terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O "bufo"


O "bufo" , lembram-se dele?...

Cobarde, mesquinho, soez, o "bufo" está sempre disponível para prestar serviço a quem lhe pague ou proteja. Ouvidos alerta, olhar enviesado, língua afiada, o "bufo" não tem ética, não tem limites, não tem pruridos. Durante o Estado Novo era um aliado precioso da terrível PIDE e não olhava a meios para lamber as botas dos senhores do Regime. Nas empresas veste o fato do empregado zeloso que se faz amigo dos colegas apenas para ver se criticam o chefe, a quem obviamente o "bufo" corre a contar o que ouviu e até aquilo que nunca ninguém disse mas ele inventa facilmente. Está por todo o lado - como as pulgas ou as melgas.

Obviamente que o podemos encontrar por aí, até no restaurante, fingindo ler a ementa - porque o "bufo" adapta-se a qualquer "habitat" e todo o cuidado é pouco.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"Faz o que digo, não o que faço..."

Veio na Comunicação Social: Manuela Ferreira Leite declarou como rendimentos, em 2008, 82.988,88 euros como administradora não executiva no Banco Santander de Negócios; 31.245 euros de trabalho independente; e 114.600,28 euros de pensões acumuladas (!) pelas suas passagens pelo Governo, Parlamento e Banco de Portugal.

Isto é - Manuela Ferreira Leite ganhou mais, apenas em pensões acumuladas, do que José Sócrates pela sua actividade enquanto 1º Ministro!...

Obviamente que não está em causa a legalidade desta situação e certamente MFL terá todo o direito a receber todo este dinheiro de pensões acumuladas. Mais: não será a única a estar nesta situação e certamente existirão outros políticos, de outros partidos, em idênticas circunstâncias.

O que aqui está em causa é outra coisa. É o espírito da velha e centenária República, aquela que defende como valores centrais a liberdade, igualdade e fraternidade, como exemplarmente evocava ontem, em sessão do PS em Queluz, com a presença de Francisco Assis, o meu amigo e camarada Miguel Portelinha. O que aqui está em causa é a capacidade de alguns defenderem para os outros sempre mais sacrifícios e mais rigor, sendo que normalmente esses "outros" são usualmente anónimos funcionários públicos que dão o melhor de si e ganham o salário mínimo e ainda são considerados "privilegiados". O que aqui está em causa é muito mais do que a simples constatação de um facto ou de um direito legalmente adquirido - e está na hora de muita gente que anda na política há anos a fio e que conduziu o País para a situação em que estamos, entender que o ruído já é ensurdecedor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Verdade e aparência


"Quem só é homem de bem porque os outros o ficarão a saber e porque o estimarão mais depois de o ficarem a saber, quem só quer agir bem na condição da sua virtude chegar ao conhecimento dos homens não é homem de quem possamos obter grandes serviços. (...) Não é para alarde que a nossa alma deve desempenhar o seu papel; é dentro de nós, no íntimo, aonde outros olhos não chegam excepto os nossos: ali ela nos protege do temor da morte, das dores e mesmo da desonra; tranquiliza-nos contra a perda dos nossos filhos, dos nossos amigos e das nossas fortunas, e, quando a ocasião se apresenta, também nos conduz para os acasos da guerra. Não por algum proveito, mas pela honra da própria virtude (Cícero). Esse proveito é muito maior e muito mais digno de ser desejado e esperado do que as honras e a glória, que são apenas um julgamento favorável que fazem de nós."


Montaigne, "Ensaios"