sexta-feira, 29 de junho de 2012

Com papas e bolos...

Pelo que li um dia destes num jornal local, parece que, finalmente, a Câmara Municipal de Sintra arrancou com as obras para construção do campo de jogos, com relvado sintético, do RRM, em Rio de Mouro.

Após anos a fio em que pouco ou nada avançou nem a obra se concretizou, quero crer que o facto de se realizarem eleições autárquicas no próximo ano se trata, apenas, de uma feliz coincidência...

domingo, 17 de junho de 2012

Português!

apesar da crise,
apesar da seca,
apesar daqueles que me querem
domar,
apesar de tudo,
apesar de nada,
apesar do vento, da chuva
ou do ar,
apesar do medo,
apesar do aperto,
apesar da pistola apontada
à cabeça,
apesar da miséria,
apesar da vergonha,
apesar da alma que vagueia
e tropeça,
apesar da tez,
apesar do feitio,
apesar da fome que se instala
na praça,
apesar dos erros,
apesar das glórias,
apesar da ânsia que se agarra e
não passa,
apesar do grito,
apesar da reza,
apesar da Grécia,
apesar do cerco,
apesar da raiva,
apesar do arnês,

nascia de novo
e era Português.

sábado, 16 de junho de 2012

Um fim de semana decisivo

Estamos perante um fim de semana decisivo para o futuro da Europa e (porque não dizê-lo?) para o Mundo. As eleições na Grécia e em França marcam a agenda política e, sobretudo no primeiro caso, os resultados das mesmas poderão ser determinantes para as "cenas dos próximos capítulos" numa Crise que tem alastrado como fogo em campo de ervas secas.

Revelador dos sinistros tempos que vivemos, a pressão inqualificável que a Alemanha (e não só) tem colocado sobre o eleitorado grego para que dê a vitória à Nova Democracia, partido de Direita que mais facilmente garantirá a implementação da "agenda de austeridade" reforçada que a Srª Merkel continua a ver como "solução única". O que não deixa de constituir uma triste ironia é que foi precisamente a Nova Democracia quem, quando ocupou o Poder, e em conjunto com grandes empresas internacionais de consultoria, "maquilhou" a situação financeira da Grécia para permitir a entrada do País no Euro, com os resultados a que agora assistimos...

Quero acreditar que ainda haverá tempo (e sobretudo lucidez!) para inverter esta escalada rumo ao abismo. A Alemanha só é "grande" no interior da Comunidade Europeia e terá tanto a perder (ou ainda mais...) caso o projecto do Euro fracasse. Neste momento é a Democracia que está colocada em causa e os "abutres" extremistas já rondam nos céus da Europa. Cabe-nos a todos nós, a quem coloca a Liberdade e a Paz acima de tudo, em nome daqueles que nos legaram valores fundamentais e por eles combateram com sacrifício da própria vida, tomar nas mãos agora esse combate decisivo - se não for já por nós, pelo menos pelos nossos filhos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Era uma vez a Casa das Selecções...


Nos últimos dias temos assistido, através de diversas reportagens televisivas, à excelente promoção de que a Vila de Óbidos tem beneficiado, fruto da presença da Selecção Nacional de Futebol naquele Concelho. Obviamente que Óbidos já é conhecida, nacional e internacionalmente, pela beleza natural da sua localização, pelo pitoresco das suas ruas, pelo património histórico, até pelo “licor de ginja” de superior qualidade. Mas um conjunto de eventos, bem selecionados e promovidos, como é o caso do Festival do Chocolate ou da Vila Natal, têm contribuído, decisivamente, para a promoção daquele Concelho, desenvolvimento do comércio e serviços locais e dinamização daquele território no competitivo mercado turístico. O facto da Selecção Nacional ter escolhido Óbidos para estagiar, nos últimos anos, na preparação para o Euro ou para o Mundial de futebol, insere-se, obviamente, nesse conjunto de acções no âmbito do “marketing territorial”, para além de contribuir (não tenhamos qualquer dúvida) para o aumento da auto-estima dos habitantes daquele Concelho, o que não deve ser de forma alguma menorizado, sobretudo nos tempos que correm.

