sábado, 21 de junho de 2008

Chantagem

O presidente venezuelano, Hugo Chavez, veio ameaçar com a interrupção do fornecimento de petróleo aos países europeus que apliquem a «directiva do retorno», votada recentemente pelo Parlamento Europeu.

Segundo Chavez, o petróleo da Venezuela não devia ir para "esses países europeus", referindo-se à «directiva do Retorno» que harmoniza, a nível comunitário, as regras para o repatriamento de imigrantes ilegais e deverá entrar em vigor em 2010.

Antigamente chamava-se a isto chantagem, pura e dura, para além de tentativa grosseira de intromissão nas decisões soberanas de outros países. Imagine-se, por exemplo, que em vez de Chavez tínhamos um qualquer ditador latino-americano de Direita a proferir este tipo de ameaças... Mas face ao estranho fascínio que este senhor parece exercer sobre alguma Esquerda europeia (afinal Sartre também admirava Estaline...), se calhar isto é mais um exemplo de "democracia à la Chavez"...

A raíz


Sou daqueles que acreditam que a força de um partido político, a nível local, passa, essencialmente, pela credibilidade e pelo trabalho dos Presidentes de Junta que consegue eleger. O Presidente de Junta (aquele que sente profundamente a responsabilidade do seu cargo) está próximo das populações que o elegeram, ouve-as, sente as suas dificuldades, festeja as suas alegrias, combate a seu favor sempre que necessário, mesmo afrontando interesses do próprio partido. É, assim, um rosto visível, escrutinado, presente. Será um bom rosto se recusar ser mero peão de interesses alheios, guiando-se tão somente pelos valores fundadores do seu partido e, acima de tudo, pela defesa intransigente das populações que representa. Em Sintra o Partido Socialista tem excelentes Presidentes de Junta e é com eles que será possível construir uma alternativa para derrotar a Direita em 2009 - a força de uma árvore está sempre na sua raíz.

sábado, 14 de junho de 2008

Tempos difíceis


José Sócrates e o Governo agiram correctamente, durante o "bloqueio" dos camionistas. Com ponderação, com sentido de proporcionalidade, com sentido de Estado. Os que acusaram o Governo de "fraqueza" seriam os primeiros a censurá-lo se tivesse empregue a força desde o primeiro momento. Obviamente que existiram situações de clara ilegalidade e desafio à autoridade do Estado - mas estou certo que ninguém duvidará, nem por um momento, que na altura certa, e caso tal se revelasse necessário, José Sócrates não hesitaria em agir. Uma coisa é certa: vivemos uma crise a nível internacional motivada pela especulação desenfreada com os combustíveis e cada vez mais surge como necessário um modelo de desenvolvimento económico alternativo. Uma questão final: onde se enfiou a nova liderança do PSD durante todo este período difícil?... Nem uma palavra, uma sugestão, um contributo alternativo. Apenas um silêncio sepulcral e, certamente, o secreto desejo de que tudo corresse pelo pior para o Governo... É pouco (muito pouco) para quem se quer assumir como alternativa de governação.