segunda-feira, 22 de março de 2010

E depois do corte de mais uma "fita"?...


A propósito da inauguração, amanhã, do novo Centro Comunitário da Xetaria, em Belas, foi hoje remetido para a Comunicação Social o seguinte comunicado, da responsabilidade dos vereadores do Partido Socialista na CMS:



"XETARIA Um Bairro Esquecido…


No próximo dia 23 de Março vai ser inaugurado o Centro Comunitário da Xetaria, na Freguesia de Belas. Com uma área de construção de 896.81 m2, dividida por 3 pisos, este equipamento social, inserido no PER (Programa Especial de Realojamento), visa responder às carências sentidas nas áreas da Infância e Terceira Idade, num território que aguardava há muito a indispensável infra-estruturação.

Reconhecendo a importância deste equipamento, os Vereadores do Partido Socialista consideram, porém, que a Câmara Municipal de Sintra se alheou progressivamente dos problemas sentidos pela comunidade do bairro da Xetaria, bem como de toda a sua envolvente. Realojar não é apenas deslocar pessoas, significa sobretudo (re)integrar e (re)socializar; garantindo condições dignas de habitabilidade, algo que a Câmara Municipal de Sintra tem descurado.

O bairro da Xetaria é um bom exemplo das erradas opções políticas em matéria de realojamentos sociais. A inexistência de equipamentos, os inapropriados materiais utilizados para a cobertura exterior dos edifícios: [esferovite e tela plástica], as infiltrações, fungos, humidade, isolamento inapropriado, bem como, a ausência de manutenção do edificado são algumas das queixas que não têm merecido resposta por parte da câmara municipal. Como exemplo, vd. Fotos tiradas no n.º 35 da Rua de Portugal).

À assinalável desqualificação do património edificado acresce a degradação do espaço de público de toda a envolvente. A ausência de espaços públicos, iluminação deficiente e escassa [provocando insegurança], a inexistência de espaços verdes e a deterioração de arruamentos e calçadas agravam a insatisfação dos que ali compraram a sua habitação, tudo paredes-meias com um enorme depósito de sucatas, reduzindo a qualidade de vida das pessoas que ali vivem para níveis inaceitáveis.

Os Vereadores do Partido Socialista consideram inaceitável o alheamento da Câmara Municipal e instam o Sr. Presidente de Câmara a aproveitar esta solene ocasião para visitar todo o bairro e perceber, na primeira pessoa, a triste realidade que esta comunidade enfrenta."

segunda-feira, 15 de março de 2010

Uma campanha triste - 2


O Congresso do PSD do passado fim de semana teve dois momentos de espantosa "esquizofrenia política":


- quando Paulo Rangel defendeu a necessidade de uma "maioria absoluta" do PSD para dar um Governo "estável" a Portugal (afinal parece que as maiorias absolutas só são "más" se forem do PS e afinal - helas! - ele até acha que, com maioria absoluta, haverá maior estabilidade governativa!... Genial!...);

- e também quando a maioria dos delegados deste Congresso, de um partido que se diz "social-democrata", votou FAVORAVELMENTE uma proposta no sentido de "punir" (podendo levar à expulsão!...) os militantes que "critiquem a Direcção" do partido nos 2 meses que antecedem actos eleitorais!... Acresce que esta proposta foi apresentada por Pedro Santana Lopes, foi aprovada pelos militantes laranja... e agora os candidatos à liderança vêm dizer que afinal não concordam com a mesma e deve ser "revogada"!... Que grande trapalhada...

Existiram outros momentos reveladores da grande confusão (ideológica, estratégica e de liderança) que o PSD atravessa, nesta sessão de psicanálise colectiva e confissão de "estados de alma" que durou todo um fim de semana no Pavilhao Ministro dos Santos, em Mafra.

Mas as duas situações que destaquei creio que exemplificam bem qual o motivo por que o PSD está há tanto tempo arredado da governação do País - efectivamente, que confiança, que credibilidade, que coerência de discurso e de acção oferece, ao eleitorado, este PSD?...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma campanha triste

A pouco e pouco, os candidatos à liderança do PSD vão começando a demonstrar toda a sua vacuidade e deserto de ideias. Quer pelos debates entre si, quer pelas intervenções individuais de que os órgãos de Comunicação Social vão dando conta, constata-se um confrangedor vazio em termos de propostas (realmente) alternativas para a governação do País.

Passos Coelho (que, relembre-se, antes da recente crise financeira mundial defendia a privatização da Caixa Geral de Depósitos...) tenta "encostar-se", subliminarmente, ao "fenómeno Obama", lançando um livro com o sugestivo (e original...) título de "Mudar" - prevejo saldos do mesmo muito em breve, pelo menos a julgar pela quantidade de exemplares que vou vendo acumulados por aí nas prateleiras... Rangel prossegue com o seu discurso "populista" (bem expresso na triste intervenção que fez, em pleno Parlamento Europeu, sobre a "falta de liberdade de expressão" em Portugal, "internacionalizando" a obsessiva campanha interna contra Sócrates sem olhar para os eventuais prejuízos para a imagem externa do País, no seu todo) muito mais próximo do PP de Paulo Portas do que da social-democracia de Sá Carneiro, e rapidamente "esqueceu" a solene promessa de cumprir o mandato em Bruxelas como deputado europeu. Aguiar Branco faz o que pode para manter a sua candidatura mas já toda a gente percebeu que não é por ali que o PSD vai, realmente, encontrar um verdadeiro líder.

Nas hostes laranja o entusiasmo (seja com que candidato for) também não parece ser a tónica dominante - e até Alberto João Jardim já percebeu a tristeza desta campanha interna, insistindo no pedido para desistirem todos e apelando ao "messias" Marcelo Rebelo de Sousa, sem grande sucesso...

De comum entre todos - zero ideias realmente DIFERENTES para governar o País. De comum entre todos - José Sócrates como "alvo a abater". É pouco (muito pouco) para cimentar um projecto alternativo e uma liderança sólida, como se viu pelo passado recente e pelas sistemáticas campanhas visando (sem sucesso) atingir o Primeiro-Ministro e fragilizar o Partido Socialista.

Já lá dizia a minha avó - "quem não tem cão, caça com gato". Mas é triste (e preocupante) que o único partido com vocação para constituir-se como alternativa de Governo ao Partido Socialista, tenha mergulhado tão profundamente nestas "águas revoltas" e neste marasmo de propostas.