sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sintra ainda tem Presidente de Câmara?...

Abro um jornal e vejo uma notícia a dizer que o nome de Fernando Seara vai ser "testado" pelo PSD enquanto eventual candidato a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Abro um outro e vejo uma entrevista com o actual vice-Presidente da CM Sintra, na qual praticamente anuncia a sua candidatura, nas próximas autárquicas, à CM de Sintra. Abro um terceiro e vejo o mesmo vice-Presidente da CMS nas fotos de todas as inaugurações ou eventos da semana, no Concelho - do Presidente da Câmara, zero.




Enfim...




Estamos, ainda, a praticamente DOIS ANOS das próximas eleições autárquicas. Em Sintra, nunca é demais repeti-lo, a ausência de obra e de projectos de fundo lançou o Concelho, nestes 10 anos de "governação" PSD/PP, na mais apagada e vil tristeza. Não há obra, nem ideias, nem planeamento de futuro, nem visão, nada! Apenas muita conversa, muito "estudo", muita presunção e água benta. E, no entanto, Sintra parece já não ter Presidente de Câmara em exercício efectivo, a DOIS ANOS de eleições - mas apenas a sombra de alguém que já só pensa no que vai fazer a seguir, seja a sombra de quem apenas se preocupa com o que vai fazer fora de Sintra, seja a de quem se posiciona como se nunca tivesse tido responsabilidades efectivas nestes 10 anos de exercício de Poder autárquico, ansiando apenas ser número 1.




Por Sintra e pelos sintrenses, que merecem, acima de tudo, que o exercício de cargos políticos seja muito mais do que a expressão de algumas "guerras de Alecrim e Manjerona" ensaiadas na Comunicação Social apenas para marcar lugar antecipado na grelha de partida "laranja", espero que o PS, em Sintra, nas próximas eleições autárquicas, apresente uma candidatura forte à CMS e uma equipa que marque a diferença, que rompa com este marasmo e que seja constituída, efectivamente, por quem queira trabalhar por Sintra e não pelo seu projecto pessoal de Poder ou afirmação pública.




Estou certo que os habitantes do Concelho, cansados de tanta promessa vã e de tanto vedetismo, saberão distinguir o trigo do joio e dar a resposta adequada no momento em que forem chamados a votar, se efectivamente lhes for proposto um projecto que leve Sintra ( o nosso Glorioso Éden!) a trilhar, novamente, caminhos de desenvolvimento sustentado, inovação, preocupação com o bem-estar dos seus habitantes e atracção de investimento que respeite as especificidades dos espaços e da magnífica História da nossa terra.




É nesse sentido que irei lutar, na medida das minhas possibilidades e no âmbito das minhas responsabilidades políticas a nível local.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Um debate sobre o Documento Verde

Realizou-se ontem em Sintra, no Palácio Valenças, uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para discussão do Documento Verde sobre a reorganização administrativa. Aqui deixo, para memória futura, a intervenção que tive oportunidade de fazer:




"Exmo. Senhor Presidente da Assembleia
Exmo. Senhor Presidente da Câmara
Exmos. Senhores Vereadores
Caros Deputados Municipais
Minhas Senhoras e Meus Senhores
Órgãos de Comunicação Social




Segundo a terminologia da União Europeia, um “Documento Verde” é um documento de trabalho, integrando princípios e propostas genéricas orientadoras de políticas e que visa dar início a uma discussão, procurando recolher contributos, sugestões, melhorias. Não é um documento fechado – é uma proposta para discussão. Não é uma imposição – é uma disposição para o debate.

Essa é a visão do Partido Socialista e é dessa forma que encara a recente proposta do Governo, consubstanciada no recente Documento Verde para a reforma da Administração Local.


Aliás, de há muito que o PS vem defendendo a necessidade de uma reforma na organização do
Poder Local, visando a melhoria da gestão autárquica, a sua modernização, o incremento da
transparência e a prestação de um melhor serviço às populações.


Neste âmbito recusamos, obviamente, uma discussão enquistada na mera aplicação de fórmulas matemáticas sobre espaços diferenciados, nas extinções ou fusões a qualquer custo e sem ter-se em conta a identidade cultural, o contexto sócio-económico e histórico dos diversos territórios. Não se podem tratar da mesma forma, por exemplo, freguesias rurais e urbanas, nem propor extinções de municípios contra a vontade das populações respectivas.