Vem isto a propósito de, ao ver novamente estas imagens da Selecção Nacional de Futebol em Óbidos, me lembrar daquele já célebre projecto da Câmara Municipal de Sintra de construir a Casa das Selecções no nosso Concelho, mais especificamente em Almargem do Bispo. Em 2007, o vereador Luís Duque garantia, em declarações à Lusa, que as obras “nunca tinham parado” e que “a construção arrancava nos primeiros meses de 2008”. Mas tal não se concretizou e, já em 2011, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, acusava explicitamente a CMS pelo falhanço do projecto.

Estamos, assim, perante mais uma das promessas não cumpridas por parte daqueles que, desde 2001, dirigem os destinos deste município –  chegados a 2012, a Federação Portuguesa de Futebol e a Secretaria de Estado do Desporto optaram por contactar a Câmara Municipal de Oeiras e apontar o projecto para terrenos junto ao Estádio Nacional, naquilo que deve constituir o  toque de finados definitivo relativamente à  instalação da Casa das Selecções em Sintra.

Obviamente que agora existirão mil e uma desculpas para que a obra nunca tenha avançado, tal como já existiram para muitos outros projectos que ficaram pelo caminho nestes 3 mandatos, desde a rede de ciclovias até às piscinas em cada freguesia. Uma coisa é certa – há quem anuncie e quem faça; há quem prometa e quem cumpra; há quem faça estudos e quem faça obra. Neste âmbito, sabemos bem de que lado (infelizmente) se tem colocado a maioria de Direita que, há aproximadamente 12 anos, é responsável pela gestão do Município de Sintra. E é por isso que é urgente para Sintra inverter este rumo, transformar as políticas, renovar os protagonistas locais e, sobretudo, voltar a trabalhar COM  os Sintrenses e PARA os Sintrenses!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Obviamente...


Sinais dos tempos que correm. Tempos propícios à expansão do medo, da insegurança, do credo na boca. Um desejo cada vez mais assumido, por parte dos detentores de Poder, de regressarem, rapidamente e em força, à época em que os homens se encostavam à parede da Igreja e o capataz escolhia, a dedo, aqueles que, nesse dia, teriam direito a trabalhar arduamente para assegurar umas moedas.

Passos Coelho, Primeiro-Ministro, já anunciara a Boa Nova – o desemprego é uma “oportunidade” e o trabalho por conta de outrem é um “pecado” a que devemos renunciar. Os nossos jovens serão todos empresários, empreendedores, gurus, CEO´s – nada do revoltante trabalho honesto e esforçado em empresa alheia, na mira do salário seguro e da vidinha equilibrada, coisas a que teremos que renunciar em nome do Progresso e por imposição da troika. Nada de planear a vida – será o que Deus Nosso Senhor Quiser, após aprovação da Srª Merkel, obviamente. Hoje há conquilhas – amanhã não sabemos e entretanto alguns continuam a comer tudo e a não deixar mesmo nada, nem sequer o direito a andarmos de cabeça erguida.

Por estes dias colocou-se mais um tijolo neste novo muro que separará os “eleitos” (os que souberem viver com a indefinição como regra e o “ámen” como resposta à medida) e aqueles que ousarem continuar a acreditar que a Vida de quem trabalha tem que ser mais do que renúncia, sacrifício e austeridade para que a alta finança internacional saia, triunfante e impoluta, do “buraco” onde a sua ganância a enfiou. Por estes dias, um senhor que se chama Paulo Azevedo e é filho de um outro senhor que se chama Belmiro de Azevedo e que teve que fazer o imenso esforço de completar um curso superior e ter depois emprego garantido vitaliciamente no empório de seu poderoso progenitor, o que, como se sabe, é façanha digna de uma epopeia moderna sobre o empresário lusitano e lhe deve ter custado muito sangue, suor e lágrimas alheias – pois este senhor, o Excelentíssimo e Digníssimo CEO da Sonae, afirmou perante um grupo de jovens candidatos a um estágio no Paraíso terráqueo, segundo reportado na Comunicação Social, que “na empresa trabalha-se mais do que 8 horas por dia e não há lugar para mandriões”, sendo que tal só acontece “pela vontade de ir à frente” e porque, na SONAE, não “têm a ilusão de que o dinheiro é o mais importante”.

