domingo, 7 de dezembro de 2008

Crises privadas


Sinceramente, não entendo a necessidade do Governo "salvar" o Banco Privado Português (BPP). Trata-se de um banco que gere fortunas de gente (muito) endinheirada, daquela que, quando está na "mó de cima", reivindica sempre "menos Estado" em tudo, desde a Saúde à Educação. Agora, que estão em dificuldades, parece que afinal é ao Estado que apelam...

Nem mesmo o argumento de manter o "rating" do País parece ser o argumento decisivo - o BPP não tem "peso" no sistema financeiro que o justifique.

Ironia das ironias: no momento em que o BPP "agoniza", o seu ex-Presidente, João Rendeiro, lança um livro que é anunciado na Imprensa como sendo a "história de um dos investidores mais respeitados do mercado financeiro português"... Já agora uma nota final - o prefácio é assinado por João Cravinho.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Coerências"


Foi publicado este ano pela Secretaria-Geral do Ministério da Educação o livro "Quatro Décadas de Educação - 1962/2005". Nesta obra são apresentados depoimentos dos diversos Ministros da Educação que exerceram funções entre 1962 e 2005.

Respigo uma das questões ali colocadas a um destes responsáveis:

«Questão: As reformas que na altura entendeu por bem promover depararam com que tipo de dificuldades?

Resposta: As dificuldades concentraram-se na falta de consciência de muitos dos intervenientes para a urgência e dimensão das mudanças que era necessário empreender, bem como no escasso tempo político em que foi possível iniciá-las. Em matéria de educação, o tempo que se perde é irrecuperável e esse sentimento transmite uma grande ansiedade aos seus responsáveis».

Quem proferiu estas palavras?...

Manuela Ferreira Leite.

A mesma Manuela Ferreira Leite que em Abril deste ano afirmava, sobre as reformas em curso na Educação, que realmente "o sistema não funcionava" e "era preciso alterá-lo" (entrevista à Rádio Renascença), dando um claro sinal de apoio às politicas desenvolvidas pelo Governo PS nesse âmbito. Ainda em Abril, durante as Jornadas Parlamentares do PSD em Vilamoura, a mesma Manuela Ferreira Leite, ao ser questionada pelos deputados do PSD sobre as funções do Estado, respondeu que começaria por privatizar «aqueles sectores em que os privados já estão, como a saúde a educação».

Finalmente em Novembro p.p. a ex-ministra da Educação parece ter subitamente mudado de ideias e em declarações aos jornalistas depois de se reunir com professores militantes do PSD que são também dirigentes sindicais, na véspera de mais uma manifestação de professores convocada para Lisboa contra o modelo de avaliação, veio "cavalgar" a onda das "massas em luta" e exigir a suspensão do referido processo de avaliação de desempenho...

Manuela Ferreira Leite parece ser adepta daquela frase de Georg Lichtenberg que reza assim:

"Muitas vezes tenho uma opinião quando estou deitado e outra quando estou de pé".

Carlos do Carmo


No passado Sábado à noite, Carlos do Carmo deu um excepcional concerto num Pavilhão Atlântico com lotação esgotada e com receita a reverter para a Voz do Operário.

Fado Maestro (título do evento) comemorou 45 anos de uma grande carreira e reuniu junto do "mestre" intérpretes como Camané, Mariza e Bernardo Sasseti. Comovente o momento em que Carlos do Carmo cantou em "dueto" com sua mãe, Lucília do Carmo, evocada através de imagens projectadas no palco.

António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa também esteve presente e entregou ao fadista um corvo feito por um operário da CML, utilizando velhas peças de viaturas automóveis.

Uma grande noite, um momento irrepetível de comemoração do Fado e de Lisboa na voz de Carlos do Carmo.