segunda-feira, 2 de março de 2009

Bloco de dúvidas...


Eis o que nos diz a Wikipédia sobre o Bloco de Esquerda:

"O Bloco de Esquerda (BE), nasceu em 1999 da fusão de três forças políticas: a União Democrática Popular (marxista), o Partido Socialista Revolucionário (trotskista mandelista) e a Política XXI, às quais se juntaram vários outros movimentos posteriormente.

Qualquer uma delas, à época, definiam-se como resultado de processos de crítica em relação ao chamado «comunismo» ou «socialismo real», mantendo a referência comunista através da reflexão e da discussão sobre a actualidade do marxismo. Membro do Secretariado Unificado da IV Internacional, o PSR herdava a tradição trotskista, oposta ao estalinismo; a UDP, geralmente associada ao maoísmo, apresentava-se como desligada de quaisquer referências no campo comunista internacional, posicionando-se em ruptura com todas as experiências de "socialismo real"; a Política XXI resultara, por sua vez, da união de ex-militantes do Partido Comunista Português, pelos herdeiros do MDP-CDE e por independentes. Na formação do Bloco juntaram-se ainda pessoas sem filiação anterior, mas que já haviam mostrado identificar-se com os movimentos indicados, destacando-se, no grupo inicial, Fernando Rosas (a sua antiga filiação no PCTP-MRPP havia acabado há muito).

Desde o início, o Bloco apresentou-se como uma nova força política que não negava a sua origem nos três partidos citados e que tinha uma organização interna democrática, mais baseada na representação dos aderentes do que pelo equilíbrio partidário. A adesão de novos militantes, sem ligação anterior a qualquer um dos partidos originários contribuiu para esse efeito.

O Bloco foi incluíndo ainda outros grupos e tendências: desde pequenos grupos políticos, como a Ruptura/FER, até grupos que, não sendo organizações políticas, são grupos de interessse constituídos já dentro do Bloco: mulheres, LGBT, sindicalistas, ambientalistas, etc. O Bloco reivindica a independência destes grupos em relação à política geral do partido.

Entretanto, os partidos constituintes entraram num processo de auto-extinção. A Política XXI já se extinguiu, tornando-se numa associação de reflexão política que se exprime numa das revistas da área do BE, a Manifesto. O PSR também se extinguiu, transformando-se igualmente numa associação que se exprime numa revista, a Combate. Quanto à UDP, foi a última das organizações fundadoras a transformar-se em associação política, no início de 2005. Edita igualmente uma revista, A Comuna."

É desta "amálgama ideológica" que nasce o Bloco e é bom recordá-lo num momento em que alguns pretendem ver no Bloco uma "alternativa de Esquerda" ao PS. Mas uma "alternativa" para quê? Que modelo de sociedade pretende o Bloco construir? Que valores fulcrais defende o Bloco? Que disponibilidade tem para apoiar uma solução de Governo liderada pelo PS, na eventualidade deste partido não obter a maioria absoluta? Creio que nenhuma.

Estas e outras interrogações devem ser levantadas e o Bloco deve ser confrontado com as mesmas, essencialmente para que o eleitorado seja esclarecido em vez de ser iludido com o habitual "folclore" deste partido. Em Lisboa, na gestão da CML, tivemos um pequeno exemplo de como o Bloco "foge" quando os compromissos são concretos e os desafios são de ordem prática, retirando rapidamente a confiança política no seu vereador eleito que se disponibilizou para trabalhar com António Costa e com o PS.

