvem” persiste… Talvez porque a sensação é a de que esta “Revolução” está órfã de uma efectiva liderança política. Com efeito, ninguém pode ter como “projecto de vida” o equilíbrio de um qualquer défice. Ninguém pode motivar-se se o horizonte que vê é cada vez mais negro. Nenhum “modelo europeu” digno desse nome pode passar apenas pela lógica financeira e pela contabilidade organizada das Nações. Falta liderança. Falta condução. Falta visão. A Europa de Merkel, de Durão Barroso e de Sarkozy é uma Europa de “mangas de alpaca”, aprisionada num enorme colete de forças de onde parece incapaz de sair. Não há rasgo. Não há projecto. E é por isso que os povos se agitam, temem o futuro, se angustiam. Mesmo nos Estados Unidos, até ao momento, Obama foi mais “promessa” do que “realidade”…

As pessoas questionam-se legitimamente – de que serviram os sacrifícios feitos há vinte e tal anos atrás, se de repente parecemos voltar à estaca zero? Onde está a “nossa” Europa de bem-estar e desenvolvimento generalizados? O que foi feito de tantos milhões em apoios e subsídios que, em Portugal, especialmente nos “anos dourados” das maiorias do 1º ministro Cavaco Silva, visaram reformar profundamente o País e deixá-lo preparado para evitar “crises” como a actual? Afinal, duas décadas volvidas e estamos novamente a ser confrontados com um cenário de empobrecimento generalizado, de recessão, de medo do futuro?...

É urgente, assim, “refundar” a Comunidade Europeia. Essa “refundação” só poderá ser feita por lideranças determinadas e visionárias, capazes de sacrificar o que for necessário agora mas em função de uma meta clara e objectiva a atingir, chame-se ela “paz”, “desenvolvimento sustentado” ou “Conhecimento”. A Europa tem todas as condições para liderar uma Revolução do Conhecimento a nível mundial, até pelas relações privilegiadas com África, Ásia e América Latina, com quem pode estabelecer novas pontes e criar novas parcerias. O exemplo de paz e tolerância, durante décadas, dentro das fronteiras da Europa, pode ainda ser alargado com a adesão da Turquia e possibilitar um novo diálogo com o Irão, tal como agora foi feito pelo Brasil na difícil questão do urânio enriquecido. Disseminar Conhecimento deve ser um desígnio europeu. Só o Conhecimento gera tolerância, diálogo, desenvolvimento. Em seu redor é possível desenvolver novas indústrias e serviços na área dos conteúdos e da criatividade em geral, articular com o Turismo, alicerçar com mão de obra qualificada e formação à medida. A Europa pode começar a fornecer as “canas para pescar” em vez do peixe já pescado. O nosso “petróleo” é o Conhecimento e há todo um campo por explorar num Mundo onde a pobreza e a exclusão ainda são (tristemente) reinantes.

Recordemos que, mesmo numa cidade de Londres barbaramente destruída pelos ataques aéreos nazis, durante a 2ª Grande Guerra, a população “persistia” em reunir-se em grandes salões de baile e dançar ao som de uma qualquer orquestra da época, com sorrisos rasgados que escondiam a profunda dor que certamente sentiam. Centenas de pessoas dançavam e rodopiavam durante horas – enquanto o seu mundo ruía, os seus entes queridos morriam, o amanhã era incerto. Mas aquelas pessoas tinham Esperança e Determinação. O seu sacrifício fazia sentido. Nenhum inimigo, por mais poderoso que fosse, as faria desistir. Queriam demonstrar que nada podia abalar o seu patriotismo e a sua defesa da Democracia, custasse o que custasse. Para que tal sucedesse foram determinantes líderes visionários, como Churchil ou De Gaulle, obviamente.

