sábado, 18 de abril de 2009

Mais uma obra da "Sintra-Empata"...


Ontem, na Escola Básica 1/Jardim de Infância de Monte Abraão, registou-se a queda do tecto da sala de professores, deixando feridos quatro docentes, que foram transportados de ambulância para o Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa.

Esta escola foi construída há pouco mais de um ano pela Câmara Municipal de Sintra (empresa municipal Educa) e terá vários defeitos de construção já assinalados e referenciados há algum tempo, nomeadamente pela Presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, no que diz respeito a infiltrações e problemas na abertura dos portões de entrada que, ontem, tiveram que ser arrombados pelas forças de segurança para poderem entrar dentro da escola e socorrer as vítimas.

Felizmente nenhuma criança ficou ferida, mas obviamente que o acidente causou grande transtorno, agitação e pânico junto dos alunos e suas famílias. Os pais receiam, legitimamente, a reabertura da escola sem que esteja garantida a total segurança destas instalações.

É mais uma história daquilo que eu chamo a "Sintra-empata" e dos responsáveis políticos pela gestão deste Concelho nos últimos 8 anos - exemplar!...

Uma descoberta em Queluz


Já é considerada como uma das mais relevantes descobertas dos últimos anos, no que diz respeito à reconstituição da nossa História. Há cerca de 1 ano, no Pendão, em Queluz, num armazém do Estado, um funcionário "descobriu" cerca de uma centena de caixotes com documentação relativa à governação de Salazar, referente aos anos entre 1938 e 1957.

Durante o tempo entretanto decorrido a documentação tem vindo a ser tratada e analisada pelos técnicos da Torre do Tombo e brevemente ficará à disposição, essencialmente, de historiadores e outros investigadores sociais, para que mais algumas peças do "puzzle" se encaixem e seja mais profundamente conhecido este período da nossa História.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Reflectir sobre Educação com Aldo Naouri


"Educar os Filhos - Uma urgência nos dias que correm", editado em Portugal pela editora "Livros d´Hoje", é um interessante livro do pediatra Aldo Naouri.

Aldo Naouri tem várias obras onde reflecte sobre uma questão básica - o princípio de toda a educação reside na obediência e adesão a um conjunto de regras, de forma a que possamos viver em sociedade. Uma sociedade de indivíduos centrados sobre si próprios, em que as regras parecem não existir ou não lhes dizer respeito, é uma sociedade que caminha para o "abismo". Por isso as questões da educação não são apenas questões de desenvolvimento pessoal - são "chaves" para entender a sociedade que estamos a construir.

Polémico, visceral, provocador, até, Aldo Naouri não hesita em enfrentar, olhos nos olhos, uma situação onde já não bastam os "relatórios de situação" - é altura de tomar decisões. Respigo algumas afirmações contundentes em recente entrevista dada ao jornal Publico:

- "Os pais e os filhos não estão no mesmo nível geracional, entre o pai e a criança a relação é vertical. Ao educarmos a criança, queremos elevá-la, fazê-la ascender ao nosso nível, ou seja, partimos do bebé para fazermos um adulto. Quando damos uma ordem e a explicamos, a relação vertical torna-se horizontal porque permitimos à criança que possa negociá-la. No entanto, ela precisa de saber que há limites";

- "Dizer “não” a uma criança é como o parapeito de uma ponte, em cima da qual ela se encontra. Se não houver esse parapeito, a criança cai para o vazio e nenhum pai quer que isso aconteça. O “não” é uma protecção";

- "Os pais são permissivos porque a ideia da democracia e dos direitos está muito espalhada. Ao criar as crianças de um modo ditatorial e autoritário, estas vão aprender a reprimir. A partir desse momento, compreendem que os outros também existem e, no futuro, serão democratas. Mas, se os criarmos em democracia, como se fossem iguais aos pais, vão crescer centrados sobre si mesmos, vão crescer como fascistas. O que é um fascista? É um indivíduo que pensa que tem todos os direitos";

- "Hoje os pais procuram o prazer da criança e devia ser ao contrário. Os pais têm mais direitos, mas também mais deveres. O direito de saber o que é que lhes convém e às crianças e o dever de o impor à criança";

- "Em nome do egoísmo pessoal tomamos decisões que são prejudiciais para as crianças. As crianças filhas de pais divorciados divorciam-se mais rapidamente. As crianças de famílias monoparentais são crianças sós. Quanto aos casais homossexuais, a criança é como que um produto. Temos direito à felicidade, à saúde, a tudo o que queremos e também a uma criança. Isso é desumanizante";

- "A função da escola não é educar, a educação deve ser dada nos três primeiros anos de vida, pelos pais. A escola faz isso como paliativo, mas não chega, porque a educação é um problema e responsabilidade dos pais".