Responsabilidade social? Conciliação da vida familiar com o trabalho? Respeito pelos horários de trabalho? Qual quê, qual carapuça! Eis o empreendedor que o Dr. Passos Coelho tanto anseia ver em cada jovem português! Em vez de rostos angustiados com a falta de emprego e os projetos de vida adiados “ad eternum”, eis o rosto feliz e sorridente dos novos escravos, pedindo para levar mais pedras ao ombro, para que os chicoteiem mais, para que lhes neguem uma sede de água, tudo para que o Faraó lhes conceda o privilégio de um simples olhar, de um esboço de sorriso, de um aceno de aprovação, face ao inaudito (e gratuito) esforço! Depois da genial campanha de descontos do Pingo Doce, só nos faltava mesmo uma nova campanha “Vamos lá ver quem é que consegue trabalhar mais horas seguidas de borla e até cair” e teremos hordas de desempregados a correr desalmadamente, não o duvido, porque o Homem é aquilo que as circunstâncias definem e o Mundo está negro como carvão.

Não há lugar para madraços na Nova Ordem! E mesmo os velhos e doentes serão tolerados de acordo com limites máximos de encargos para o Estado a definir em cada ano civil – os que “sobrarem” que se conformem, é assim a Vida, ou pelo menos esta que temos, face àquela que nos foram roubando gradualmente.

Aposto que, feitas tão excelsas declarações, o CEO da SONAE, Sua Excelência Dr. Paulo Azevedo, certamente se encaminhou para a paragem de autocarro mais próxima para apanhar  transporte que o levasse para o resto dos seus afazeres diários e regressará, já noite dentro, ao seu modesto apartamento com 15 anos nos subúrbios de Lisboa, 12 horas depois de ter iniciado o seu trabalho, onde degustará uma simples sopa, enquanto pensa, preocupado, como irá pagar o IMI e as propinas do filho, agora que lhe cortaram o magro vencimento, assim como os subsídios de Natal e de Férias… Afinal, como ele próprio afirmou a jovens que anseiam por um simples estágio e que foram brindados com uma lição de Filosofia de Vida de alguém que, aparentemente, sempre comeu o pão que o Diabo amassou (e não me refiro a qualquer padeiro dos hipermercados Continente, que fique claro), já basta da ilusão de pensar que o dinheiro é o mais importante –  obviamente…


sexta-feira, 18 de maio de 2012

"É o consumo, estúpidos!..."


Nick Hanauer é um milionário norte-americano e vive em Seattle. Em Março p.p. foi convidado para dar uma Conferência para a TED, na qual teve oportunidade de dizer (entre outras coisas) o seguinte:

“Posso garantir que os ricos não criam empregos. O que produz mais emprego é o “feedback” entre consumidores e empresas. Só os consumidores podem dar vida a este círculo de procura e de oferta. Neste sentido, um consumidor de classe média pode criar muito mais emprego do que um capitalista como eu. (…) Toda a gente que tem uma empresa sabe que empregar mais gente é uma medida de último recurso, algo que se faz apenas quando o aumento da procura do consumidor o exige. Neste sentido, dizermos que somos criadores de empregos não só é incorreto, como falso. É por isso que as atuais políticas estão de pernas para o ar. Quando se tem um sistema de impostos que beneficia os mais ricos, tudo em nome da criação de empregos, o que acontece é que os ricos ficam mais ricos.”

Simples e revelador. Nick Hanauer coloca o dedo exatamente na ferida e confirma a razão de todos aqueles que consideram que a “austeridade” erigida como “regra” é mais do que um disparate – é criminosa. O círculo vicioso de somar austeridade à austeridade, de diminuir rendimentos indiscriminadamente, de apertar o consumo, apenas conduz à falência das empresas e ao desemprego em crescendo, gerando mais miséria, menos consumo e mais impactos negativos para todo o sistema económico. Não crescem plantas em terreno que não se rega – nem se geram recursos para uma Nação se a sua população vegeta na miséria.