Um voto no Bloco, em nome de um qualquer "protesto" contra algumas medidas do actual Governo, não se traduzirá na construção de qualquer alternativa para governar o País e é importante que as pessoas estejam conscientes disso. O protesto pelo protesto é estéril e inútil. E, na actual situação de crise que vivemos, há "protestos" que podem configurar autênticos "suicídios" em termos da governação do País...

domingo, 1 de março de 2009

Para memória futura III




Excerto da Acta da Assembleia Municipal de Sintra – 27 de Novembro de 2008

"O Deputado António Luís Oliveira dos Santos Lopes, do PS, referiu: Vou ser rápido, porque parece que o tempo do Partido Socialista está a acabar, segundo disse ali o Senhor Deputado da CDU! Não sei se iremos ser encostados à parede aqui dentro ou lá fora mas, antes que o nosso tempo acabe, eu vou acelerar para poder dizer qualquer coisa! Relativamente à CDU, sou sincero, depois da intervenção do Senhor Deputado Miguel Carretas, a tentação era grande de lhe dar alguns esclarecimentos. Mas não vale a pena! E não vale a pena por duas coisas: É que não é o nosso tempo que está a acabar, mas é o tempo da CDU que já acabou há muito tempo, como se vê pelos resultados eleitorais sucessivos e, portanto, o nosso adversário político não é a CDU, mas o nosso adversário aqui nesta Assembleia e aqui em Sintra é a maioria de Direita que governa a Câmara. A CDU prefere apontar as suas baterias para o Partido Socialista, mas já estamos habituados pois há trinta e tal anos que assim sucede.

Relativamente à intervenção do Senhor Presidente, confesso que por vezes fico um pouco confuso! Que o Senhor seja um orador brilhante por vezes, sobretudo quando usa aquela expressão – que hoje não usou – do Ballet Bolshoi! Não sei se vai usar mais daqui a pouco, não? Mas fico confuso porque, quando a obra surge, como é o caso do IC19, do IC30, do IC16, quando há obra que é visível, aí o Senhor reivindica os louros de ter andado a pressionar o Governo, os Ministros e aquilo apareceu porque o Senhor insistiu; mas quando as coisas não aparecem feitas, a culpa é de toda a gente menos do Senhor! É da Piedade Mendes; é dos Deputados Municipais do PS, na primeira linha, penso eu; a seguir já vai para os Vereadores do PS, os que já não têm pelouros; e já acaba no Engº Sócrates, que folgo que ande a lê-lo com atenção! É bom sinal!

De qualquer maneira, gostaria de lhe deixar uma sugestão, que penso que poderá ajudar a Câmara: Uma vez que o Senhor Presidente referiu tão insistentemente a falta de recursos, eu penso que há um recurso que, em último grau, o Senhor pode utilizar, nomeadamente, para questões de âmbito social, que foram aqui tão referidas, que são aqueles 30 milhões de euros que iria empatar no enterramento dos cabos de alta tensão! Nunca mais se falou nisso, mas foi uma promessa que o Senhor fez e assumiu que era a Câmara Municipal que iria assumir esse custo. Bem, em caso de crise e já que ouvi aqui intervenções de Deputados da maioria tão preocupados com a crise social, têm pelo menos esses 30 milhões de euros que podem desviar para isso! "

XVI Congresso Nacional do PS


O Congresso do PS decorreu em Espinho, durante este fim de semana. Sem qualquer dúvida relativamente à liderança (José Sócrates continua a ser, naturalmente, o líder do partido), ficou uma mensagem clara e expressiva: só com nova maioria absoluta se reunirão condições para um Governo estável e capaz de continuar a enfrentar a grave crise que assola o Mundo.

Com uma Direita incapaz de construir um verdadeiro projecto alternativo e sem liderança digna desse nome; com uma Esquerda que oscila entre o radicalismo "chique" do Bloco e o modelo leninista do PCP; o projecto do PS, de uma Esquerda democrática, moderna e reformista, assume-se, efectivamente, como a única alternativa sólida para os próximos anos na governação do País.

É isso que os militantes e simpatizantes do Partido Socialista devem defender e clarificar junto do eleitorado, com assertividade e empenho.

Não vai ser um combate fácil - mas o País exige que seja feito, tal como outrora nos foi exigido o combate às tentativas totalitárias do PCP ou na defesa, sem hesitações, da nossa integração na Europa das Nações.