quarta-feira, 30 de abril de 2008

Prioridades



A actual subida dos preços dos bens alimentares (sobretudo os mais básicos, como o pão) não pode deixar de merecer uma preocupação atenta. Os idosos já gastam praticamente as suas reformas por inteiro com medicamentos e pouco sobra para a alimentação. A classe média, seduzida durante anos por taxas de juro baixas, endividou-se e há todo um conjunto de "novos pobres", mesmo em famílias com alguns recursos, rapidamente sumidos no pagamento de empréstimos vários. A fome é (sempre) má conselheira e o desespero de alguns pode sempre ser aproveitado pelos populismos de ocasião. Está na hora de entender os sinais dos tempos - e actuar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Haja memória!



Outubro de 2002. Manuela Ferreira Leite era Ministra das Finanças. O Orçamento Geral de Estado para 2003 previa um défice de 2,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o que representaria (dizia o Governo de Direita da altura) uma diminuição de 0,4 por cento em relação ao esperado para 2002. Manuela Ferreira Leite assegurava tratar-se de um orçamento de rigor, visando a consolidação das contas públicas e sublinhava que o clima de instabilidade vivido pela economia mundial, agravado pela possibilidade de uma intervenção militar contra o Iraque, teria de ser tido em conta na elaboração do documento. Neste contexto, a ministra salientava a importância das reformas estruturais, nomeadamente nos sectores da Educação e da Saúde, mas defendia que era necessário ir mais longe, "combatendo o desperdício".


Aumentos para funcionários públicos? Apenas 2 ou 3%. Taxa do IVA? Passara recentemente de 17 para 19%. "É preciso um esforço de todos", declarava a ministra, sublinhando que a convergência com a União Europeia era "incompatível com o facilistismo".


Maio de 2005. Notícia do DN - "O retrato tirado às contas do Estado é devastador para o Governo de Santana Lopes, ao ponto de assustar políticos e economistas e surpreender Bruxelas um défice de 6,83% do PIB nas contas do Estado, o mais alto da União Europeia. E, ainda assim, não estão contabilizadas as contas das Autarquias e Regiões Autónomas, em ano de eleições. No orçamento apresentado por Bagão Félix faltava dinheiro para pagar salários dos funcionários públicos, pensões dos reformados, subsídios de desemprego, facturas com a saúde...
Vamos por partes. Em relação ao défice de 2,86% do PIB, anunciados em Dezembro pelo então ministro das Finanças, Bagão Félix, faltam nos cofres do Governo nada mais que 5,55 mil milhões de euros, 4,0% do PIB, de acordo com os cálculos do Banco de Portugal. Destes, Bagão tencionava "pescar" dois mil milhões de euros em receitas extraordinárias. O plano, contava com dividendos da Galp, no valor de 548 milhões de euros, outros 500 milhões com a venda de património e mil milhões com a transferência do Fundo de Pensões da CGD e venda de concessões de auto-estradas. Foi tudo por água abaixo.
Falta agora, para além destes milhões, mais 3,58 mil milhões de euros, quase 2,6% do PIB. Como foi possível este monumental "engano" nas cifras para 2005? Isto aconteceu porque o Governo anterior desorçamentou verbas, procedeu a cativação e ignorou despesas."


Sublinho esta passagem - "Isto aconteceu porque o Governo anterior desorçamentou verbas, procedeu a cativação e ignorou despesas." O Governo anterior foi o Governo de Durão Barroso, com Manuela Ferreira Leite como Ministra das Finanças...


Atenção, portugueses! Os "protagonistas" deste "filme" querem regressar e é preciso dizer-lhes - "NÃO! Obrigado! Já chega!"

segunda-feira, 28 de abril de 2008

"It´s comunism, stupid!..."



Jerónimo de Sousa parece-me ser um homem bem intencionado, honesto, uma pessoa simples e de alma forjada pelas dificuldades da vida. Em recente entrevista ao Diário de Noticias refere que os aumentos dados pelo PCP aos funcionários do partido não ultrapassaram os 2,5%, isto é, seguiram os aumentos "miseráveis" (segundo o próprio PCP) dados pela generalidade do patronato aos seus trabalhadores. Argumento? Desta forma os funcionários do PCP passam pelas mesmas dificuldades dos restantes trabalhadores... Só se esqueceu de acrescentar que os mesmos funcionários não fazem greve nem protestam em frente à porta do "patrão"...