Nick Hanauer sabe do que fala e tem plena consciência que, se continuarmos reféns da lógica predatória dos “mercados” e da insanidade reverente de Governos incapazes de reagir à situação, nada mais restará do que caos e destruição.

Resta acrescentar que a TED se recusou a divulgar o vídeo desta Conferência no seu site (tal como faz com todos os oradores convidados), achando-a demasiado “politizada”… Felizmente o poder das redes sociais evidenciou-se, uma vez mais, permitindo que chegasse ao nosso conhecimento aquilo que Nick Hanauer defendeu e destacando-se a imensa hipocrisia em que vivemos atualmente e que urge desmascarar e combater sem tréguas.

domingo, 13 de maio de 2012

Uma definição acertada

Uma senhora vereadora da Câmara Municipal de Sintra, em entrevista a jornal local, refere que a "obra" do Dr. Fernando Seara nestes dez anos de Presidência é, essencialmente, "imaterial". 

Consultando o dicionário de Língua Portuguesa pode ler-se que "imaterial" significa: 

1. que não é formado de matéria;

2. que não é concreto; incorpóreo; impalpável;

3. espiritual; sobrenatural. 

Olhando para o panorama de Sintra e para o "legado" que PSD e PP se preparam para deixar creio que (infelizmente para os Sintrenses) estamos perante uma definição bastante acertada.

sábado, 12 de maio de 2012

Acordai!

Acabam de ser aprovadas as (graves) alterações ao Código do Trabalho. Com o voto favorável de PSD e PP e a abstenção (desconheço se violenta ou contida) do PS. 


A maioria de Direita, na fase de discussão, não aceitou UMA única proposta de alteração da oposição. Por estes dias, até o assessor do Presidente da República para as questões do Trabalho surgiu a questionar-se sobre a legalidade de algumas propostas (pagamento pela metade de horas extraordinárias) e sobre a "violência" de impor bancos de horas aos trabalhadores, por exemplo. 


Some-se a tudo misto o embaratecimento dos despedimentos, o aumento do número de horas de trabalho sem compensação, a diminuição dos salários, etc, e temos todo um "caldo" favorável à arbitrariedade e à desprotecção da parte mais fraca - o trabalhador. 


Nove deputados do PS votaram contra, desobedecendo à disciplina de voto imposta. Para que conste (e porque o merecem) destaco aqui os seus nomes: Sérgio Sousa Pinto, Isabel Moreira, Pedro Alves, Isabel Santos, André Figueiredo, Paulo Campos, Renato Sampaio, Carlos Enes e Rui Duarte.


Há dirigentes no PS que ainda não entenderam os ventos de mudança e que a "resignação" em nome do acordo com a Troika (aliás, amplamente ultrapassado em muitas das medidas apresentadas) sairá cara a curto prazo, abrindo a porta a todos os extremismos e legitimando reacções que o desespero fomentará.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Com papas e bolos...

O que choca na campanha de "marketing de latrina" que o Pingo Doce ontem desenvolveu obviamente que é a escolha (propositada) da data. 

Se o dono do Pingo Doce queria "ajudar as famílias portuguesas num momento difícil", como foi propalado ( e faz parte da mesma campanha, obviamente), então bem podia ter escolhido o próximo Domingo, dia da Mãe. Ou o Dia de Natal. Ou qualquer outra data que, ainda que rebuscadamente, tivesse alguma coisa a ver com a Família. 

Ao escolher o Dia do Trabalhador obviamente que se acabou a "afrontar" os festejos da data, "manchar" o seu simbolismo, tratar os trabalhadores como uma "manada" esfomeada a quem se acena com um desconto e diz adeus a quaisquer valores simbólicos porque os tempos estão difíceis.