No entanto, reduzir a abordagem e discussão desta proposta apenas às questões de “fronteiras” num novo mapa autárquico é, igualmente, errado e muitíssimo redutor.


O que está em debate é a criação de um novo paradigma de lei eleitoral autárquica, incluindo, por exemplo, o reforço das competências de fiscalização das Assembleias Municipais, a criação de limites de endividamento às empresas municipais e proibição de criação de novas empresas; mais competências para as freguesias; em suma, um novo modelo para a Administração Local.


Torna-se, assim, muito relevante uma reflexão e levantamento da situação actual, pois só com a devida ponderação do caminho percorrido, suas virtudes e defeitos, constrangimentos e
oportunidades de melhoria, será possível avançar para a construção de um novo paradigma.


As casas construídas a partir do telhado, normalmente desabam com estrondo…


A este propósito torna-se, assim, imperativo que o Sr.Presidente da Câmara e também os diversos vereadores responsáveis pelos diferentes pelouros, explicitem nesta Assembleia (aproveitando o debate que aqui se entendeu trazer), que estratégias, que soluções, que ideias têm, por exemplo, sobre um dos eixos essenciais deste Documento Verde e que se refere ao Sector Empresarial Local.


Quantas empresas municipais vão ser extintas? Quantas vão prosseguir e em que termos? Que
implicações vão existir, nomeadamente ao nível dos Recursos Humanos e quais as salvaguardas
para os trabalhadores das mesmas? Igualmente no que diz respeito ao vector da gestão municipal, intermunicipal e financiamento, que reflexão já foi feita pela CMS e que propostas tem para apresentar neste debate, nomeadamente sobre os modelos do Governo de redução de dirigentes ou de criação de novos paradigmas de receita própria?


Recorde-se, a propósito, que em Novembro p.p., a CMS participou na organização de umas
pomposas Jornadas de Gestão e Modernização Autárquica, com a duração de 2 dias e a presença de vários membros do actual Governo. Que ideias válidas para o Concelho surgiram daí e de que forma se conciliam com as propostas do documento Verde? Para ser sincero a única coisa realmente relevante de que me lembro dessas jornadas foram as declarações do Dr. Miguel Relvas, à margem das mesmas, garantindo que não existiam “almofadas” para o Governo poder, pelo menos, pagar um dos subsídios aos trabalhadores da Função Pública…


Talvez haja oportunidade, nesta sessão, para que sejamos esclarecidos sobre a reflexão que possa já ter sido feita nesta matéria e que desconhecemos. Que caminhos e soluções são propostos por quem governa os destinos da CMS? Porque essa é a discussão que, efectivamente, interessa e mal seria que os actuais responsáveis pela gestão deste Município nada tivessem, de concreto, para dizer aos munícipes, aos eleitos desta Assembleia e até aos trabalhadores envolvidos no processo de mudança.


Retomando a análise de algumas propostas do Documento Verde, questionamos, ainda, a “bondade” de algumas propostas, tal como a aglomeração de Juntas de Freguesia para permitir-lhes uma outra dimensão e escala, dotando-as de mais competências e de maior autonomia financeira e administrativa. Tal poderá não passar de retórica inconsequente se depois se cortam cegamente os recursos existentes ou, até, se é exigido maior esforço e mais responsabilidades sem alocação dos competentes recursos financeiros ou humanos.


No caso de Sintra estaríamos, até, perante algumas enormidades, como seria o caso de uma eventual fusão das 3 freguesias do Centro Histórico (S.Pedro de Penaferrim, S. Martinho e Santa Maria e S.Miguel). Se tal viesse a concretizar-se (o que, estamos em crer, não sucederá, assim o bom senso prevaleça) ficaríamos com uma freguesia urbana com uma dimensão territorial praticamente igual ao Concelho de Cascais ou de Lisboa, o dobro de Oeiras e o mesmo que o território dos Concelhos de Amadora e Odivelas juntos. Um absurdo, portanto, considerando a matriz, as características sócio-económicas e históricas das freguesias referidas.


