quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

É hora!


Barack Obama tomou ontem posse como Presidente dos Estados Unidos da América (e também um pouco do resto do Mundo...). De repente, valores como a ética, a compaixão pelos mais fracos, a honra, a tolerância, etc, parecem ter aproveitado a ocasião para sair do armário, depois da longa "hibernação" durante um certo "Inverno economicista"...

Obama é um sobressalto num planeta que viveu demasiado tempo num embalo cínico. Estou certo que, sendo imperfeito como todos nós, terá momentos de erro e hesitação. Mas nem isso impede este homem de ser um imenso grito de alívio num Mundo onde o politicamente correcto semeou úlceras e medo.

Vão agora surgir muitos a tentar vestir este novo fato, mas o mesmo vai ficar-lhes sempre apertado e sufocá-los-á. Usarão as palavras certas mas nada fará sentido. Serão persuasivos mas a máscara cairá na primeira curva.

Há momentos em que é preciso perdermos o medo. Olharmos de frente aquilo em que acreditamos. Arriscar sem rede. Só temos esta Vida e seremos confrontados com o que fizemos com ela.

Evocando Abraham Lincoln, o Presidente que Barack Obama elegeu como modelo:

"Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente".

Sobressaltemo-nos - é hora!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tropeções


Com a devida vénia, transcrevo o editorial do "Diário de Notícias" de 18 de Janeiro p.p.:

"As opiniões de Manuela Ferreira Leite sobre o TGV têm vindo a revelar bastante ligeireza a tratar de um assunto muito relevante para Portugal. Vamos por partes. A construção do TGV foi sancionada, em 2003, por um acordo entre Portugal e Espanha, assinado na Figueira da Foz, pelo então primeiro-ministro, Durão Barroso e pela ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Só isto já devia levar a algum recuo a líder do PSD, e impedi-la de dizer hoje, mesmo sob o argumento da crise, que uma vez chegada ao Governo se "risca por completo" o projecto.

Por outro lado, um governo de um país da União Europeia não pode, ou não deve, denunciar unilateralmente acordos com outros Estados membros. A construção do TGV tem apoios comunitários atribuídos a esta obra em concreto. É demagogia defender a reorientação do investimento quando as normas da UE não permitem a transferência das verbas. E, no fim da linha de argumentação, podemos questionar-nos se Portugal pode ficar de fora do projecto de Alta Velocidade Europeu.

São estas questões, ainda mais sérias em tempo de crise, que os portugueses querem e devem ter respondidas e problematizadas. Isso e não politiquice, como as acusações - infundadas - feitas à Lusa. Quem exige, e bem, que em política é preciso falar verdade não pode revelar tal propensão para a falta dela. A um candidato a primeiro-ministro exige-se o trabalho de casa. E Ferreira Leite, manifestamente, não o fez. "

Nem mais!...

P.S. - Ontem, no encerramento do XVIII Congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada, Manuela Ferreira Leite acusou o primeiro-ministro, José Sócrates, de ser "o coveiro da pátria". Não há dúvida - a senhora está de cabeça perdida e alguém devia aconselhar-lhe, rapidamente, novo período de silêncio!...

sábado, 17 de janeiro de 2009

75 anos do "Jornal de Sintra"


O "Jornal de Sintra" comemorou recentemente 75 anos de existência. No âmbito das iniciativas para celebrar estes 75 anos (onde se incluem exposições, publicação da história do jornal, etc), a CMS decidiu atribuir-lhe, muito justamente, a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro.

Como "breve" colaborador do jornal nos "longínquos" anos 80 (ver aqui), deixo, apenas, uma pequena nota de estranheza neste momento de celebração - que o nome de Maria Almira Medina, filha do fundador deste jornal, ex-directora do mesmo, insigne escritora e artista plástica de Sintra, tenha sido tão pouco referido (em certas situações, até ignorado) neste momento de evocação da história de algo que é profundamente seu, quanto mais não seja pelos laços de sangue com o seu fundador, António Medina Júnior.

Relembro, ainda, outro grande jornalista e conhecedor profundo de mil e uma histórias de Sintra, que foi também, durante alguns anos, colaborador regular do "Jornal de Sintra" - José Gutierrez. Espantou-me não ver nem uma linha escrita, nesta hora de evocação da história do jornal, sobre este ilustre colaborador do mesmo em tempos idos e que, infelizmente, já não está entre nós.

Existiram "vários" Jornais de Sintra" ao longo dos anos, em função de quem dirigia os seus destinos, do contexo económico, histórico, etc. Mas a História do "Jornal de Sintra" (que é, também, parte da História recente de Sintra) é apenas uma - e as molduras "vazias" na parede reclamam quem as preencha. Deixo o desafio para quem, mais do que responsabilidade, tem esse dever, face à pretensão de relembrar e "consolidar" a História (integral) desta publicação.

Parabéns, "Jornal de Sintra"!...