Espantosos (ou talvez não...) também os comentários de apoio à campanha emitidos por dois "sociólogos", o sr. Barreto e o sr. Vilaverde Cabral.  Já agora gostava de saber o que dirão ambos se um destes dias um destes donos de hipermercados resolver fazer uma campanha semelhante num Domingo de eleições...

Por mim, evitarei durante muitos meses (pelo menos enquanto me lembrar desta "campanha") comprar seja o que for no Pingo Doce - e vou riscar com tinta preta a designação "sociólogo" nos livros que tenho do sr. Barreto e do sr. Vilaverde Cabral, para não induzir em erro alguém que lhes pegue inadvertidamente cá por casa...

sábado, 28 de abril de 2012



Plataforma Freguesias SIMtra - presente no desfile do 25 de Abril deste ano, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Defender a coesão social

Em tempos escrevi por aqui (e não só) que era necessário que o PS se preocupasse em apresentar propostas concretas visando apoiar as famílias que, vendo os seus vencimentos cortados unilateralmente pelo Governo, tivessem dificuldades em cumprir com os seus compromissos financeiros.
Fico satisfeito por ver que o PS já apresentou algumas propostas na AR para que famílias com desempregados possam renegociar o pagamento das prestações de crédito à habitação.
Mas não chega - os funcionários públicos foram fortemente penalizados nos seus rendimentos (estando a pagar a factura de uma crise que outros, bem mais poderosos, provocaram) e também deveriam ter a possibilidade de renegociar (com carácter de obrigatoriedade para bancos e financeiras) períodos de carência de capital ou aumento de prazos e baixa nas prestações mensais, bastando apenas apresentar declaração da entidade patronal em como, no âmbito do Orçamento de Estado, lhes foram impostos cortes nos rendimentos mensais.
Evitar a insolvência de quem sempre cumpriu com as suas obrigações e só não o faz agora porque lhe impuseram uma diminuição de salário, não é apenas um dever de cidadania - é a garantia de um mínimo de coesão social e a distribuição justa dos "sacrifícios" por todos (famílias e empresas na área financeira), sem que uns percam a dignidade e outros o lucro perseguido.

sábado, 21 de abril de 2012

Uma simples Rosa

No dia 1º de dezembro de 1955, nos Estados Unidos, Rosa Parks recusou ceder a um branco o seu lugar sentado num autocarro. Rosa Parks foi presa - em Montgomery, capital do Alabama, as primeiras filas dos autocarros de transporte público eram, por lei, reservadas para passageiros brancos. Lá para trás ficavam os lugares nos quais os negros podiam sentar-se.

Naquele dia 1° de dezembro de 1955, Rosa Parks recusou a humilhação. Quando o motorista – branco – exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no autocarro, ela recusou-se a cumprir a ordem, continuando sentada. Com a sua prisão, Rosa abriu as portas do futuro e o seu exemplo levou a um protesto generalizado e à abolição da iníqua lei em Novembro de 1956.

Que nos sirva de lição nestes tempos em que nada parece valer a pena, em que tantos se resignam à inevitabilidade do "empobrecimento" e da exploração de quem trabalha - por vezes basta a coragem de um simples cidadão anónimo para deixar um raio de sol entrar na masmorra mais escura...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Enquanto rir não pagar imposto...


O Governo propôs hoje aos parceiros sociais um limite máximo para o valor do subsídio por morte de cerca de 2500 euros, conforme previsto no Orçamento do Estado para 2012.


Próximas notícias (a esperar) deste Governo:...


- “Governo quer que funcionários do Estado que morram paguem 2500 euros se não avisarem antecipadamente”


- “Governo vai criar imposto apenas para funcionários do Estado que adoeçam: valores variam entre 5% (gripe simples) e 100% (cancro), aplicados sobre vencimento anual”


- “Governo propõe pagamento de salários do Estado em géneros hortícolas – casais com filhos terão ainda direito a 250 gr de carne de porco por mês, por agregado familiar”


- “Passos Coelho confessa estar animado com aplicação do programa da Troika: “Há décadas que PSD queria acabar com o legado do 25 de Abril e esta crise veio mesmo a calhar”.