Por tudo isto a posição do Partido Socialista é clara e construtiva:


- de há muito que defendemos a urgência de uma reforma da Administração Local, mesmo quando o PSD, por exemplo, hesitava e era incapaz de se definir nesta matéria;


- estamos, agora, perante aquilo que consideramos ser ainda uma “proposta” do Governo, que deve ser discutida, melhorada, aperfeiçoada, com o contributo de todos, eleitos e eleitores, autarcas e populações envolvidas;


- no que respeita às freguesias, o PS defende um tratamento diferenciado para as freguesias das zonas urbanas e das zonas rurais. Enquanto nas áreas urbanas, é possível e desejável encontrar soluções de racionalidade eliminando a duplicação de estruturas administrativas, no caso das freguesias rurais há que ter em conta que, em muitas localidades, as Juntas de Freguesia se constituem como único garante da presença do Poder democrático e ligação das populações ao Estado;


- em simultâneo, o PS incentiva o associativismo inter-freguesias com o objectivo de ganhar
dimensão para intervir em áreas que o justifiquem, assim como o reforço das atribuições e
competências das comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas;


- recusamos, contudo, pseudo-reformas baseadas em critérios meramente quantitativos ou em cortes cegos de recursos, ditados por burocratas num qualquer gabinete do Terreiro do Paço;


- rejeitamos, ainda, a tentação que este documento, em determinados pontos, expressa de
condicionamento e subordinação do Poder Local ao Poder Central, traduzido em medidas que
limitam ou impedem, mesmo, a liberdade de gestão e organização dos Presidentes de Câmara, nomeadamente no que aos Recursos Humanos diz respeito, indo ao extremo de impor um número máximo de chefias em cada município, pela mera aplicação das tais fórmulas matemáticas cegas.


Finalmente :


O objectivo de uma reforma desta dimensão só pode ser o de aprofundar e melhorar aquela que tem sido a relevante intervenção do Poder Local, desde o 25 de Abril até ao presente, na melhoria das condições de vida das populações, organização territorial e difusão dos valores do Estado democrático.


Estamos disponíveis para aperfeiçoar – não para destruir o que já deu provas de qualidade e
empenho ao serviço dos cidadãos e muito menos para criar esquemas em que o Poder autárquico(democraticamente eleito) saia menorizado ou limitado na sua actuação."

sábado, 1 de outubro de 2011

Sem pão - o circo arde...

Se o capitalismo parece ter atingido um tal estádio que só se mantém à custa da supressão das liberdades, da imposição de sacrifícios sem fim à vista aos trabalhadores em todo o Mundo, do total controlo do Estado para o "reconstruir" de acordo com os interesses privados, etc, então estamos à beira de um período muito perigoso na História actual...


Creio que já o escrevi algures - um homem que já não tem nada a perder e que é levado ao limite da pressão e dos sacrifícios, facilmente estará predisposto para uma revolta incontrolável. E se a pressão nas ruas, com manifestações democráticas, em nada demove um qualquer "plano sagrado" a cumprir em nome de uma eventual "salvação" que ninguém vislumbra, então estaremos a abrir a porta a formas mais radicais de protesto.


O cimento da Democracia (que ninguém se iluda) chama-se "bem-estar" generalizado, emprego, direitos garantidos, livre escolha - se a maior parte destes factores estão, hoje em dia, a ser escandalosamente postos em causa, por conta de uma crise que é FINANCEIRA e que foi gerada pela especulação desenfreada, sendo quem trabalha que sente na pela toda a dureza da "repressão" dos Estados para recomporem fortunas e impérios financeiros, então os cidadãos sentirão que já pouco ou nada também terão a perder. E é nesse momento que nascem as revoluções - e nem todas têm flores na ponta das espingardas, infelizmente...


Uma Esquerda atenta e democrática tem que estar, hoje em dia, altamente preocupada com isto e DEVE exigir um verdadeiro limite para a exploração, castigo ou seja lá o que for que os trabalhadores deste País (e da Grécia, de Espanha, brevemente de Itália ou até de outros países europeus) estão a sofrer! Se ninguém diz BASTA - bastará uma pequena centelha para acender um rastilho que ninguém depois extinguirá com facilidade. E é também por tudo isto que o protesto tem que ter uma escala global, tem que exprimir-se, em simultâneo, nas várias capitais europeias, tem que ecoar de Atenas a Lisboa, de Madrid a Berlim, como um uivo imenso que, de uma vez por todas, acorde estes dirigentes vazios desta Europa sem rumo, meras marionetas de interesses muito elevados e poderosos e que precisam de um grande "abanão"!


A resignação não é opção - muito menos para quem defende valores de Esquerda!