quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma ideia para Sintra


Ao contrário de outras cidades e vilas do nosso País, Sintra nunca desenvolveu (propositada ou inadvertidamente) nenhum evento, com impacto significativo em termos de marketing territorial e que se constituísse enquanto pólo dinamizador do comércio local, dos agentes de Cultura, da animação dos espaços públicos e/ou culturais, etc.

Obviamente que existe um Festival de Música (Clássica) de Sintra – mas, não querendo desvalorizar o mesmo, trata-se de um evento demasiado elitista e que não constitui, de forma alguma, uma “marca” distintiva imediatamente associada ao Concelho.

Dou exemplos concretos daquilo a que me refiro: Óbidos e o Festival do Chocolate ou, agora, a Cidade do Natal; Amadora e o Festival de Banda Desenhada; Cascais e o Festival de Jazz; Loulé, Sines ou Ovar e os Desfiles de Carnaval; o Porto e o Fantasporto; o Estoril e o Festival de Cinema; etc, etc, etc. São eventos que dinamizam aqueles territórios, atraem visitantes, mobilizam a população residente, apoiam o comércio local.

Sintra tem uma paisagem natural e um património notáveis e únicos que só farão sentido se forem "vividos" e usufruidos. Por outro lado, há todo um Concelho que se estende muito para além do Centro Histórico, da Pena ou do Castelo dos Mouros e que carece, igualmente, de processos de atracção e animação.

Pela sua História, pela sua ligação ao esotérico e misterioso, pelo seu romantismo, pelo seu “ambiente”, pelas actividades características da região, Sintra tem todas as condições para conceber um ou dois grandes eventos similares àqueles que apontei anteriormente. Imagine-se, por exemplo, todo um conjunto de eventos ligados à sub-cultura “
Gótica”, desde a atribuição de um Prémio Literário na área do Fantástico (que bem se podia designar, por exemplo, “Lord Byron” e ter um Dan Brown a entregá-lo em Sintra...), agora que os romances de “vampiros” até estão novamente na ribalta; um festival de Cinema sobre o tema com sessões em diversas salas do Concelho; organização de festas temáticas em locais de diversão nocturna; encenação de espectáculos de teatro em diversos espaços culturais (ex: Regaleira, Palácio da Pena, CC Olga Cadaval, Teatroesfera, associações diversas do Concelho); organização de uma Conferência internacional com especialistas em temas esotéricos, etc. Alguém duvidará do impacto de uma iniciativa deste tipo no tecido social e económico do nosso Concelho, para além das potencialidades enquanto “marca”, mesmo para além do território nacional?

Obviamente que os poderes públicos, ao nível local, são determinantes no “kick-off” de qualquer projecto deste tipo, devendo assumir a “liderança” do mesmo, gerando apoios e alargando o seu espaço de influência – mas até quando continuarão a fazer de “Bela Adormecida” em Sintra?...

domingo, 29 de novembro de 2009

O "revolucionário" no seu labirinto

O inefável Hugo Chavez não pára de surpreender o Mundo - infelizmente, cada vez mais pela negativa.

Agora resolveu elogiar Idi Amin Dada, designando-o como "patriota" e "nacionalista". Ora acontece que este "patriota", ex-governante do Uganda, foi "apenas" responsável pelo assassinato de 300 000 opositores de outras etnias daquele País - e já se sabe como Chavez também "adora" quem se opõe aos seus desígnios de "ditador em construção"...

Outros "patriotas" que também já mereceram o elogio e aprovação de Chavez foram Robert Mugabe (cerca de 20 000 assassinatos no âmbito da limpeza étnica no Zimbabwe, coisa de "aprendiz", comparando com Idi Amin) e o presidente Ahmadinejad, do Irão, que se celebrizou por negar o Holocausto e procura afanosamente a produção de bombas atómicas, eventualmente para acabar de vez com Israel e conseguir bater os "records" dos anteriores "elogiados"!...

Não há dúvida que há coisas que nunca mudam e a ascenção de um ditador (seja ele fascista ou comunista) tem destes pormenores que se revelam, gradualmente, em cada passo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Até quando?...

A voragem mediática, a maledicência gratuita e a rapidez com que tudo se apaga e esquece, são marcas (pela negativa) do Mundo em que vivemos.

Envolvidos, hoje em dia, num estranho "clima" com laivos quase pidescos, pantanoso, por vezes roçando a esquizofrenia, acordamos todos os dias com uma única certeza: as notícias de hoje serão ainda piores do que as de ontem, chafurdarão mais fundo, confundirão mais o cidadão comum. Nem uma réstia de esperança, nem um sinal positivo, nem um esboço de caminho - apenas o "bota-abaixo" como princípio, a suspeição como arma e o negrume como horizonte.

Em Portugal temos um partido que devia constituir-se como alternativa de governação ao PS, que devia surgir junto do eleitorado com as suas propostas diferenciadas para governar o País, mas que, não o fazendo, já não hesita em utilizar a vulgaridade dos tablóides ou o vómito do julgamento na praça pública naquilo que se designa como "combate político". Parece que, não tendo conseguido ganhar as últimas eleições legislativas nas urnas, o PSD pretende "ganhá-las" um destes dias através da corrosão do carácter dos seus adversários políticos, com o Primeiro-Ministro à cabeça, ele que certamente já terá direito a entrar no Guiness como o político com o maior número de "acusações", "suspeições" e "investigações", desde a vida privada à pública, de todo o sempre!

Aliás, de política (no sentido mais nobre da palavra) já desde as eleições que pouco fala o PSD - mas apenas de "escutas", de processos, de Tribunais, de suspeitas, de diz-que-disse, de lamentações, de tricas sobre a liderança que não tem ou sobre aquela que continua a procurar, etc, etc, etc.

Fora de tudo isto há um País para governar. Um País que não se "congela" para assistir a este desfile de monstruosidades. Um País que tem que ter ânimo, esperança, projectos que lhe apontem o futuro. Um País que não pode estar refém de estratégias partidárias de baixo coturno. Um País com gente real, com problemas concretos, que exigem o arregaçar de mangas e não a comiseração, o desalento, o encolher de ombros.

A situação seria diferente (para melhor) se o PS tivesse obtido nova maioria absoluta? Creio convictamente que sim. Constatou-se que, afinal, nenhum partido da chamada Oposição queria dialogar sobre nada com o PS, mas apenas impôr-lhe condições ou limitar-lhe a actuação. Ninguém se mostrou disponível para trabalhar, em conjunto com o Governo eleito, numa alternativa que gerasse maior estabilidade governativa. Afinal, depois de tantas acusações de "arrogância" dirigidas ao anterior Governo, aquilo a que assistimos nos últimos meses foi à intransigência mais absoluta por parte de quem não ganhou as eleições para tentar condicionar as opções e caminhos que o Povo Português colocou em primeiro lugar. A Vida desmascara sempre estas situações...

Resta a memória dos factos para confrontar a miséria intelectual de quem não tem projectos, nem opções, nem rumos novos para os Portugueses, mas apenas tédio, medo, enfado ou suspeitas caluniosas para lançar ao vento - por isso aqui deixo o acesso a documento da Fundaçao Res Publica que é bem exemplificativo daquilo que foram as marcas da governação socialista com maioria absoluta e que tantos se afadigam em esconder ou ignorar, nestes tempos de cinza.