- “Governo assina protocolo com Sonae e Jerónimo Martins: desempregados vão ser obrigados a trabalhar em hipermercados Continente e Pingo Doce e Estado paga-lhes subsídio de desemprego em senhas de compras naquelas grandes superfícies”


- “Ministro da Saúde afirma: “Acabou o tempo em que estar doente era um direito na Função Pública, agora só quem puder é que adoece porque vamos deixar de pagar seja o que for enquanto o doente estiver de baixa, não há almoços nem doenças grátis!”


- “Ministro da Segurança Interna da China vem a Portugal para estudar a forma como o Governo conseguiu levar Portugueses à indigência, sem necessidade de repressão nas ruas e sem reacção dos visados: “É incrível, porque até nós tivemos aquela questão em Tiannamen, mas vocês estão mais avançados em matéria de lavagem cerebral, conseguiram convencer toda a gente que serem miseráveis e ficarem sem direitos alguns é que é bom!”


- “Governo anuncia alternativa a TGV – o comboio do Nody, que circulará entre Coimbra (Portugal dos Pequeninos) e a Eurodisney. Ministro da Economia, vestido de Nody, fará viagem inaugural e irá encontrar-se em Paris com a Ministra da Economia de França, vestida de Sininho”.


- “Programa Novas Oportunidades surge reformulado – a partir de agora existem 3 opções, Novas Oportunidades Emigração (Governo comparticipa, no final, bilhete de avião, barco ou autocarro a quem terminar Licenciatura); Novas Oportunidades Doação (Governo entrega diploma de Ensino Básico completo a quem efectuar doação de rim, fígado ou coração a empresário rico e que necessite rapidamente de um desses órgãos); Novas Oportunidades Top (Governo entrega diploma do 12º ano completo a jovens que adiram à JSD, tenham apenas o 4º ano do básico, idade até 38 anos, voz de barítono, melena caída para a testa e capacidade comprovada de mentir com ar sério em campanha eleitoral, sendo o exame final feito em mercados com os candidatos a garantirem a criancinhas que jamais cortarão subsídios de Natal e Férias a ninguém)”.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Democracia suspensa

Quando em tempos a Drª Manuela Ferreira Leite afirmou que, eventualmente, seria melhor "suspender a democracia" para resolver a situação do País em determinadas questões, houve muita gente (onde me incluo) que se indignou. Aliás, o PS, no seu conjunto, protestou e demonstrou essa indignação - e muito bem.




Questiono-me, no entanto, sobre tudo aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos 9 meses de governação PSD/PP e se, efectivamente, não estamos perante uma real e bem concreta "suspensão" da Democracia, quando tudo é passível de alteração, modificação, suspensão ou eliminação, muitas vezes contra a Constituição do País, e sempre com o argumento "definitivo" da "crise" e da "emergência nacional".




Os cortes de salários e subsídios são ilegais? "Tem que ser, está no memorando da troika".




As leis do Trabalho são anti-constitucionais? "Tem que ser, é compromisso com a troika".




Etc, etc, etc...




De tal forma a Democracia se encontra "suspensa" que aquele que devia ser o principal partido da oposição e obrigatoriamente dar voz ao imenso desencanto e descontentamento com esta governação neo-liberal, o PS, acaba invariavelmente a abster-se nas questões mais "dolorosas" para os trabalhadores (quando não a subscrever até algumas), preso à camisa de forças de um memorando de entendimento que foi FORÇADO a assinar por esta mesma Direita que (sem hesitações nem concessões) tudo usou (até a situação débil das nossas finanças) para chegar ao Poder!...




