Férias... Curtas (como sempre), mas o suficiente para fazer uma pausa. Infelizmente, interrompidas com a notícia de falecimento de um familiar e regresso antecipado a Lisboa, que a Vida e a Morte são mesmo assim...
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Vida...
Férias... Curtas (como sempre), mas o suficiente para fazer uma pausa. Infelizmente, interrompidas com a notícia de falecimento de um familiar e regresso antecipado a Lisboa, que a Vida e a Morte são mesmo assim...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Com dedicatória para os cães de fila

"O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente"
Ana Hatherly, 1929
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Maio
"Tu não estás como Vitória à proa
Nem abres no extremo do promontório as tuas asas
Nem caminhas descalça nos teus pátios quadrados e caiados
Nem desdobras o teu manto na escultura do vento
Nem ofereces o teu ombro à seta da luz pura
Mas no extremo do promontório
Em tua pequena capela rouca de silêncio
Imóvel muda inclinas sobre a prece
O teu rosto feito de madeira e pintado como um barco
O reino dos antigos deuses não resgatou a morte
E buscamos um deus que vença connosco a nossa morte
É por isso que tu estás em prece até ao fim do mundo
Pois sabes que nós caminhamos nos cadafalsos do tempo
Tu sabes que para nós existe sempre
O instante em que se quebra a aliança do homem com as coisas
Os deuses de mármore afundam-se no mar
Homens e barcos pressentem o naufráugio
E por isso não caminhas cá fora com o vento
No grande espaço liso da luz branca
Nem habitas no centro da exaltação marinha
O antigo círculo dos deuses deslumbrados
Mas rodeada pela cal dos pátios e muros
Assaltada pelo clamor do mar e a veemência do vento
Inclinas o teu rosto
Imóvel muda atenta como antena"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Etiquetas:
Reflexão
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Uma senhora

Deixem-me apenas contar uma pequena história que escutei em tempos: certa vez uma senhora conduzia um potente carro de luxo numa zona rural quando um pneu se furou. Ao tentar trocar o pneu apercebeu-se que não tinha "macaco". "Vou procurar uma casa perto, pode ser que alguém me ajude ou empreste um "macaco" - pensou. Enquanto caminhava continuaram a aflorar-lhe pensamentos: "Bem, se calhar ao verem o meu carro ainda o vão querer roubar... Quem sabe se não me vão pedir 10 ou 20 euros só para me emprestarem um "macaco", ao verem o meu estatuto... Qual quê?... Se calhar ainda me pedem 100 euros ou mais, aproveitando a minha fragilidade!..." E, à medida que caminhava, os pensamentos negros acumulavam-se... Quando encontrou a primeira casa e o dono veio à porta, a única coisa que a senhora soube gritar foi: "Você é um ladrão! Um simples "macaco" não vale tanto! Gatuno!".
Não sei qual a cara que o homem fez. Sei apenas que me lembrei desta pequena história depois de uma reunião onde estive ontem à noite e onde também estava uma outra senhora cheia de ideias feitas sobre pessoas e situações que nem sequer se deu ao trabalho de conhecer...
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