São esses líderes que urge encontrar nos nossos dias para que, tal como a chuva ajuda a dissolver a nuvem de partículas originada pelo vulcão islandês, possam também “dissolver” esta angústia das populações à procura de referências concretas para a construção do futuro. Caso contrário talvez estejamos a caminhar, inexoravelmente, para o fim da união europeia tal como os seus pais fundadores a conceberam, sem que se vislumbre qualquer alternativa, democrática e progressista, válida.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ainda as eleições para o Parlamento Europeu


A Coreia do Norte acaba de realizar mais uns testes nucleares para mostrar que o regime está vivo. Pelo meio, à laia de peculiar fogo de artifício, testou também alguns mísseis. Recordo que a Coreia do Norte é um sinistro regime comunista que, ainda recentemente, era apontado pelo líder da bancada da CDU na Assembleia da República como "exemplo" - não se consegue perceber bem é de quê... O que é certo é que, até agora, não ouvi uma só palavra de censura ou de preocupação com estes desvarios norte-coreanos, vinda do PCP ou do Bloco de Esquerda, até. Nem quero imaginar se os testes tivessem sido feitos por Israel, por exemplo...

Em Itália, o 1º Ministro Berlusconni continua envolvido numa série de trapalhadas que se iniciaram com uma interessante escolha de candidatas para o Parlamento Europeu (parece que o único critério a cumprir teria a ver com as medidas do peito, da cintura e a beleza do rosto...) e alastraram para uma relação com uma jovem de 18 anos com quem terá "celebrado" o aniversário natalício... Entretanto os deputados italianos aprovaram recentemente uma lei de segurança interna e imigração que coloca a Itália entre os países mais duros da Europa no combate à imigração clandestina. A partir de agora, qualquer pessoa que hospedar ou alugar um imóvel a um clandestino poderá ser punida com prisão até três anos.

Perguntarão: e o que tem esta história da Coreia e do Sr.Berlusconni a ver com o título deste texto?...

Tudo.

Porque aqueles que aberta ou intimamente apoiam regimes como o da Coreia do Norte (ou outros de igual pendor totalitário), em nome da ideologia que defendem, sentam-se numa mesma bancada no Parlamento Europeu - a da Esquerda Unitária Europeia, onde o Bloco de Esquerda também se inclui.

E porque os eleitos pelo partido do Sr.Berlusconni (Forza Italia) se sentam, lado a lado, com os eleitos do PSD e do CDS/PP, no âmbito da "família" do Partido Popular Europeu.

É por isso que ao elegermos deputados para o Parlamento Europeu estamos também a contribuir para o reforço destas bancadas e, inevitavelmente, para a força das suas propostas na cena internacional.

Agora, caro leitor, diga-me lá:

- você quer mesmo eleger deputados, para o Parlamento Europeu, que concordem com os princípios ideológicos e apoiem o regime lunático da Coreia do Norte ou outros semelhantes?... Ou que defendam as mesmas "ideias" políticas de Silvio Berlusconni?...


Pois é... Até ao próximo dia 7 de Junho - pense bem!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Construir a Europa


Ao contrário do que muitos pensam, as eleições europeias não são algo a que não se deva dar muita importância. Antes pelo contrário.

Cada vez mais a construção do nosso futuro passa pelas decisões tomadas a nível supracional, nomeadamente no que diz respeito àquelas que provêm da União Europeia. A Europa não é uma mera construção geopolítica - é um espaço de democracia, liberdade, desenvolvimento, entreajuda, progresso. A desejável entrada da Turquia marcará uma nova dimensão - a Europa constituir-se-á igualmente como um exemplo de tolerância religiosa plena, sem abdicar dos seus princípios básicos de modernidade e evolução.

Por tudo isso é importante que saibamos quem nos representa no Parlamento Europeu. Não é irrelevante eleger membros de partidos que partilhem dos sentimentos e princípios da construção europeia ou outros que usam as eleições europeias como "arma de arremesso" para a habitual politiquice interna e, bem lá no fundo, até desejariam a falência deste magnífico projecto de paz e desenvolvimento... Poderá aquele que quer "destruir", ajudar a ... "construir"?...

A nossa alma é Portugal. O nosso presente é a Europa. E o nosso futuro (e dos nossos filhos) dependerá das escolhas que agora soubermos fazer para continuar a honrar e desenvolver este magnífico projecto de Nações que é a União Europeia.