Estranhos tempos e fracos actores políticos desta ópera bufa onde Frau Merkel faz de Castafiore prepotente, Passos Coelho e Paulo Portas encenam Tintin e Milou e os dois maiores partidos portugueses estão iguaizinhos ao Dupond e Dupond, deixando-nos cheios de saudades de um tempo em que os Soares eram Mários e os Álvaros eram Cunhais...

domingo, 25 de março de 2012

Dias de tempestade


É impressionante como o Portugal real, concreto, do nosso dia a dia, esteve afastado dos discursos que fui ouvindo no Congresso do PSD, incluindo de Passos Coelho. Desemprego, fome, emigração dos nossos melhores, cortes no rendimento, etc, foram temas que passaram ao "lado" do Congresso de um partido que está, actualmente, no Governo do País. Vi um partido a falar para dentro, enredado em "recados..." internos, em pormenores estatutários, um partido de "barões" a lutar para aparecer e a marcar posições para os próximos actos eleitorais (sobretudo autárquicas), um partido ancorado na desculpabilização com o "passado" (o contrário do que Passos sempre prometeu, mas também aqui, como noutras coisas, já se "esqueceu"...), um partido que tem como "ideologia" o "empobrecimento" do País, enfim, uma encenação pífia da discussão de ideias que (supostamente...) devia existir neste tipo de eventos.


Infelizmente não é exclusivo do PSD, reconheço... e se calhar é por isso que os partidos, que deviam ser "emanações" da vontade popular e representar a vontade dos seus eleitores, estão cada vez mais a transformar-se em "dissonâncias" relativamente a tudo isso, excepto no curto período de campanha em que tudo é possível, tudo é prometido, tudo parece exequível (lembram-se do Passos a garantir a uma criancinha que jamais cortaria os salários ou subsídios dos pais, que era tudo uma invenção esquerdista?...).


Aproxima-se igualmente a hora de votar, no Parlamento, todo um "pacote" de alterações à legislação laboral, no sentido da facilitação dos despedimentos, redução das indemnizações, fragilização dos vínculos de trabalho, etc. Parece que o "progresso" se faz com coisas destas, dizem, e que despedindo mais facilmente e mais barato se fará crescer o emprego... Copia-se o pior do capitalismo desregulado mas nunca o seu melhor - na Alemanha os sindicatos integram, por ex., as administrações das grandes empresas e nada se faz sem o seu aval. Há um mito posto a correr em como a facilitação dos despedimentos garantirá mais emprego para todos, porque haverá mais oferta - mas todos sabemos que, já nos dias de hoje e com toda a precariedade possível na contratação, ninguém emprega pessoas com mais de 35 / 40 anos, são "velhos"...


Uma vez mais o discurso e a realidade não se encontram - nem no Congresso do PSD nem noutras bandas onde a "abstenção" face à dura realidade parece ser a única "estratégia" para ir surfando os dias - que são de tempestade...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Regresso ao passado

Um destes dias, cerca das 21 horas, regressava a casa, a pé, depois de ter concluído sessão de formação que estive a conduzir em horário pós-laboral.


À minha frente caminhava um grupo de 5 pessoas - um casal na casa dos 30 e poucos anos e, pelo que pude aperceber-me, três filhos, de idades entre os 12 / 13 anos e uma pequenita com cerca de 4 ou 5. Pelo percurso que faziam concluí que vinham da igreja local, que àquela hora mantinha ainda aberta uma área de distribuição de alimentos e outros produtos para apoio a famílias necessitadas, creio que com apoio da Junta de Freguesia.


O homem e a mulher levavam grandes sacos onde era possível vislumbrar arroz, massas, batatas, enfim, os víveres necessários para a alimentação do mês. Todas as crianças ajudavam, transportando também sacos mais pequenos com alimentos, incluindo a pequenita, que saltitava e sorria, na inconsciência e pureza da sua tenra idade.


Fui vendo aquela família dirigir-se para casa, em silêncio, no início da noite, saberá Deus com que preocupações para o dia seguinte, talvez com o desemprego a roer a alma, talvez já com a ameça de perder a habitação, certamente um espaço para o medo e incerteza para criar e educar os três filhos... Serão milhares, infelizmente, as famílias portuguesas nesta situação... Mas aquela, sem o saber, acordou em mim a memória de um outro tempo distante em que também vi os meus pais fazerem mil e um malabarismos para viverem com dignidade, numa outra época difícil, sem que nada faltasse aos filhos, mas onde tantas vezes as dificuldades apertavam o coração na calada da noite. Regressou este meu País às trevas da fome, do desemprego, da miséria envergonhada, da incerteza no futuro...


