quarta-feira, 4 de março de 2009

Emprego e Democracia


O olhar de alguém que está desempregado fere como um punhal. A tristeza no semblante de um homem (ou de uma mulher) que não consegue arranjar sustento para si e para os seus, interpela-nos a todos.

Há muita gente hoje em dia que voltou a passar fome. Muitas famílias que há poucos anos viviam razoavelmente bem e que agora desesperam para pagar as suas dívidas, para ter dinheiro para pagar a renda da casa, para manter os seus filhos na escola, para (tão simplesmente...) sobreviver. E o desespero é sempre rastilho para a violência, para aproveitamentos extremistas, para a repetição de velhos erros do passado que conduziram quase sempre a experiências totalitárias de sinistra memória.

É por isso que a preocupação número um de qualquer Governo tem que ser, neste momento, a criação de emprego. Simultaneamente, devem ser reforçados todos os planos que visem um apoio prioritário a quem se encontre desempregado, traduzido num real reforço financeiro dos subsídios pagos ou em isenções diversas (propinas escolares dos filhos, alguns custos ao nível da Saúde, despesas com deslocações para escolas ou na procura de trabalho, etc).

O liberalismo selvagem e sem regras conduziu o Mundo à actual crise que começou por ser financeira e já é, efectivamente, uma crise social. Em Portugal os simpatizantes, "teóricos" e defensores do "quanto menos Estado, melhor", das privatizações desenfreadas e da "auto-regulação dos mercados" sempre navegaram, privilegiadamente, nas águas do PSD e do CDS/PP - ainda há pouco tempo um dos candidatos à liderança do PSD defendia, vigorosamente, "a privatização da Caixa Geral de Depósitos" e não devem também ser esquecidas todas as críticas e ataques que o Rendimento Mínimo Garantido sempre suscitou, desde a origem, por parte dos militantes laranja e populares, mais preocupados com os "custos" da medida do que com a sua real valia no apoio a famílias necessitadas.

Agora, parece que padecem de "amnésia"...

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