sábado, 21 de março de 2009

O Provedor de Justiça e a falta de memória do PSD


A recente polémica sobre a eleição de um novo Provedor de Justiça veio constituir mais um momento patético por parte da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. Com aquele ar sisudo que ela deve achar que lhe dá "pose de Estado", apareceu nas TV´s com um discurso moralista sobre o PS e a ocupação de "todos os altos cargos", exigindo que a nomeação para o cargo de Provedor de Justiça fosse da Oposição, isto é, do PSD, claro...

Anteriormente já surgira o actual Provedor de Justiça (ligado ao PSD) a dizer que está ansioso por sair do cargo, que todos os prazos já foram ultrapassados e até citou Zeca Afonso e a sua canção dos "Vampiros", para dizer que o PS quer "comer tudo" e por isso não abre mão desta nomeação.

Vamos lá então aos FACTOS:

quem foram os Provedores de Justiça ao longo do tempo e por que partidos foram indicados?

- o primeiro de todos, responsável pela instalação da Provedoria, foi Manuel da Costa Braz, um militar do MFA, à época tenente-coronel de Artilharia, nomeado por Costa Gomes (Presidente da República) - 1975-1976;

- passando depois o cargo a ser ocupado em função de eleição parlamentar, seguiu-se no exercício do mesmo José Magalhães Godinho (PS) - 1976-1981;

- Eudoro Pamplona Corte-Real (AD) - 1981-1985

- Ângelo Almeida Ribeiro (PS) - 1985-1990

- Mário Raposo (PSD) - 1990-1991

- Menéres Pimentel (PSD) - 1992-2000

- Nascimento Rodrigues (PSD) - 2000 até à actualidade

Conclusão: desde 1990 que o cargo tem sido ocupado, sucessivamente, por personalidades indicadas e relacionadas com o PSD. Dezanove anos sucessivos, incluindo Governos de maioria PSD/CDS-PP, alguns dos quais contaram com a presença de Manuela Ferreira Leite como Ministra. Repito, para que não reste a mínima dúvida - DEZANOVE ANOS SUCESSIVOS de ocupação deste cargo com personalidades indicadas pelo PSD.

Por isso das duas, uma:

- ou a actual líder do PSD está a ficar com falta de memória (o que não deixa de ser preocupante para quem tem tais responsabilidades) ou efectivamente, na falta de argumentos válidos e de um projecto alternativo mobilizador, já a tudo recorre para procurar atacar o PS e o actual Governo, tentando criar na opinião pública uma ideia, sobre esta temática, que nada tem a ver com a realidade.

Porque os FACTOS não mentem!

Vem aí a "Saloia TV"


A partir do próximo dia 1 de Abril (e garanto que não é mentira!..) a "região saloia" vai passar a dispôr de um novo canal de televisão, acessível a partir da Internet - a Saloia TV.

É um projecto dirigido pelo João Rodil e pelo Guilherme Leite e espero, sinceramente, que venha agitar as "águas paradas" da informação local e proporcionar espaços de divulgação e discussão das questões relevantes que dizem respeito ao nosso Concelho.

A Saloia TV dará relevo, igualmente, à informação sobre os Concelhos de Loures e de Mafra.

Votos de felicidades para o João e para o Gulherme Leite, porque esta é uma "aventura" muito difícil nos dias que correm mas é fundamental para o desenvolvimento de uma opinião pública local e para o incremento da participação cívica.

Dia Mundial da Poesia


Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia.


Permitam-me que "celebre", à minha maneira, deixando aqui um poema de uma das actuais poetisas portuguesas que mais me emocionam e fascinam - Maria do Rosário Pedreira:



"Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante

o sono - a ausência não te apaga como a bruma

sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos

meus sonhos um território suspenso de toda a dor,

um país de verão aonde não chegam as guinadas da

morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí


nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo

que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te

chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com

lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum

ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me


depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar

e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro

escuro desse sonho. Não sabem


que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu

nome - porque a memória é uma fogueira dentro

das mãos e tu onde estás também não me respondes.


(in "Nenhum Nome Depois" - Gótica - 2004)