Numa curva mais adiante, a família carregada de sacos com alimentos para o mês, desapareceu - antes de entrar em casa e regressar para junto da minha própria família tive que fazer um breve momento de espera, apenas o tempo do vermelho dos olhos e da pressão no peito já não serem visíveis para os meus.


Mas não consigo esquecer aquela menina que, de saquito com alguns alimentos na mão, inocente, livre, doce, saltitava no meio da família que, abrigada pelo anonimato da noite, carregava o parco sustento para escassas semanas...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Escolher os melhores

Acaba de ser editado o Anuário Financeiro dos Municípios (2010), uma publicação patrocinada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) e realizada por um conjunto de especialistas em contabilidade. Esta publicação divulga desde 2005 uma lista com os municípios que registam um maior nível de eficiência financeira.


Tratando-se de um conceito subjectivo, a avaliação baseia-se num índice composto de 15 indicadores, que avaliam questões como a dívida por habitante, liquidez, endividamento líquido por habitante, resultado operacional por habitante, peso dos custos com pessoal nos custos operacionais, diminuição dos passivos financeiros e das dívidas de curto prazo, prazo médio de pagamento a fornecedores, rigor com que orçamentam despesas e receitas, etc.


Os 10 melhores municípios de grande dimensão ficaram assim ordenados:


1º - Amadora


2º - Vila Franca de Xira


3º - Almada


4º - Braga


5º - Barcelos


6º - Seixal


7º - Oeiras


8º - Vila Nova de Famalicão


9º - Maia


10º - Loures


Infelizmente Sintra não se inclui nesta lista dos 10 melhores, o que só comprova (uma vez mais...) a apagada e vil tristeza em que caímos com PSD e CDS/PP a gerir os destinos da CMS.


De parabéns está o Presidente da Câmara Municipal da Amadora, o socialista Joaquim Raposo, com uma obra notável na gestão daquele município - numa altura em que se testam alguns nomes enquanto possíveis candidatos a municípios relevantes, na área da Grande Lisboa, nas próximas eleições autárquicas, sendo que muitos apenas vazio e incompetência têm para apresentar no "portefolio", estou em crer que autarcas como Joaquim Raposo terão ainda muito para dar em benefício dos territórios e das populações que continuarem a servir.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um novo "mapa"

Temos que olhar para o território da Esquerda apagando fronteiras, fazendo um esforço para ver mais além. Não será fácil, obviamente. Décadas de confrontos, divisões, dogmas, até alguns "combates", no seio dos partidos de Esquerda, criaram "feridas", cicatrizes, divisões.




Talvez só haja uma forma de construir uma nova Esquerda - começando por colocar em cima da mesa aquilo que todos consideram "património comum" ou "valores comuns". Defender os mais fracos. Proteger os mais pobres. Colocar o bem-comum acima do egoísmo estéril. Considerar o Trabalho como valor central. Etc.




Este tempo exige que coloquemos o "mapa" em cima da mesa e não consideremos antigas fronteiras - mas que tracemos novas estradas e pontes a unir territórios.




De outra forma não estaremos a fazer o combate que se exige para defender quem sofre, quem é explorado, quem é humilhado, quem é "castigado" pela actual Crise - mas apenas a "rezar" ladaínhas sem sentido, que já ninguém escuta e que ignoram a urgência da Esperança.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Memória...

"O PEC cumpre o objectivo de reduzir o défice público e o défice do orçamento até três por cento em 2013 e por isso satisfaz a Bruxelas e satisfará em alguma medida às agências de rating, mas não satisfaz a Portugal porque Portugal não precisa só disso precisa de mais do que isso, precisa que esse caminho não seja feito à custa do aumento de impostos (...)".


Pedro Passos Coelho, Março de 2010, declarações como candidato à liderança do PSD